Quem vai pagar a conta?

Cinco anos atrás, perguntei aqui no blogue:

Quem paga a conta do hospital em que Terri está? O dinheiro está ajudando a prolongar sua vida?

O judiciário americano deu parecer favorável a Michael Schiavo. A Lei americana segue o dispositivo na seguinte lógica; escolhemos com quem nos casamos, esse parente eleito responde por nós, o que não vale para outros parentescos. Essa lei da Flórida foi batizada de "Terri's Law” em função da ocasião. Essa morte em questão é chamada ortotanásia (eutanásia ativa), deixa-se que a doença siga seu curso natural, sem intervenção médica.

Se deixá-la viver é errado e deixar morrer também não é?

Se quiser, leia o restante da postagem que escrevi pela manhã, antes da morte de Terri, para logo ao meio-dia, dar o update:

12:00 - Terri Schiavo morreu agora a pouco, após 15 anos de sofrimento e 13 dias longe dos aparelhos que a mantinham viva.

Terri Schiavo ficou em estado vegetativo persistente depois de uma hipocaliemia que culminou em parada cardíaca. Sem oxigenação, seu córtex cerebral ficou severamente comprometido.

Para quem não sabe, a hipocaliemia é o nome dado ao baixo nível de potássio no sangue, que no caso de Terri, foi consequência do uso abusivo de diuréticos receitados por seu médico ginecologista. [Aqui vai o alerta para que não tomem diuréticos sem a real necessidade]

Todas as vezes que se fala em ortotanásia, o caso de Terri vem à baila.

Enquanto esteve vegetando, independente das questões familiares envolvidas, seu caso era exemplo de certeza moral x certeza jurídica. Quem jogaria no lixo uma vida que o marido, sob tutela da justiça, dizia que estava com prazo de validade vencida? Não sabemos a resposta, nem mesmo os mais céticos, principalmente quando temos envolvimento emocional com alguém neste estado.

Já na mesma data em 2007, a blogosfera perdia uma pessoa muito querida. Morria o Aldemir Silva, depois de uma longa espera por um transplante de fígado. Quem participou de sua companhia, sabia da sua coerência, ética, sensibilidade e inteligência.

Ele precisou de um órgão, estava na fila de espera e enquanto isto, também precisava de sangue para viver; algo que podemos fazer quando a nossa vida passou do prazo de validade. Doar um pedaço de nós é ato de amor, é prova de que somos humanos, é deixar aqui na terra um pedacinho nosso, quando não mais existirmos. Doe vida!

Vivemos na eminência de perder e fazemos tudo na última hora. Batalhamos por um emprego, por um amor ou por um objeto de desejo, quando pressionados. Podemos dispor de nossa saúde e da nossa vida porque temos tempo, mas quanto tempo é esse?

Somos humanos, temos medo de morrer e nojo de matar baratas!

Medo de doar vida, porquê? Medo da morte, medo de sentir dor... Todas essas dores passam! Vivemos para morrer de forma natural, porém o sofrimento dos familiares não passa.

"Sei que amanhã quando eu morrer os meus amigos vão dizer que eu tinha um bom coração. Alguns até hão de chorar e querer me homenagear fazendo de ouro um violão.
Mas depois que o tempo passar sei que ninguém vai se lembrar que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim, se alguém quiser fazer por mim que faça agora
Me dê as flores em vida, o carinho, a mão amiga para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade não preciso de vaidade, quero preces e nada mais" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito)

Desculpe o post, se te deixou de baixo astral. É um post em que intimamente, enquanto escrevo, agradeço a oportunidade de estar vivendo, de não ter arrependimentos, de ter aproveitado meu tempo e de estar entre pessoas que amo.

Ah, a fotinha acima é do passado, em dias de Sonrisal, numa referência às comemorações de aniversário do blogue "Vidas Linhas - Vamos viajar no tempo?"

Beijus,

A estrada de Arroz


imagem Myanmar Pagoda & Temples

Kuang Zi Lian, mercador e agricultor, era rico, muito rico mesmo, e adorava fazer alarde da sua fortuna exibindo o maior e o melhor, fosse do que fosse. Era dono de milhares de terrenos, as suas roupas eram feitas com as sedas mais caras e mais requintadas, Para além de que a sua enorme casa estava repleta de tesouros inestimáveis.

Para o dia do seu aniversário, organizou o banquete mais espetacular que os vizinhos jamais tinham visto. Os preparativos estavam já adiantados: como a estrada de terra batida que levava a sua casa estava cheia de pedras, Kuang Zi Lian ordenou a um grupo de criados que tratasse de as retirar. Foi um trabalho bastante árduo, tendo os empregados carregado as pedras em cesto.

Quando esta tarefa ficou pronta, Kuang Zi Lian foi inspecionar o trabalho e descobriu que onde antes havia pedras existiam agora buracos.

- Manda encher os buracos e colocar por cima uma passadeira vermelha que vá até ao portão de entrada, passe pelos meus jardins e leve as pessoas até a porta da frente de minha casa – ordenou ele.

- E com quê se encherão os buracos? – perguntou-lhe o secretário.

- Arroz! – respondeu Kuang Zi Lian, com um sorriso de orelha a orelha.

- Mas não se limitem a encher os buracos. Quero uma grossa camada de arroz sob a passadeira, de modo a que os meus convidados possam desfrutar do mais suave de todos os caminhos!



Naqueles tempos, os pobres na China nada mais comiam a não ser arroz, e os muito pobres tinham sorte se conseguissem algum. Utilizar aquele alimento deste modo era um desperdício terrível, mas Kuang Zi Lian encarava-o como uma maneira de demonstrar como era rico e importante. Qualquer pessoa podia comer arroz, mas só ele era suficientemente rico e poderoso para mandar fazer uma estrada com aqueles grãos.

Numa altura em que havia pessoas a morrer de fome, chegaram relatos deste desperdício aos ouvidos de um magistrado de uma cidade vizinha.

O seu nome era Zhao Shen Xiao e era um homem bom e honesto, mas nada conseguia fazer acerca da estrada de arroz. Kuang Zi Lian podia dispor da sua riqueza do modo que melhor lhe aprouvesse, contudo a verdade é que Zhao Shen Xiao ficara triste ao lembrar-se de todas as pessoas famintas nas cidades e nas aldeias.



Foram chegando notícias do banquete que Kuang Zi Lian preparava aos ouvidos dos pedintes locais e estes encaminharam-se para a casa do homem, levando na mão as tigelas com que costumavam pedir. Sabiam que era arroz que estava sob a passadeira, mas não se atreviam a retirar um grão que fosse, pois sabiam que não lhes pertencia.

Não ousavam igualmente passar o portão e entrar pelos jardins, uma vez que os guardas, atentos, os observavam. Estes últimos tinham recebido de Kuang Zi Lian instruções muito claras acerca do tratamento a dar a visitantes inoportunos – deveriam, muito simplesmente, ser maltratados.

No dia do banquete, porém, houve um pedinte que entrou pela casa dentro. Passou pelas legiões de criados que corriam de um lado para o outro a cuidar dos últimos preparativos. Da cozinha vinha um aroma delicioso, as tigelas de porcelana brilhavam, dispostas em diversas filas de mesas cuidadosamente envernizadas; as estátuas recebiam um derradeiro polimento e a passadeira era varrida uma última vez.



O pedinte dirigiu-se à cozinha e estendeu a tigela.

– Poderiam arranjar-me algumas sobras? – pediu. – A minha mulher e o meu filho não comem nada há dias. Todavia, os cozinheiros não se atreveram a dar-lhe qualquer comida, com medo que Kuang Zi Lian viesse a saber.

Nesse momento, irromperam pela cozinha dois guardas e agarraram-no e um deles arrancou-lhe a tigela vazia das mãos, ao passo que outro o pegou pelo cachaço e o atirou pelos degraus abaixo, para o chão. o pedinte conseguiu ainda agarrar uma mão-cheia de arroz antes de se pôr de pé. Tinha o nariz a sangrar devido à queda.

O primeiro guarda prendeu-lhe o pulso e apertou-o com força. Deixa isso – ordenou.

O pedinte deixou escorregar os grãos de arroz por entre os dedos. Como poderá ao teu amo fazer falta uma mão-cheia de arroz se tem a estrada pavimentada com ele? – suplicou.

- Não nos questiones! – gritou o segundo guarda e de acordo com as ordens do patrão, distribuíram ao pedinte uma dose de pontapés que servissem de lição para todos os demais.

Meu último mico

No consultório:

Lê revista bonequinha, lê! O mundo é pequeno e cabe dentro de uma sala de espera.

“David Reutens, da universidade de Melbourne divulgou o resultado de uma pesquisa em que defende que a intensidade sexual de uma pessoa é proporcional ao tamanho de sua amígdala"



Abra a boca, deixa ver o tamanho da sua amígdala. Não tem? Extraiu? Poxa! Deixa ler o resto...

A Austrália faz parte da Commonwealth britânica, portanto, essa pesquisa não é nenhuma surpresa.

Que é commonwealth?

Depois explico, vamos em frente!

Luma, deixa de ler essas besteiras, sabemos que alguns galanteadores expressam o que pensam entre a base e o meatro uretral – dão batidas no peito e emitem sons como: meu carro, minha fazenda, meu isso, meu aquilo – acham que a amígdala é um depósito de sêmem.

Terceira pessoa (o médico) entrando na sala e na conversa:

Só um aparte, a amígdala em questão não é essa que fica na garganta, é outra.

Ah, sim! Aqui fala em pessoa sem distinção de sexo. Onde mais a mulher tem amígdala.

[Luma quieta se afogando na amígdala]

*commonwealth

Não adianta! É de cachorro de que ela gosta mais.

Depois que o Max começou a envelhecer, toda a sua rotina mudou. Não gosta mais de sair de casa, só quer ficar na preguiça, ouvindo música ou vendo tv. O máximo que faz é dar uma voltinha pela vizinhança e logo quer voltar para casa.

Perdi meu companheiro de longas caminhadas, praia e pescaria. Outro dia estávamos caminhando e ele tropeçou nas próprias pernas, caindo de boca no chão duas vezes. Às vezes se assusta, dá uns tremeliques como se algo fosse chocar com ele - não sei se é a visão que está falhando ou alguma sequela neurológica que ficou da caída da escada. Vale lembrar que quando ele adoeceu da última vez, foi constatado que tem Bico de Papagaio e artrose.

Ele gosta de uma boa conversa, mas tem hora que se faz de surdo. Sei lá! Está gostando da solidão. Achei que poderia movimentar um pouco o dia a dia dele e quem sabe, fazê-lo se interessar mais pela vida e voltar com sua alegria.

Ele ainda é bastante sociável, principalmente quando encontra seus iguais e para não perder essa 'qualidade' pensei em trazer-lhe nova companhia.

Saí hoje de casa querendo libertar o Max do tédio, dar aquela chacoalhada e trazer novidades para casa.

Indo ao encontro do que eu queria, me deparei com algumas fofuras!



Um gatinho chamou minha atenção e eu pensei: É ele!



Um segundo depois, refutei e lembrei de Mark Twain:

"Quer conhecer alguém dê poder a ele"



Mudei de ideia...



Gosto da paz que o Max conquistou na velhice!

Prost, Piquet e Mansell: rivais transformaram Ayrton Senna em mito

Airton Senna, Prost, Mansell e Piquet
Clique na imagem para ler toda a matéria.

"É muito difícil você conseguir vencer numa boa. Pra vencer você tem que lutar, e essa luta muitas vezes significa se indispor de certa forma com algumas pessoas, pra prevalecer aquilo que você acredita. Teu ponto de vista, tua cabeça, a tua personalidade acima de tudo. E se você não lutar pra valer, você acaba perdendo teu próprio rumo. E se você perde o teu próprio caminho, você não é ninguém. Então, pra conseguir manter essa linha de conduta, você tem que lutar muito. E, muitas vezes, tem que brigar mesmo." Ayrton Senna



Todos heróis e bandidos já foram criança um dia! Se estivesse vivo, Ayrton Senna completaria 50 anos.

A saudade maior sente a família e para os fãs fica a sabedoria de que um mito não preenche carências e que o exemplo de uma vida de batalhas e vitórias são para serem seguidos, se possível!

Estou Lennon




Working Class Hero/John Lennon - para assistir o vídeo, clique no segundo ícone da direita para a esquerda.


"Yoko, por favor, compreenda, eu não estava matando uma pessoa real. Matei uma imagem" Mark David Chapman, assassino de John Lennon, numa entrevista à rede de Televisão Americana ABC, em Dezembro de 1982.

Quando fiquei sabendo da tragédia que se abateu sobre a família do cartunista Glauco, logo lembrei da frase acima e resolvi resgatar meu kit Lennon. A música no player acima é pouco conhecida, sendo uma das primeiras da carreira solo de John Lennon. Vale ouvir para ir além de "Imagine".

Por ocasião da estupidez da semana passada, tentei compreender, além da loucura, o que levam pessoas, de uma maneira geral, a adicionar homeopaticamente em suas psiques, negativismos que lhes deixam sem base para ações positivas, tanto para si como para as pessoas com as quais convive.

Quando vi os olhos do assassino confesso do cartunista, me lembrei de um rapaz da minha cidade natal e de como ambos, possuem semelhanças em suas histórias. A mídia fala do chá Ayahuasca que evoca o Santo Daime - não vou falar do chá porque, sinceramente, não compreendo o uso do chá e porque ele é usado para aproximação divina. Mas... Falam do chá porque o Glauco estava envolvido e estão esquecendo de usar da oportunidade para questionar assuntos pertinentes a toda a sociedade.

Eu reconheci no rapaz, uma pessoa conhecida e aposto que muitos já reconheceram aquele olhar, desvinculado de sentimentos e desnorteado de ações: pessoas drogadas advindas principalmente de lares desestruturados.

Daí você se pergunta, o que pode fazer em relação a isso? - Você não tem nada com isso - e assim sabemos de fatos reais pelas manchetes dos jornais e nas telas da tv, esperando o próximo capítulo da novela. Você, mero espectador da vida e tem seus palpites. Eu, superficialmente sinto que o crime foi passional.

A IBM veiculava uma campanha que fazia a seguinte pergunta "O que faz você especial?" - você sabe, o que te distingue das outras pessoas?

Já me fiz essa pergunta várias vezes e encontro a resposta quando me sinto útil, não no sentido de me escravizar em função disso, mas de ver que algum gesto meu, contribuiu para a melhora de vida de alguém - seja direta ou indiretamente.

Pessoas que não se sentem inseridas dentro da sociedade, padecem de um mal chamado "Síndrome do Zé Ninguém" - são pessoas anestesiadas mental e moralmente pelo que acontece à sua volta, não possuem ação para nada e muito menos reagem.

A tendência dessas pessoas é não querer se envolver com os acontecimentos negativos, tristes que assolam outras pessoas ou o mundo. Essa pessoa se basta e quando alguém tenta penetrar no mundo do "Zé Ninguém", a resposta invariavelmente é "Não me interesso por este assunto" ou "Não entendo nada disso"... As desculpas são várias. No mundo criado pelo "Zé Ninguém", somente ela sente dor e ninguém mais liga pra ela - um pobre coitado!

O "Zé Ninguém" se questiona quando pressionado: "Sozinho não vou fazer a menor diferença" - fará diferença para quem você convive. Mesmo que não note, suas ações são observadas, pelo pai, mãe, filho, amigos... Se você guarda um papel de bala dentro do bolso quando não encontra uma lixeira, se tenta ajudar alguém em apuro, se você manda um e-mail para um político reclamando de suas ações... Parece que não vai fazer diferença, mas faz!

Quantos pais ausentes ou filhos ausentes se espalham por aí? - Seu filho está ouvindo música alta - aquela música que você não gosta e que não faz esforço nenhum para gostar e o que você faz? - Sua mãe está lá na cozinha, preparando o jantar, cantarolando uma música que você não gosta e que você não faz esforço nenhum para gostar, o que você faz?

Se reagíssemos positivamente ao invés de criticarmos... Se aceitássemos o outro, com seus gostos, desgosto e defeitos, poderíamos achar graça da nossa rotina e quem sabe aproveitar o momento feliz para distribuir um pouquinho de carinho. Os pais se lembrando de como 'eram' seus micos musicais que hoje se envergonham de confessar aos filhos - ah, o que era aquele corte de cabelo horroroso que usou? Confessa que também viveu essa juventude! :=))) Pois tudo faz parte do processo de crescimento e uma crítica mal feita, pode desviar o curso de uma vida ou mesmo destruí-la. Assim, para não destruir o dia: lasca um beijo na mãe desafinada!

Talvez o melhor das ações presentes, não seja querer mudar o curso da vida e sim, não nos arrependermos mais tarde daquilo que não fizemos.

Lugar de homem é na cozinha! [update]

Outro dia estava lendo algumas notas pessoais da Martha Medeiros, especialmente o texto "Homem Cozinhando", que divertidamente expõe o perfeccionismo que alguns homens adquirem quando aprendem um pouquinho mais da arte culinária. Sabe aqueles detalhes que nós meninas relevamos, mas que para os meninos são pecados gastronômicos. pecador

Você: sua melhor companhia



Ainda duvida?

Mito latino com prazo de validade vencida

Fidel Castro by toyib
Super Hero by Agan Harahap

Fidel Castro Ruiz queria ser revolucionário, mas lhe faltava dinheiro, e esse tipo de problema sempre o fez pensar nos Estados Unidos. Em 1940, escrevera ao presidente Franklin Roosevelt pedindo uma nota de dez dólares, porque nunca vira uma em seus 14 anos de vida.

Fidel meninoFidel era apenas um menino e não se sabe se Roosevelt acreditou, nem quantas notas Fidel conseguiu na viagem pela Costa Leste em 1955. O fato é que logo deixou Nova York para montar uma revolução e ganhá-la, quatro anos depois.

A carta enviada à Roosevelt pode ser uma pista para o esclarecimento de uma dúvida que foi crucial durante anos, e hoje é inteiramente acadêmica: Fidel era comunista desde a universidade - como seu irmão Raul - ou foi jogado nos braços de Moscou pela falta de habilidade diplomática de Washington?

A carta sugere fascínio pelos Estados Unidos ou pelo dinheiro dos Estados Unidos, numa versão mais cínica, mas, de qualquer forma, um desejo de ser notado pelo grande vizinho. Notado e aceito? E a falta de aceitação provocando ressentimento e ódio? Não há fúria no inferno igual ao ódio de um cubano desprezado? Se de perto nem sempre é confiável, a psicanálise à distância é apenas um jogo de salão.

O Jornalista americano Tad Szulc talvez seja o mais respeitado biógrafo de Fidel. Acompanha sua carreira, com diversas entrevistas pessoais, desde 1959. E é um veterano correspondente numa das regiões do mundo que os Estados Unidos menos conhecem de verdade: o seu quintal ao sul do Rio Grande.

Szulc, em "Fidel - um retrato crítico" de 1987, não sabe precisar o momento em que o cubano se tornou comunista. Afirma, no entanto, que o seu biografado era antiamericano desde muito jovem, e acrescenta que, ao tomar o poder, Fidel formou um governo moderado, mas de fachada: nas sombras funcionava um aparato comunista, que tomava as decisões realmente importantes.

Os anticastristas de Miami sempre disseram isso; mas diriam, fosse ou não verdade. Por outro lado, o historiador inglês Hugh Thomas sustenta que, antes de chegar ao poder, Fidel era um radical não comunista e não levado a sério pelos comunistas.

Aceitando a versão de Szulc, restaria pelo menos uma dúvida secundária: que tipo de marxista Fidel era desde criancinha? Fiel a Moscou, como se revelou, ou independente como Tito? Já pensava de saída em exportar a revolução, ou foi levado para este caminho pela intransigência americana - tragicamente acentuada pela imprudente aventura da Baía dos Porcos?

A dúvida pode ser irrelevante hoje, mas não é ociosa. Uma Cuba relativamente independente da URSS não receberia os mísseis que Kruchov para lá mandou em 1962. Sem a crise dos mísseis, Cuba não estaria amargando os bloqueios e a falta de relações comerciais com os EUA, por tanto tempo e a história seria outra.

Fidel jogando beisebol
Fidel Castro NY Times

Na história que aconteceu, Cuba era, na década de 50, uma quase província americana. Washington, mandava em Havana e famílias mafiosas mandavam nos cassinos. A posição estratégica da ilha talvez tornasse inevitável a dependência - e esta certamente fazia inevitável a germinação de forte sentimento antiamericano entre intelectuais e políticos.

A idéia de rebelião era fomentada, de um lado, pela situação econômica - o país, que já produzira um quarto do açúcar de cana do mundo, já não vendia mais do que um décimo - e pela tradição de governos corruptos. Segundo Hugh Thomas, depois da Segunda Guerra Mundial, Cuba tivera dois presidentes democráticos e um ditador - Fulgencio Batista, que assumira o poder em 1952. Os três tinham em comum a corrupção em alto grau.

É neste quadro que surgiu Fidel, jovem advogado de classe média, ex-líder estudantil. Em 1953, com a incompetência dos iniciantes, ele liderou um ataque suicida ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba. Passou dois anos preso e em seguida exilou-se.

Em 1956, Fidel e mais 80 homens, levados pelo pequeno navio "Granma", desembarcaram na costa leste da ilha. Era o começo da luta armada. Dezoito meses depois, os rebeldes eram 300, enfrentando com êxito tropas regulares na Sierra Maestra. Nas cidades, a decadência da oposição legal ao regime lançara muitos jovens na ilegalidade: começaram a se multiplicar atos de sabotagem, os quais provocaram repressão e tortura, as quais aumentarma a simpatia popular pelo jovem líder.

Os Estados Unidos apoiaram o ditador Batista enquanto foi viável e pareceu promissor. Mas cerca de um ano depois da viagem do "Granma", começaram a cortar os laços, até rompê-los efetivamente, com a suspensão do fornecimento de armas a Havana.

Depois, foi questão de tempo. Simultaneamente, Batista e o exército perdiam batalhas e Fidel ganhava adeptos nos diversos grupos revolucionários. A 1º de Janeiro de 1959, Batista deixa o país, supostamente rumo aos US$ 200 milhões que acumulara nos Bancos estrangeiros. E no mesmo dia, Fidel instala um governo liberal - com representantes de toda a oposição - em Havana.

A união durou menos de um ano. Ao longo de 1960 o partido comunista foi ocupando posições estratégicas no Governo, enquanto, em Miami, o ódio a Fidel era compartilhado por ex-partidários e ex-inimigos de Batista, que igualmente se detestavam.

Em Abril de 1961, o recém-empossado presidente John Kennedy autoriza a invasão de Cuba por exilados muito mal treinados pela CIA. O ataque mal passa da Baía dos Porcos, e serve apenas para apressar a definição pública de Fidel. Seis meses depois, ele se declara simpatizante do marxismo e começa a estreitar os laços com a URSS.

Era o fim das ações preliminares: Havana e Washington como que se congelaram nas atitudes recíprocas que perduram, assim como espelham atitudes, antes o que era bandido tornou-se mocinho, para com dedo em riste julgar alheios contrariando seus próprios delitos.

Eu tinha a maior vontade de entender-me com os Estados Unidos. Fui até lá, falei, expliquei nossos objetivos (...) Mas os bombardeios, por aviões americanos, das nossas fazendas açucareiras, das nossas cidades; as ameaças de invasão por tropas mercenárias e a ameaça de sanções econômicas constituem agressões à nossa soberania nacional, ao nosso povo" Fidel Castro, a Louis Wiznitzer.

A pergunta: Fidel Castro, a História o absolverá?

Fazendo coro com o Senador Suplicy - Lula deveria lembrar aos dirigentes cubanos a importância das liberdades democráticas, o que o estrupício não fará, depois das declarações primárias que deu e que só nos fazem envergonhar.

A Física não explica como recuperar o leite derramado

leite derramado

Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua origem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta. O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe nos outros a culpa da sua feiura.

Do livro: Leite Derramado, de Chico Buarque.

Amélias

Neste dia internacional da mulher, estava desanimada em escrever sobre o assunto, justo pela repetição, não só do tema, mas da própria situação da mulher. Agora passando da metade do dia, entro pelo blogue da Claudya e vejo a charge abaixo:



Em seguida ela cita aaaaaaaaaquela música, sabe? Do Ataulpho Alves e Mário Lago: Amélia que era mulher de verdade... um letra que traduzia os anseios masculinos do passado (?) e que as mulas, ops! Não se deve seguir a letra da música ao pé da letra? - desculpas, pois as "Amélias" acreditavam e seguiam o comboio.

*Quem não conhece a letra da música, independente da qualidade dos autores, acessem o blogue da Claudya

Não pesquisei o ano de criação da música, mas sei que naquele tempo, haviam muitas mulheres que não seguiam o bonde e que eram "Amélias" de verdade.

Oscar, pra que te quero? [update]

oscar

Quando a estatueta foi entregue a primeira vez, ainda não tinha nome e a festa de entrega não tinha a dimensão da entrega atual. Era o ano de 1929 e apenas um prêmio dado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, fundada dois anos antes da primeira premiação, por 36 personalidades do ramo.

A sugestão de que houvesse um prêmio, foi dada pelo produtor Louis B. Mayer, durante o jantar que reuniu 300 pessoas, para comemorar a fundação da Academia, com a intenção de estimular e melhorar a criatividade cinematográfica.

Banquete Hotel Biltmore
Jantar de inauguração da Academia no Biltmore Hotel - clique na imagem para ampliar

Cedric Gibbons, cenógrafo e diretor de arte da Metro, desenhou numa toalha de mesa a figura de um homem segurando firmemente uma espada. Aprovado o desenho, a estatueta foi esculpida por George Stanley. Tinha 25cm de altura, era feita de estanho e bronze, folheada a ouro e pesava 3,5 quilos.

Quanto à origem do nome da estatueta, batizada somente em 1931, a versão mais conhecida conta que a bibliotecária da academia, Margaret Herrick, teria comentado junto à um repórter, que a estatueta era igual ao seu Tio Oscar. Anos mais tarde, a academia desmentiu a secretária e de acordo com outra versão, foi a atriz Bette Davis que teria feito alusão a um ex-companheiro.

Apenas 250 pessoas compareceram à primeira cerimônia de premiação, apresentada por Douglas Fairbanks e Willian C. De Mille, respectivamente presidente e vice-presidente da academia, que premiou os melhores de 1927 e 1928.

"Asas", aventura ambientada na Primeira Guerra, recebeu o primeiro prêmio de melhor filme. Foi o único filme mudo a ganhar a distinção. Franz Borzage foi o melhor diretor. O Oscar para melhor diretor de comédia, atribuído naquele ano, foi para Lewis Milestone, que derrotou Ted Wilde e... acredite, Charles Chaplin.

O alemão Emil Jannings foi escolhido melhor ator, porém desiludido com Hollywood, já havia regressado à sua terra natal. A melhor atriz foi Janet Gaynor, que atuou no filme "Aurora", também Oscar de melhor fotografia e um especial, de qualidade artística, para a Fox.

Janet Gaynor
Janet Gaynor primeira Melhor Atriz premiada com Oscar

Dentre os filmes premiados desde 1929, "O poderoso Chefão" chega a ser unanimidade pelo público e crítica, como obra-prima cinematográfica - o que não podemos dizer de alguns premiados, que arrebanharam prêmios não merecidos.

Este ano, a sorte está lançada e a Academia recupera a tradição dos anos 40 de indicar 10 concorrentes ao Oscar para melhor filme. O meu palpite é que "Avatar" será a grande zebra, espero! Assisti e achei pretensioso o merecimento para tantas indicações. Enfim!

A Vanessa convidou seus leitores a falar sobre qualquer filme, que já tenha sido premiado pela academia e me deu, particularmente a oportunidade de falar de um ator/cantor, mas daí pensei melhor e vi que apesar da especialidade, do meu outrora escolhido, retrocedi, refleti e concluí: Vilão meigo só existiu um!

Don Vito Corleone e Gatinho

Só deu Brando no ano de 1972. O ator que vinha de uma fase de ostracismo, brilhou nas telas em dois filmes que dariam o que falar por anos a fio: "O Poderoso Chefão" e "O Último Tango em Paris" - o primeiro, por sua interpretação brilhante de um chefão da máfia e o segundo, pela polêmica em torno do jogo de sedução e sexo que protagonizou em parceria com Maria Schneider.

Baseado no livro do escritor Mário Puzo e dirigido por Francis Ford Coppola, "O Poderoso Chefão" bateu em apenas nove meses o recorde de bilheteria de "...E o vento levou", que já durava mais de 30 anos. Em dois anos e meio, arrecadou US$330 milhões. Deste total, o vantajoso contrato de Marlon Brando lhe rendeu mais de US$20 milhões. Merecidos.

Parte do sucesso do filme se deve à sua atuação, vencedora de um Oscar, o segundo de sua carreira - que ele, aliás, não foi receber. Em protesto contra a situação dos índios americanos, mandou em seu lugar uma jovem índia apache. Das dez categorias a que foi indicado, "O Poderoso Chefão", levou mais duas estatuetas: de filme e de roteiro adaptado, este de Copolla e Puzo.

O filme de Copolla mergulha na estrutura familiar dos imigrantes italianos que formaram uma poderosa rede de crime organizado nos Estados Unidos - praticamente a metáfora de uma grande empresa na economia de livre mercado, com suas estratégias de guerra e competição acirrada.

Por mais de três horas, nada cansativas, a saga da família Corleone é narrada de forma violenta, tensa, com ótimos desempenhos de Brando, Al Pacino, James Caan e Robert Duvall. Para interpretar Don Vito Corleone, Brando fez implantes na boca para aumentar seu queixo e criou um voz rouca e baixa para caracterizar o personagem. Pacino é o protagonista das continuações - a primeira de 1974, ótima! A segunda, de 1990, bem inferior aos outros dois filmes.

"O Último Tango em Paris" provocou uma repercussão pelo roteiro ousado do que por outros méritos. No filme de Bernardo Bertolucci, Brando é um americano frustrado e solitário que se encontra casualmente com uma jovem francesa, sem preconceito, num apartamento à venda em Paris. Ela, às vésperas de se casar e ele, recém-viúvo. Dois polos que em três dias se encontram e fazem as maiores estripulias sexuais no imóvel vazio - numa cena célebre da maratona sexual, chegam a usar manteiga de modo pouco ortodoxo.

A paixão clandestina provocou reações explosivas em todo o mundo e fez com que, durante anos, a obra permanecesse na fronteira da arte com a pornografia. Bertolucci, então com 31 anos, foi processado por atentado à moral, mas acabou absolvido pela justiça francesa.

No Brasil, o filme foi proibido por sete anos, até ser liberado sem os cortes da censura militar. A cena da manteiga já não chocava ninguém.

Aos interessados em compreender o filme - a cena da manteiga é fundamental - mas não se prenda as coisas impensáveis que Marlon Brando, fez com o tablete de manteiga, pense no que o personagem fala durante a cena, entre elas:

"Vou falar-lhe de segredos de famíla, essa sagrada instituição que pretende incutir virtude em selvagens. Repita o que vou dizer: sagrada família, teto de bons cidadãos. Diga! As crianças são torturadas até mentirem. A vontade é esmagada pela repressão. A liberdade é assassinada pelo egoísmo. Família, porra de família!"

O que fica para nós espectadores, são os clamores, sussurros solitários ou não, diante de uma grande cena e a viagem destino que a verdadeira matéria-prima da arte cinematográfica nos tira do corpo.

Saber também que George Lucas foi um dos assistentes de Coppola, não tem preço e é animador!

Boas escolhas!
[update]
Veja a lista completa de vencedores do Oscar 2010;
A grande zebra da noite;

Distra[em] si


"- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."
Sei que está lendo o bloguinho. Sei que está aí, olhando para o monitor. E então? Como é a vida deste lado do ecrã?

Está confortável? Nunca se sabe quando os meus textos serão grandes, pode ter de ficar por aí ainda um bom tempo...

Escrevendo isto não pude deixar de soltar uma gargalhada, afinal alguns têm preguiça de ler textos grandes. Como sou má! Posso partir do princípio que quem bloga gosta principalmente de ler e de escrever - uma questão de treino!

Consegue perceber quando estou escrevendo alegre ou triste? Mas sabe que se perguntar eu respondo. Não sei se sabe, mas eu não tenho a capacidade de deixar alguém sem resposta. Se fiz, foi porque me distrai...

Se você não se distrai,
O amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade

Se você não se distrai,
A estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce,
a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha

(...)

Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não ri de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade

Este é um trecho da música "Distração". Composição de Christiaan Oyens e Zélia Duncan.

Escute a música toda e distraia-se!

O player é do Youtube [luma inventando moda]



Jana, o "Yes Party!" do nome do "Luz de Luma" foi acrescentado ao título em 2006, no dia do meu aniversário. Dei este presente ao bloguinho e a culpa foi do moço da bebida!

Ora, ora, como é distraído! Não se esqueça de responder as perguntas... rs.
Bom fim de semana! Beijus,

Gostoooosa demais!



Um dia desses, estive ouvindo os meus amigos falarem sobre as mulheres. Dessas conversas que eles começam louvando as mulheres que gostariam de conquistar para em seguida, passarem a falar mal delas. Senti um certo desconforto no início, uma mistura de culpa e vulnerabilidade, mas minha curiosidade foi mais forte que a solidariedade de gênero [imagino que um homem adoraria saber o que as mulheres falam sobre eles, quando eles não estão por perto]. Cá com meus botões pensava: desde que não falem mal de minhas amigas queridas, não fará mal bisbilhotar o "Clube do Bolinha" de vez em quando [lá estava eu me sentindo 'o menino'!]

Conversa vai e vem, deslanchou sobre uma 'conhecida' nossa, tão chata e sem desconfiômetro a respeito da própria chatice, que mesmo estando munida dos melhores princípios feministas eu não seria capaz de defendê-la. Afinal de contas, existem mulheres cujas falhas de caráter não devem ser justificadas com argumentos femininos sob o risco de comprometer as outras, aquelas que merecem que a gente brigue em defesa delas. Então, quando um dos meus amigos comentou que 'fulana' atravessa as conversas, impõe sua presença e vive tentando monopolizar grosseiramente as atenções, outro amigo replicou: "Isto é porque ela foi muito gostosa quando era mais jovem".

Achei que o sexismo, a misoginia ou seja qual for o nome do preconceito deles contra as mulheres estava indo longe demais e quis interferir, mas daí esse mesmo amigo, continuou a falar: "... As mulheres muito desejadas ficam mal-acostumadas. Durante muitos anos da vida delas, basta entrarem numa sala para monopolizar todos os olhares. Basta falarem um "a" que todos os homens lhes darem atenção, querendo concordar com qualquer coisa que elas digam". Porém - e, como dizia Plínio Marcos, sempre tem um porém - é inevitável que um dia essa moleza acabe. Nem Helô Pinheiro, a eterna Garota de Ipanema, nem Martha Rocha, nem a Tônia Carrero se safaram; não há beldade que o tempo não passe. Pior: antes da velhice, há que enfrentar um período muito mais difícil, em que a beleza da jovem estonteante ainda se faz reconhecer no rosto e no corpo da mulher madura, mas sua verdade mais profunda já não está lá.

A beleza da ex-mulher irresistível permanece como um traço de memória, um significante, algo que nos faz olhar para ela e admitir que se trata de uma mulher interessante, bonita, charmosa. Mas já não acontecem olhares hipnotizados pela sua presença. Frustrante? Não. Diante dela, homens e mulheres demonstram admiração, mas não sentem mais a presença do mistério, do perigo.

Os padrões culturais impõem certas faixas de idade onde as mulheres são encaradas como objeto do desejo e em outra faixa de idade, deixa para a mulher mais velha a marca do saber, uma certa concretude [até mesmo sexual] que preserva a beleza mas destrói a aura de segredo que pairava em torno da beleza delas quando jovens.

Posso conjecturar que, entre as 'estereotipias sexuais do Ocidente', cabe aos homens a qualidade da sabedoria sexual e às mulheres a da inocência, de modo que a própria ignorância de algumas jovens cria em torno delas um ar de fascinante mistério. É só lembrar a Lolita, do romance de Nabokov, a menina que sabia seduzir sem se dar conta do que estava fazendo.

Voltando à conversa com meus amigos... Foi com uma certa amargura que tive que concordar que o comentário deles à respeito da nossa 'conhecida' chata tem valor didático para todas as mulheres - e para os homens também. Para os homens, é claro: Não demonstrar tanto deslumbramento perto de uma mulher bonita, pois ela te olhará como olha qualquer babão. Seja moderado, educado e tente regular os hormônios, os olhos e as mãos. Do contrário, ela acreditará mesmo que é o centro do universo, se tornará chata, exigente e pouco generosa com você.

Para as mulheres, nenhum conselho é possível! hehehehe Ou melhor, homens e mulheres, aprendam a ouvir. E quem souber de uma boa receita para envelhecer sem conflitos de transição, gostaria de saber o meio que ajuda a perceber quando a velhice está chegando. Se para as pessoas deslumbrantes é mais difícil envelhecer, pessoas 'normais' tendem a levar susto! Pronto, ela chegou.

O que se pode sugerir para as menininhas lindas que irão amadurecer? Tentem não ficar tão dependentes do desejo dos homens e dos olhares que provocam, até mesmo sem querer. Assim, quando vocês meninas lindas, se tornarem no futuro, apenas seres humanos normais, não serão as chatas inconvenientes que não sabem viver sem plateia, nem ficarão amarguradas com os homens que, de uma hora para outra, parecerão bem mais difíceis de seduzir.

*O grau de chatura também varia em homens bonitos.

...em quietude, sem solidão

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