Meus defeitos...
listei-os.
Pensei em corrigir.
Juro que tentei.
Clarice não deixou.
Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
(António Gedeão)
Depois do meu desabafo no
post anterior e da contrariedade que senti por duas pessoas queridas que diziam se amar muito, terem se separado por motivo banal, encontrei uma crônica do
Guilherme Arantes como colunista convidado da
Revista "O Globo" que foi um tônico para o recomeço de vida do meu amigo.
Ah, sim! Eu leio com atraso jornais e revistas que assino e essa entrevista data de 26 de maio de 2013. Procurei por ela na internet e não achei, somente achei
imagem na
fan page do artista.
Como gostaria muito de trazer o link para o blogue para vocês lerem a crônica, a única forma que encontrei foi digitá-la. Espero que gostem!
Li um texto com o título acima e que começava assim:
"Ninguém aguenta uma sequência interminável de dias lindos - é a fórmula clássica da decepção dos felizes. O dia do benefício é a véspera da ingratidão..." (
Paulo Delgado).
O restante do texto você pode ler se clicar no nome do autor. O texto completo não me convém agora, mas o título foi para pensar, ainda mais por ter perto de mim, exemplos de pessoas que lutam por um papel.
O nosso cotidiano não deixa dúvidas, prova, primeiro que a sensualidade e o prazer passaram a ser a principal referência para indicar a qualidade, a intensidade, a beleza, a originalidade e a importância das coisas e, segundo, que tesão não significa mais algo que tenha a ver apenas com excitação sexual ou genital.
Hoje, perder o tesão significa também se desinteressar. Mas trata-se de um desinteresse que não é apenas mental, existencial, mas também corporal e sensorial, mesmo que seja por coisas com as quais não entramos em contato sensual e direto.
No seu uso corrente, a palavra tesão parece ter sensualizado tudo.
"Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, e, ao se encontrarem, eles trocam os pães, cada homem vai embora com um; porém se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando uma idéia, e, ao se encontrarem, eles trocam as idéias, cada homem vai embora com duas." 