Se tanto me dói que as coisas passem

É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)



"Rio de Janeiro, hoje é 23 do 3
Como vão as coisas?
De mês em mês eu me sento
Pra escrever pra você"
As cartas que eu não mando - Composição: Leoni / Luciana Fregolente



A Du passou o "memecantei" e tenho que seguir algumas regras:
  1. Escolher um cantor(a);
  2. A cada pergunta feita, terá que escolher um título de uma música e colocar uma frase da música como resposta;
  3. Por último, repassar a 7 blogs.
Eu escolhi o Leoni - considerado por muitos um “hitmaker”, suas músicas estão no repertório das principais bandas nacionais. Além de tudo é uma pessoa linda e super simples - Visite o blogue do Leoni

1- És homem ou mulher?

"Eu não reconheço mais
Olhando as fotos do passado
O habitante do meu corpo
Esse estranho doublé de retratos
"
Doublé de Corpo - Composição: Leoni / Lulu Martin

2- Descreve-te:

"Houve um tempo em que tudo girava ao meu redor
Dos meus desejos e vontades

E todo mundo ria de tudo que eu dizia

E eu dizia um monte de bobagens

Eu achava que tinha de tudo para sempre

Que eu tinha amigos de verdade
Mas a verdade sempre vem bater à porta

A gente tenha ou não vontade"

Carro e grana/A Fórmula do Amor - Composição: (Leoni / Beni Borja) (Leoni / Léo Jaime)

3- O que as pessoas acham de ti:

"Ontem quando eles passaram
Pelo seu bairro

Te acharam muito mais sério

E bem mais magro"
Na sala de espera do paraíso -
Composição: (Frejat/Luciana Fregolente/Leoni)

4- Como descreves teu último relacionamento:

"Talvez um breve delírio
Que desapareceu
Só um retrato vazio"
Os Amadores - Composição: Leoni / Luciana Fregolente

5- Descreve o momento atual de tua relação:

"Pra ela eu sou perfeito
E a gente é tão pequeno

E acha que move o mundo

E se perde em vaidade

E se acha sempre tão profundo

Acho que todo o medo

É de não ter segredo"

Um heroí que mata -
Composição: Leoni

6- Onde querias estar agora?

"Ando sem pensar pra onde eu vou
Tanto céu e chão pra misturar

Pouco pra lembrar

O que é que eu vou contar

Se todo lugar é só mais um?"

Interior - Composição: (Daniel Lopes / Leoni)

7- O que pensas a respeito do amor?

"Não sou só eu, ninguém entende direito
Porque é que tudo foi ficar desse jeito
Não há onde chegar
Nem um roteiro preciso
Nós somos amadores
Tudo aqui é improviso
Não sei se alguém mais sente
Isso que eu tenho sentido"

Os amadores - Composição: Leoni / Luciana Fregolente

8- Como é tua vida?

"A beleza explode ao meu redor
Um milagre novo por segundo

Facas e maçãs, luzes sobre nós

E os detalhes que revelam o mundo"

40 dias no espaço -
Composição: Leoni

9- O que pedirias se pudesses ter só um desejo:

"Porque atrás da porta certa
É certo, se esconde
A noite perfeita"

A noite perfeita - Composição: Leoni / George Israel

10 - Escreva uma frase sábia:

Os convites são, maioritariamente, perguntas retóricas...

E convido os bloggers amigos a participarem da brincadeira. Lembrando que é um convite, aceita quem quiser:
E sabendo que estou em atraso em agradecer os mimos que tenho recebido na blogosfera, vou em etapas, conforme a oportunidade postando. Hoje agradeço os selinhos:
Tive um tempinho no Sábado para ler os blogues pelo agregador de feeds e percebi uma grande 'parada' na blogosfera - Eu tenho uma pasta chamada 'Pandora', onde a cada 3 meses dou uma varrida e puxo os blogues 'parados' para ela.

Bateu desânimo ao contar o número de blogues, no total 48 blogueiros que blogam a mais de 3 anos que pararam de blogar. Que se passa?

Para pensar: “Tive o pressentimento de que a fase «andarilha» da minha vida podia estar a chegar ao fim. Tive a sensação de que, antes de ser contaminado pelo mal-estar do sedentarismo, tinha de voltar a abrir estes bloco-notas. Tinha de pôr no papel um apanhado das ideias, citações e encontros que me tinham divertido e obcecado; e que, segundo esperava, esclareceriam o que, para mim, é a questão das questões: a natureza do desassossego humano.” Bruce Chatwin, Canto Nómada

*E hoje é aniversário da Lu - Ludimila do blogue "Insanidades de uma melosa e patética garotinha..." hahahaha nunca tinha reparado no nome do blogue, mas não é nada disso gente - nada de melosa ou patética - garotinha não sei :=))) Parabéns pelos 24 aninhos - pé na estrada, garota!!

**Aniversário também da Paulinhaaa do Blog Ela é Carioca!! Swing sangue bom, muita coisa na cabeça, algumas coisas no papel, outras tantas nos blogs - Tô ligada!! Felicidades e boas comemorações!!

Boa semana!
Beijus,

Ray Mailland

ray millandUm galês da região de Glamorgan, as Terras dos Moinhos, nascido Reginald Alfred John Truscott-Jones, o carismático Ray Milland não pensava em se tornar ator - na verdade, ele queria seguir a carreira militar. Um sonho que, aliás, realizou, por três anos, como oficial da Companhia Real de Cavalheiros, em Londres.

O Charme e a sua incrível capacidade para trocar de expressão, apenas com o olhar e com um sorriso, do benéfico ao malévolo, o encaminhou ao cinema na Inglaterra.

No estertor dos filmes mudos, um produtor o instruiu a mudar de nome e apenas Ray era gravado em todas as suas bagagens.

Mill Lands - "Terra dos Moinhos" - Millands se tornou.

Seu primeiro trabalho em Hollywood foi no filme I Wanted Wings, de Mitchell Leisen que fazia propaganda contra o nazismo. Neste filme realizou um teste junto com um piloto profissional e em pleno voo notificou o piloto que saltaria de para-quedas. O piloto o dissuadiu e disse que faltava combustível ao aparelho e que precisavam retornar imediatamente. Mentira!! O para-quedas que Ray portava era de brincadeira. Ele voava sem para-quedas!

Ganhador do Oscar por Farrapo Humano (The lost weekend, de Billy Wilder), em que interpretou um escritor fracassado e alcoólatra. Ao receber sua estatueta, fez história: o primeiro e único laureado, até hoje, a não emitir uma única e escassa palavra de agradecimento. Milland apenas acenou com a cabeça e se foi, do proscênio, em silêncio.

Uni duni tê



Amizade
Quando o silêncio a dois não se torna incômodo

Amor
Quando o silêncio a dois se torna cômodo

Mario Quintana

Vale escolher apenas uma alternativa.

Poema só para Jaime Ovalle

chuva

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

(Manuel Bandeira, in: Poesia completa e prosa. Rio de janeiro. Aguiar, 1974. pág 273)

Simplicidade é virtude, quando o criativo se baseia no subconsciente. Não há necessidade da procura pela palavra certa, não há luta por uma expressão supimpa, não há necessidade consciente de produção. Tudo flui naturalmente, isto é inspiração!

Mas o poeta não se achava genial:

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Esse pensamento equivocado, deve ter-lhe acompanhado a vida toda, pois escreveu: "Tomei consciência de que era um poeta menor; que me estaria sempre fechado o mundo das grandes abstrações generosas; que não havia em mim aquela espécie de cadinho onde, pelo calor do sentimento, as emoções morai de transmudam em emoções estéticas: o metal precioso eu teria que sacá-lo a duras penas, ou melhor, a duras esperas do pobre minério das minhas pequenas dores e ainda menores alegrias"

Uma poesia que mostra dialogo da realidade poética com o mundo real, gerando poemas aparentemente non sense e bobos?

Talvez ele fosse bobo (Quem era Jaime Ovalle?), tinha uma amigo místico que se enamorou de uma pomba, criou um macaco dentro de um apartamento em Londres, queria reescrever a Bíblia (Jurava que conversava com Deus e tomava batidas com o Anjo Gabriel) - sim, foi ao céu várias vezes, sem ter tomado nem mesmo um uisquinho.

Este é Jaime Ovalle, que abraçava postes com ternura, passava graxa de sapatos nos cabelos e marcava profundamente a criação de outros artistas. Só para citar alguns: Manuel Bandeira, Dante Milano, Mario de Andrade, Augusto Frederico Schimidt, Vinicius de Moraes, Murilo Mendes, Olegário Mariano, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e Villa-Lobos.

Virginia Peckham, romancista americana, viúva de Jaime Ovalle, assim o define; "Um sujeito estranho. Boníssimo. Muito infantil. Provavelmente santo. Mas não desta vida"

Eu estou lendo "Jaime Ovalle, o Santo Sujo" de Humberto Werneck, ed. Cosac Naify - Ele era uma pessoa que só sabia ser interessante quando refletida em outras pessoas, sozinho não sabia existir. Incapaz de criar, era espantoso como marcou a obra de vários autores. Não sabia passar para o papel toda a sua espirituosidade oral.

Dante Milano, escreveu: "Tudo o que fazia era prodigioso, mas não se dava ao trabalho de realizar. Não podia, não havia tempo. [...] Do pouco que resta de sua passagem pela Terra, há um livro em inglês ["The Foolish Bird'], ditado em transe a uma amiga e secretária, e algumas músicas fugitivas e encantadas. E basta. Nem era preciso tanto. De tal homem bastava a presença".

Muitos eram encantados por ele, era cercado de amores, prostitutas a socialites, inclusive Manuel Bandeira.

Manuel Bandeira tinha aquilo que os poetas chamam de sublime, uma relação do individual com o universal. Seu erotismo mesmo tendo uma perspectiva comum "os corpos se entendem, mas as almas não"; buscava na arte explicações insólitas para situações que mais o perturbavam.

A carta citada acima que enviou à Jaime Ovalle, foi rasgada por Virgínia Peckman - vai saber!! Parece que o amigo Ovalle em resposta à carta e preocupado por Manuel estar preparando o próprio café, questionou e o poeta, veio com essa: “Tenho fodido muito, que felicidade!”

Salve a poesia!

*A palavra em destaque no texto reescrever - Pelo atual acordo ortográfico o correto seria re-escrever, mas não o farei porque as palavras com o prefixo RE- seguido de E ainda aguardam uma definição oficial sobre sua grafia. 

Beijus,

Welsh Rarebit

A minha intenção ao escrever a postagem anterior, era simplesmente passar uma receita de sanduíche; o que prometi para a Ana Letícia em seu blogue. Deu no que deu! Fui escrevendo, escrevendo e quando me dei conta, não tinha passado a receita.

...em quietude, sem solidão

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