Porque a mente é como um paraquedas, só funciona depois de aberta (frank zappa)

Crônicas do afeto II

arco íris

Comportamento Outonal

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo a frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

outonoPensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois,
Sinais de bem, desejos de cais
Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor, dos temporais,
de céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu

O mundo lá sempre a rodar
Em cima dele, tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer!

Pensei no tempo, e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar

Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você

O mundo lá sempre a rodar
Em cima dele, tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor

Portugal, nostalgia e sonhos hipotecados

25

Foi na Páscoa que Jesus entrou numa fria.

Luzdeluma

O Processo de Tiradentes, porque um pouco de História não faz mal a ninguém.

Comeu muito chocolate? Não fique com a consciência pesada.

O texto a seguir é uma republicação e por isso contém comentários antigos. Veja se você já seguia esse blogue e se ainda não, faça um blogueiro feliz e siga-me! Me desculpe, hoje acordei engraçadinha...

Por que achei interessante a republicação deste post? Não somente porque o feriado da páscoa se aproxima, mas porque hoje ao ler o jornal de Domingo, encontrei "O novo (velho) guru das dietas", um francês que na França só perde nas vendas de seu livro para Harry Potter. Coloque um "Velho" entre parênteses, porque naquele país, a dieta já existe a mais de uma década e, como pode o que é velho lá tornar-se novo aqui? Mas daí o que chama mais atenção é o fato de você poder achar mais uma boa desculpa para explicar porque engordou - ninguém gosta que o médico coloque na ficha médica: sedentário. Convenhamos, uma nova dieta abre novas discussões sobre metabolismos, meteorismos, peristaltismos e muitos outros ismos.

Ok, muitas pessoas possuem problemas de saúde que a fazem engordar, mas a maioria é preguiçosa mesmo e adora comer! Que mal tem, se inventaram que a preguiça e a gula são pecados? #culpazero #queroserfeliz

Minha infância - fragmentos

Foram alguns anos que eu já sabia de antemão,
que jamais iria esquecer.
E naquela época eu sabia tão pouco...

A vida gasta-se

E as aparências acabam. Sim, um dia elas 'se' acabam!

- Isto me causou o maior dos cansaços e continua ainda a me causar o maior dos cansaços: perceber que indizivelmente mais importa como as coisas se chamam, do que o que elas são. A reputação, nome e aparência, a validade, o peso e medida usual de uma coisa - na origem, o mais das vezes, um erro e uma arbitrariedade, lançados sobre as coisas como uma roupas e inteiramente alheios à sua essência e mesmo à sua pele - pela crença que se tem neles e por seu crescimento progressivo de geração em geração pouco a pouco como que aderiram e se entrelaçaram à coisa e se tornaram seu próprio corpo; a aparência, desde o começo, acaba quase sempre por se tornar em essência e faz efeito como essência! Que parvo não haveria de ser quem pensasse que basta indicar essa origem e esse invólucro nebuloso da ilusão para aniquilar o mundo que vale como essencial, a assim chamada 'efetividade'! Somente como criadores podemos aniquilar! - Mas também não esqueçamos disto: basta criar novos nomes e estimativas e verossimilhanças para, a longo prazo, criar novas 'coisas'. Nietzsche, Somente como criadores.

fases da vida

Poesia numa hora dessas?

luzdeluma

Quando muda a estação, a luminosidade que provoca mudanças na natureza, faz as cores se deslocarem e o nosso olhar ficar cada vez mais agudo. Há quem sinta a necessidade de também mudar alguma coisa dentro de si. Pode ser verão, outono, primavera ou inverno - Dentro de nós corre um rio que enche e transborda para depois ir diminuindo até esvaziar - euforia ou tédio, depende de quem interpreta este paralelo com o mundo externo - se lá fora tudo muda e se não há interpretação para o que acontece dentro de nós, deslocamos o olhar para algum canto ou alguma coisa que não sabemos o que é, mas que passa a incomodar.

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu,lipa
Eu,calipto.

Nada dura, nem mesmo o azul e quando você se dá conta, o romance acabou! Então, você se põe a arrumar a sala, o escritório e todos os cômodos da casa. Começa em um lugar, passa para o outro sem finalizar tarefa alguma. Tira uma pilha de dentro do armário e troca de lugar. As ideias e novas tarefas urgem e a pilha mais uma vez é posta de lado e na volta para a sala, resolve não mais fazer a mudança e pega a pilha e retorna para o escritório. Bagunçou a casa toda em vão e o escritório parece cheio. Você fecha os olhos na poltrona. Acabou o azul e a urgência de mudanças! Onde estará aquela energia que lhe fez tirar tudo de lugar?

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albônico.
Tu,fão.
Eu,fônico.

Escureceu e poderia dormir por horas, até que abrisse os olhos novamente e se deparasse com a promoção de tanta bagunça! "Por que fui começar isso, se o dia antes estava tão organizado? Por que procuramos pelos excessos somente para tumultuar nossa mente?"

Na dúvida por onde começar a arrumação, procura por uma caixa e daquela pilha, pega um por um dos volumes e vai colocando no fundo da caixa. Cada volume encerra uma história que ficará inanimada, talvez esquecida.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu,piniquim.
Eu,ropeu.

Na sede de novos romances, traz para casa um novo companheiro que logo será esquecido, adormecido no fundo da caixa. Por que preciso colocar tantos romances em fila, na espera? Por que a necessidade da "reserva"?

Talvez porque pinte carência, a disponibilidade de resgatar um velho romance soe bastante confortável; Não preciso investigar com o olhar sua aparência, nem correr os dedos para estimular meu tato, o meu olfato... Meu velho romance fica apático do meu lado, espreitando silenciosamente para satisfazer minhas vontades. Sem ânimo para aquele romance que foi destrinchado, sugado e lambido até ficar árido, tento resgatar alguma emoção e quem sabe levo-o para um passeio - um drinque que me satisfaça o paladar.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu,multo.
Eu,carístico.

Algum sentido em mim não ficou satisfeito, por que ainda estou presa a este romance? Que me vale ter algo bom do meu lado que já não me satisfaz mais?

Ainda no bar, levo meu romance para dançar. Exibo para toda a gente e vejo a admiração que se estampa noutros olhares. Cheguei a conclusão que necessito libertar o meu romance secreto, apresentá-lo para outras pessoas e intuitivamente satisfazer todos os meus sentidos - Vieram falar dele para mim e a minha audição sentiu cosquinhas de prazer, ao ponto de a certa altura chegar a sentir ciúmes.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu,cano.
Eu,clidiano.

Já é tarde e não posso voltar atrás! Como explicar com exatidão sentimentos tão contraditórios? Não sabia mais o que sentia. O que esperava de um romance que estava morto dentro de uma caixa? Se posso mantê-lo dentro da caixa é porque não me faz falta e porque vou tumultuar meus dias com romances obsoletos?

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu,tano.
Eu,femismo.

Mas é certo que não irei jogar no lixo tal romance que já me proporcionou tanto prazer. A agenda já existe dentro de mim, mas a alegria da descoberta passou e agora posso deixar que uma lágrima corra, desafogando meu rio.

Libertei esse romance para o azul dos dias, para que possa proporcionar prazer, desprazer ou seja lá o que for para quem o quiser. Que provoque, modifique, retire ou coloque sentimentos em mais alguém. Meu rio secou para ele!

- Não seja estúpida, chegou a chorar ao libertar seu romance e ficou lá, assistindo o que iria acontecer. Depois de alguns minutos uma moça apareceu e meio desconfiada se aproximou. Naquele bar, após poucos minutos de contato, ela se encantou mesmo intrigada com tanto oferecimento.

Você viu aquela outra pessoa com os olhos brilhando de transbordamento - um rio se enchendo - Perfeito estado. E partiu também livre para um novo romance, entendendo que esse abandono foi um ato de generosidade - mesmo que aquela hora, alguém pudesse questionar - Poesia numa hora dessas?!

*Em azul: Tu e Eu, de Luís Fernando Veríssimo

BookCrossing Blogueiro
Conforme havia comunicado no post anterior, estaria viajando na data marcada para a 2ª Edição do BookCrossing Blogueiro. Mesmo assim não deixaria de participar. Aliás você pode libertar um livro a qualquer tempo, o bookcrossers para quem chega agora - clique no link para saber do que se trata - basicamente é uma forma de incentivar pessoas que compram e leem livros demasiadamente, a distribuí-lo sem o apego egoísta que enclausura os livros, ajudando a incentivar a leitura, principalmente entre aqueles que não tem chance de comprar livros com tal disposição.

Mais um dia...
Em breve, mais um ano...
Depois mais um século...
Mais um milênio...
Haja reticências...

O livro escolhido desta vez foi Poesia numa hora dessas?!, de Luís Fernando Veríssimo e os poemas que ilustram a postagem fazem parte desta reunião espetacular de poemas, tiras e desenhos publicados em jornais e revistas todo impresso em papel couché. Como puderam perceber na postagem, deixei o livro em um lugar bastante inusitado e o "Bêbado" que dá suporte ao livro foi bastante inspirador.

Fique atento para participar da 3ª Edição do Bookcrossing Blogueiro que acontecerá no dia 08 de Novembro - marque na agenda ou leve o banner ao lado para não se esquecer. Junte-se a nós nessa empreitada de interação entre os blogues e incentivo à leitura.

Gostaria de montar uma lista de participantes como fiz na 1ª Edição e se você tiver participado nesta edição, me avise para poder montá-la. Sim, mesmo com atraso estou bastante animada - Gostaria de convidar você que não participou a fazê-lo! A leitura abre mentes e este blogue, como bem sabe quem o frequenta adota a tônica de que a mente só funciona depois de aberta, ou seja, "Porque a mente é como um paraquedas, só funciona depois de aberta" (Frank Zappa)

  • Isadora Nardy - O Castelo de Vidro, de Jeannette Walls
  • Luma Rosa - Poesia numa hora dessas?!, de Luís Fernando Veríssimo
  • Bia Jubiart - "Como Educar Crianças Para Pensar Por Conta Própria", Dra. Elisa Medhus e "O Livreiro de Cabul", de Asne Seierstad.
  • Rosélia - O Itinerário da Fé Pascal, de Álvaro Barreiro.
  • Elaine C. Chieppe - As mentiras que os homens contam, de Luís Fernando Veríssimo.
  • Luciano A. Santos - Espinheiro, de de Ross Thomas.
  • Norma Emiliano - A Valsa dos Adeuses, de Milan Kundera.
  • Lu Souza Brito - A Cabana, de William P Young.
  • Giovanna Valfré - O amor nos tempos do cólera de Gabriel Garcia Marquez.
  • Jussara - Clarissa, de Érico Verissimo
  • Denise - Seu Balde Está Cheio?, de Tom Rath e Donald Clifton.
  • Paola - A menina que roubava livros, de Markus Zusak
  • Cristiane Aguiar - Sobre meninos e lobos, de Dennis Lehane


  • Boa semana! Boas leituras!

    #culpazero


    luz

    Aqui desde 26 de Janeiro de 2005

    Tenho uma folha branca e limpa a minha espera: mudo convite.
    Tenho uma cama branca e limpa a minha espera: mudo convite.
    Tenho uma vida branca e limpa a minha espera (Ana Cristina César)

    No mar, no ar ou pisando em terra firme, não importa onde esteja. Importa estar em si. Em cada ser humano há de tudo; a questão é apenas onde a luz incide (Lerski)

    Não há nenhuma árvore que o vento não tenha sacudido. Porque pode ser gritantemente sublime o extremo onde o belo se faz excessivo e obsceno.

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