
Quando muda a estação, a luminosidade que provoca mudanças na natureza, faz as cores se deslocarem e o nosso olhar ficar cada vez mais agudo. Há quem sinta a necessidade de também mudar alguma coisa dentro de si. Pode ser verão, outono, primavera ou inverno - Dentro de nós corre um rio que enche e transborda para depois ir diminuindo até esvaziar - euforia ou tédio, depende de quem interpreta este paralelo com o mundo externo - se lá fora tudo muda e se não há interpretação para o que acontece dentro de nós, deslocamos o olhar para algum canto ou alguma coisa que não sabemos o que é, mas que passa a incomodar.
Somos diferentes, tu e eu.Tens forma e graçae a sabedoria de só saber cresceraté dar pé.Eu não sei onde quero chegare só sirvo para uma coisa- que não sei qual é!És de outra pipae eu de um cripto.Tu,lipaEu,calipto.Nada dura, nem mesmo o azul e quando você se dá conta, o romance acabou! Então, você se põe a arrumar a sala, o escritório e todos os cômodos da casa. Começa em um lugar, passa para o outro sem finalizar tarefa alguma. Tira uma pilha de dentro do armário e troca de lugar. As ideias e novas tarefas urgem e a pilha mais uma vez é posta de lado e na volta para a sala, resolve não mais fazer a mudança e pega a pilha e retorna para o escritório. Bagunçou a casa toda em vão e o escritório parece cheio. Você fecha os olhos na poltrona. Acabou o azul e a urgência de mudanças! Onde estará aquela energia que lhe fez tirar tudo de lugar?
Gostas de um som tempestaderoque lenhamuito heavyPrefiro o barroco italianoe dos alemãeso mais leve.És vidrada no Lobãoeu sou mais albônico.Tu,fão.Eu,fônico.Escureceu e poderia dormir por horas, até que abrisse os olhos novamente e se deparasse com a promoção de tanta bagunça! "Por que fui começar isso, se o dia antes estava tão organizado? Por que procuramos pelos excessos somente para tumultuar nossa mente?"
Na dúvida por onde começar a arrumação, procura por uma caixa e daquela pilha, pega um por um dos volumes e vai colocando no fundo da caixa. Cada volume encerra uma história que ficará inanimada, talvez esquecida.
És suculentae selvagemcomo uma fruta do trópicoEu já sequeie me resigneicomo um socialista utópico.Tu não tens nada de mimeu não tenho nada teu.Tu,piniquim.Eu,ropeu.Na sede de novos romances, traz para casa um novo companheiro que logo será esquecido, adormecido no fundo da caixa. Por que preciso colocar tantos romances em fila, na espera? Por que a necessidade da "reserva"?
Talvez porque pinte carência, a disponibilidade de resgatar um velho romance soe bastante confortável; Não preciso investigar com o olhar sua aparência, nem correr os dedos para estimular meu tato, o meu olfato... Meu velho romance fica apático do meu lado, espreitando silenciosamente para satisfazer minhas vontades. Sem ânimo para aquele romance que foi destrinchado, sugado e lambido até ficar árido, tento resgatar alguma emoção e quem sabe levo-o para um passeio - um drinque que me satisfaça o paladar.
Gostas daquelas festasque começam mal e terminam pior.Gosto de graves rituaisem que sou pertinentee, ao mesmo tempo, o prior.Tu és um corpo e eu um vulto,és uma miss, eu um místico.Tu,multo.Eu,carístico.Algum sentido em mim não ficou satisfeito, por que ainda estou presa a este romance? Que me vale ter algo bom do meu lado que já não me satisfaz mais?
Ainda no bar, levo meu romance para dançar. Exibo para toda a gente e vejo a admiração que se estampa noutros olhares. Cheguei a conclusão que necessito libertar o meu romance secreto, apresentá-lo para outras pessoas e intuitivamente satisfazer todos os meus sentidos - Vieram falar dele para mim e a minha audição sentiu cosquinhas de prazer, ao ponto de a certa altura chegar a sentir ciúmes.
És colorida,um pouco aérea,e só pensas em ti.Sou meio cinzento,algo rasteiro,e só penso em Pi.Somos cada um de um panouma sã e o outro insano.Tu,cano.Eu,clidiano.Já é tarde e não posso voltar atrás! Como explicar com exatidão sentimentos tão contraditórios? Não sabia mais o que sentia. O que esperava de um romance que estava morto dentro de uma caixa? Se posso mantê-lo dentro da caixa é porque não me faz falta e porque vou tumultuar meus dias com romances obsoletos?
Dizes na carao que te vem a cabeçacom coragem e ânimo.Hesito entre duas palavras,escolho uma terceirae no fim digo o sinônimo.Tu não temes o enganoenquanto eu cismo.Tu,tano.Eu,femismo.Mas é certo que não irei jogar no lixo tal romance que já me proporcionou tanto prazer. A agenda já existe dentro de mim, mas a alegria da descoberta passou e agora posso deixar que uma lágrima corra, desafogando meu rio.
Libertei esse romance para o azul dos dias, para que possa proporcionar prazer, desprazer ou seja lá o que for para quem o quiser. Que provoque, modifique, retire ou coloque sentimentos em mais alguém. Meu rio secou para ele!
- Não seja estúpida, chegou a chorar ao libertar seu romance e ficou lá, assistindo o que iria acontecer. Depois de alguns minutos uma moça apareceu e meio desconfiada se aproximou. Naquele bar, após poucos minutos de contato, ela se encantou mesmo intrigada com tanto oferecimento.
Você viu aquela outra pessoa com os olhos brilhando de transbordamento - um rio se enchendo - Perfeito estado. E partiu também livre para um novo romance, entendendo que esse abandono foi um ato de generosidade - mesmo que aquela hora, alguém pudesse questionar -
Poesia numa hora dessas?! *Em azul: Tu e Eu, de Luís Fernando Veríssimo
Conforme havia comunicado no
post anterior, estaria viajando na data marcada para a 2ª Edição do BookCrossing Blogueiro. Mesmo assim não deixaria de participar. Aliás você pode libertar um livro a qualquer tempo, o bookcrossers para quem chega agora - clique no
link para saber do que se trata - basicamente é uma forma de incentivar pessoas que compram e leem livros demasiadamente, a distribuí-lo sem o apego egoísta que enclausura os livros, ajudando a incentivar a leitura, principalmente entre aqueles que não tem chance de comprar livros com tal disposição.
Mais um dia...Em breve, mais um ano...Depois mais um século...Mais um milênio...Haja reticências...O livro escolhido desta vez foi
Poesia numa hora dessas?!, de Luís Fernando Veríssimo e os poemas que ilustram a postagem fazem parte desta reunião espetacular de poemas, tiras e desenhos publicados em jornais e revistas todo impresso em papel
couché. Como puderam perceber na postagem, deixei o livro em um lugar bastante inusitado e o "Bêbado" que dá suporte ao livro foi bastante inspirador.

Fique atento para participar da
3ª Edição do Bookcrossing Blogueiro que acontecerá no dia 08 de Novembro - marque na agenda ou leve o banner ao lado para não se esquecer. Junte-se a nós nessa empreitada de interação entre os blogues e incentivo à leitura.
Gostaria de montar uma lista de participantes como fiz na
1ª Edição e se você tiver participado nesta edição, me avise para poder montá-la. Sim, mesmo com atraso estou bastante animada - Gostaria de convidar você que não participou a fazê-lo! A leitura abre mentes e este blogue, como bem sabe quem o frequenta adota a tônica de que a mente só funciona depois de aberta, ou seja,
"Porque a mente é como um paraquedas, só funciona depois de aberta" (Frank Zappa)
Isadora Nardy - O Castelo de Vidro, de Jeannette WallsLuma Rosa - Poesia numa hora dessas?!, de Luís Fernando VeríssimoBia Jubiart - "Como Educar Crianças Para Pensar Por Conta Própria", Dra. Elisa Medhus e "O Livreiro de Cabul", de Asne Seierstad.Rosélia - O Itinerário da Fé Pascal, de Álvaro Barreiro.Elaine C. Chieppe - As mentiras que os homens contam, de Luís Fernando Veríssimo.Luciano A. Santos - Espinheiro, de de Ross Thomas.Norma Emiliano - A Valsa dos Adeuses, de Milan Kundera. Lu Souza Brito - A Cabana, de William P Young.Giovanna Valfré - O amor nos tempos do cólera de Gabriel Garcia Marquez.Jussara - Clarissa, de Érico VerissimoDenise - Seu Balde Está Cheio?, de Tom Rath e Donald Clifton.Paola - A menina que roubava livros, de Markus ZusakCristiane Aguiar - Sobre meninos e lobos, de Dennis LehaneBoa semana! Boas leituras!