Noite fria

Em determinado momento do conto "Der Mauerspringer" (Os Saltadores do muro, 1982), de Peter Schneider, o protagonista se dá conta de uma singular mudança de paradigma: - nos mapas de Berlim Ocidental, o Muro é assinalado por um tênue traço rosa que divide a cidade e, nos mapas da parte oriental, o mundo termina em uma faixa negra além da qual só existe o nada.

"Moro em uma cidade siamesa", diz ele, que passa os dias em busca da própria identidade no confronto com histórias do cotidiano em dois Estados jovens, nascidos depois da segunda guerra, mas ideologicamente opostos.


Vídeo “Bridge the Divide” em comemoração ao 20º aniversário do Muro de Berlim, mostrando o trabalho de Above

Flores, lágrimas, risos e champanhe. Novembro de 1989. As imagens do Muro de Berlim apinhado de gente tomando porres, cantando, chorando de alegria e em cenas raras na Alemanha, de beijos e abraços entre pessoas que nunca se viram fazem parte da galeria dos momentos gloriosos do século XX.

Desespero, coragem extrema, perseguição e morte. Desde que a estranha construção de placas de concreto e arame farpado foi erguida por unidades armadas da República Democrática Alemã, na noite de 13 de Agosto de 1961, alemães orientais jamais desistiram de cruzá-la e muitos chegaram do outro lado, através de túneis subterrâneos pacientemente cavados, nadando pelos tubos de esgotos, em estranhos aparelhos voadores ou simplesmente pulando o muro - Para reencontrar a família dividida, amigos, a liberdade. Mais de 200 perderam a vida.

muro de berlim

165,7 quilômetros de concreto e arame farpado. 300 torres de observação com guardas armados dia e noite. Na parte interna do muro "Faixa da Morte", salpicada de minas e mecanismos que, ao menor toque, detonavam poderosos feixes de luz. Também no pé da parte interna do muro, pregos de aço de 12 centímetros literalmente prendiam os corpos em queda. Por entre as cercas elétricas dos canais subterrâneos, só o que passava era o cocô das duas partes da cidade.

O Muro da Vergonha. Para os berlinenses, é Die Mauer, uma entidade misteriosa e ameaçadora, parecida com o castelo de Kafka com 30.000 soldados orientais para manter vigilância constante. Para os comunistas, este "muro de proteção antifascista", se destinava a impedir o brain drain de técnicos que debandavam para o lado ocidental em busca de melhores salários.

A condição de cidade dividida ao longo de décadas, fez de Berlim um lugar particular, em que o ódio e ressentimento cresciam na mesma proporção que a indiferença e do desinteresse. Auseinanderleben é um verbo de difícil tradução: "viver cada um para um lado oposto". O que ocorreu com alemães ocidentais e orientais, marcados durante quarenta anos por ideologias, possibilidades e sonhos opostos.

Foi História em rítmo acelerado o que aconteceu naquela noite fria de 9 para 10 de Novembro, coroando um movimento de revolução pacífica na Alemanha Oriental - à qual o ocidente assistiu incrédulo - e esboroando o regime da Alemanha Comunista. A população saiu da sombra; o regime do líder Erich Honecker tombou empurrado pela pressão crescente da oposição, levando de arrastão o muro. O movimento popular começara em Agosto, com centenas de alemães orientais refugiados em Berlim Oriental, Budapeste e Praga.

"Nós somos o povo. Nós somos o povo". Tímido no início e cada vez mais forte, o refrão se repetia toda segunda-feira em Leipzig, depois na missa de São Nicolau, ecoando pelas principais cidades do leste.

Em 7 de Outubro, 40º aniversário da RDA, o líder soviético Mikhail Gorbatchov, profere a célebre advertência: "Quem chega atrasado é punido pela História" - no caso, o regime alemão oriental, que ainda fechava os olhos diante da fuga em massa de seus cidadãos através de países vizinhos.

A panela de pressão estourou! Egon Krenz, sucessor de Honecker, telefonou para Gorbatchov e este recomendou que a fronteira entre as Alemanhas devia ser aberta como válvula de escape, prevenindo uma rebelião que poderia pôr fim ao controle comunista.

O muro foi erguido por determinação de um líder soviético, Kruchov, e derrubado por ordem de outro. Sua queda espantosamente súbita marcou o fim da divisão do mundo em duas doutrinas, a comunista e a capitalista.

Na noite de 9 de Novembro, o porta-voz Günther Schabowski, membro do Politburo, lê um comunicado vago dizendo que os alemães orientais podem solicitar viagens particulares. Assombrados, nem todos os guardas de fronteira conseguem interpretar o enigmático comunicado. Nem precisam, já não dá para conter.

muro de berlim
Veja imagens históricas da queda do Muro de Berlim

Às 21h30m um jovem casal chegou à passagem da Bornholmer Strasse, apresentou o documento de identidade e atravessou para Berlim Ocidental. Em poucas horas, as massas forçam a travessia nos pontos de passagem, realizam o sonho de cruzar o muro sem perigo de levar um tiro, e são recebidos com euforia, fogos de artifício e batucada, e, melhor entre os presentes, 100 marcos, o cobiçado dinheiro alemão ocidental.

Em 1999, sentindo o preço da unificação dolorosamente em seus bolsos, os alemães ocidentais, desinteressados do destino de seus primos do leste, seguem suas vidas. Do "outro lado", independentemente da idade é preciso começar dramaticamente do zero. No lugar das "Paisagens Florescentes" imaginadas por Helmut Kohl, existia desemprego, desilusão e uma disparidade salarial ainda grande, comparada com o Oeste.

A divisão de Berlim foi, durante quase 30 anos, um marco de desesperança e se prestou a uma guerra de propaganda sórdida em que, entre mortos e feridos, ninguém se salvou, psicologicamente.

Os "restos" do muro ainda estão nas cabeças. São grandes os desafios para evitar que se concretize o vaticínio do final de "Der Mauerspringer": "Estes muros ainda estarão de pé quando não houver mais ninguém para passar por eles".

Em tempo: para participar da comemoração da queda do Muro de Berlim, você pode deixar mensagens, via twitter acrescida da hashtag #fotw sobre o evento, que aparecerão no muro virtual Berlin Twitter Wall, em diversas línguas. Mesmo que você não queira postar no twitter, super legal ler as mensagens, principalmente das pessoas que passaram por essa parte da História. Ah, a China bloqueou o acesso. Lógico!


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E naquela vibrante madrugada de quinta para sexta, do 9 para o 10 de Novembro de 1989, provou-se que nem tudo dura para sempre.

Leia algumas opiniões:
  • "Mas quando todas a fronteiras possíveis caíram, de repente ficamos com medo e constatamos que somos uma sociedade de mentalidade estreita, que não quer impulsos de fora"
  • ...a queda do Muro "levou uma multidão em direção à merda nacional": "O orgulho nacional reavivado e o desejo de ser alemão são cada vez mais consenso nacional"
  • "[Na Moldávia], de fato, tudo está como antes, não temos uma democracia de verdade"
  • "Antes era tudo proibido. Agora as pessoas pensam que democracia significa 'nós podemos fazer tudo', podemos até matar alguém. É uma interpretação muito estranha de democracia. E é assim, não só no meu país, como em diversas ex-nações soviéticas"
    Opiniões de Jovens dramaturgos do Instituto Goethe de Londres, que apresentam festival com peças da Polônia, Reino Unido, Dinamarca, Suécia, Sérvia e Romênia, em busca da expressão artística para a queda do Muro e suas consequências. [leia matéria]
Muitos alemães dizem que o muro ainda é perceptível e outros, vão mais além, querendo-o de volta. O que você acha disso?

O enigma da maldade

Influência demoníaca, destino genético, má formação social, ausência de caráter, prazer, instinto adquirido, revolta ou livre arbítrio. Como definir a origem do mal?
maldade

Os Cinco Sentidos

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«Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?»

(David Mourão-Ferreira)

Quais os pares e qual a asa?

Day After Halloween

halloweenTudo bem, crianças! Sei que a festa do "Halloween" é americana e blá, blá, blá... e, o que é que tem? Vivemos em um mundo globalizado e todo esse #mimimi por causa do Saciday, oras! Só porque eles sabem 'vender' a festa deles melhor que nós? Mas estamos aprendendo e se conseguirmos criar vínculos afetivos com o #saciday, teremos progressos. Enfim, curto todas as festas e datas comemorativas. Sim, faço tudo motivo para comemorar, brindar e ser feliz!

Cabe aos pais, repassarem aos filhos as lendas, tradições e Histórias da família - além da criança se sentir inserida dentro de uma comunidade, a reflexão de que a história tradicional aponta para a existência de civilizações antigas e que o tempo histórico nem sempre acompanha o tempo cronológico, justo porque muitas das histórias repassadas dentro da família e entre famílias não são datadas, são lembranças de 'antigamente', que frequentemente imobiliza-se, ou dá saltos, ou recua e que depende dos elementos culturais, particulares de cada clã para a sua existência.

Por exemplo, a nossa mãe tem mania de relembrar coisas que aconteceram à séculos, como se tivessem acontecido ontem. Ah, essa mania de nos tratar como criança! A mesma coisa deveria acontecer com as tradições - não deixar que elas morram somente pelo fato de que: "Poxa, todo ano a mesma coisa?"

- Ah, a alegria de fazer parte de um contexto! E, - sabem como são as crianças... a repetição lhes trazem 'segurança' - Então, se o seu filho, irmão ou qualquer criança, pedir para que conte aquela história, pela enézima vez, conte! Conte como se fosse a primeira vez, pois estará contribuindo para a formação de um cidadão íntegro, com raízes e valores.

A fotinha acima, do Max com a cabeça de abóbora é de outros hallow's e aproveitando para dar notícias sobre ele: Já voltou pra casa! Resistiu às hemorragias internas e agora, assim que melhorar suas funções digestivas e estiver apto, passará por uma cirúrgia para remoção de um câncer, descoberto somente agora, por conta dos exames realizados, para detectar os danos causados pelo acidente. Não quero pensar em tristezas e estou curtinho meu cão, que anda latindo igual um cão 'boiola' boiola

Retornando ao assunto lendas brasileiras e particularmente, o #saciday - quando digo que o tempo histórico não acompanha o cronológico, penso em algo mais universal e assim contamos as histórias, independente de datas, apenas para conhecimento e assimilação da tradição. Vou dar um exemplo de como as datas pouco importam e devem ser tratadas, apenas como um lembrete, para os mais esquecidos: O "Dia de Todos os Santos", historicamente conhecido dentro da igreja cristão como Festum omnium sanctorum ou "Hallomas", que se comemora atualmente em 1º de Novembro, era originariamente comemorado em Maio. Porém, os líderes religiosos acharam por bem, transferir a data - simplesmente para competir com a festa pagã All Hallow's Eve (Halloween) - Então, meus amores, não vou entrar na neura de que, devemos isso ou aquilo! Devemos tudo, ok? A vida é um éter.

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As bonitas enfeitaram as escadas do deck.

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Até o dia 03, acontece a blogagem coletiva "Eu apoio a educação financeira infantil", veja selinho na sidebar.

Olha, vejo muitos pais deixando os filhos crescerem como se fossem plantas. Se 'preocupam' com a educação, simplesmente matriculando-os em uma boa escola, responsabilizando a mesma por tudo, até mesmo pela higiene pessoal. Eu vi! professores ensinando crianças a lavarem as mãos corretamente, por conta da Gripe A, coisa que as crianças, já deveriam vir de casa sabendo. Mas, sabe como é, tem adulto aí que não sabe lavar as próprias mãos, vai ensinar criança?

Enfim, a família é responsável pela formação do caráter e dar a responsabilidade para a escola, no que tange a ir além de sua proposta, é ser omisso. Lógico, cobrar 'exemplos' é mais fácil do que ser 'exemplo'. E as escolas, na figura do professor, a muito tapam o buraco deixado por mães e pais - vejam só, essa blogagem é providencial, no sentido das pessoas refletirem, até mesmo, a que ponto elas próprias usam do dinheiro para uma aparente estabilidade financeira e em função do consumo, não imaginam que amanhã, por algum motivo, esse 'rico' dinheirinho, gasto impensadamente, possa fazer falta.

A educacão financeira não foge do conceito de que o dinheiro possa comprar qualquer coisa, já que muitos pais 'calam' seus filhos com presentes - "Come direitinho que você vai ganhar um presente" ou "se comporte", ou "não chore", ou pior... "não me enche o saco, toma aí o dinheiro"! É, porque para ter sossego, dar esse cala a boca nos filhos, alguns pais entopem seus filhos de besteiras, não investindo no diálogo. Talvez no futuro, esses filhos tentem comprar amor e não achando a 'loja' entram no círculo vicioso das efemeridades: o consumo compulsivo, até mesmo das drogas.

Saber 'liberar a verba' passa pela consideração do mau uso do dinheiro ou se a facilidade em dispor dele, a criança supervalorizará o dinheiro, se comportando para ganhar os 'méritos' ou tornarem-se mesquinhas, egoístas ou vivendo em função de.

Cada família tem a sua orientação com relação a como aplicar seus rendimentos e como ensinar as crianças a lidar com a moeda. Enquanto que, algumas famílias estão nem aí, outras já investem na previdência social para os filhos, o que garante à eles uma renda fixa no futuro. Sabem como é, vivemos dias de insegurança acerca do futuro, "Porque o Brasil está cada vez mais velho" (leia texto Frei Betto)!

clipmarksclipped from content2.clipmarks.com - indicação de leitura "luz de luma, yes party! - ERA UMA VEZ UMA MENINA MUITO MANDONA…
a pequena ditadora
Novo livro infantil do jornalista Luciano Trigo, A PEQUENA DITADORA é dedicado aos pais e professores que andar desesperados para dar limites aos pequenos. Numa linguagem simples e divertida e com ilustrações de Alê Abreu, o livro conta a história de uma menina que quer mandar em tudo e em todos. A PEQUENA DITADORA é mais um lançamento da Galerinha Record.

A PEQUENA DITADORA 
Luciano Trigo
Ilustrações de Alê Abreu
Galerinha Record, 16pgs. R$32


Sabe a história do dono da bola? Valentina é assim. Mandona que só ela, a menina é uma verdadeira ditadora! Para escrever esta nova história, Luciano Trigo, o autor, buscou inspiração em sua filha, e dedica a obra aos pais e professores que andam desesperados por impor limites aos pequenos. Em A PEQUENA DITADORA, o elogiado autor de O viajante imóvel mergulha mais uma vez no universo infantil e presenteia os leitores com uma história divertida e contemporânea, com belas ilustrações de Alê Abreu. Fonte: blogue do autor
Fica a dica acima para a leitura dos infantos e sobre educação financeira indico o texto de Flávia Furlan Nunes "Estratégias para educar financeiramente os filhos" - Levando em consideração que a educação econômica infantil passa pela nossa própria educação econômica, como anda a sua?

Chegou o grande dia!


Você é estudante, professor, programador, analista, desenvolvedor ou gerente de projeto, executivo de TI, blogueiro, jornalista de tecnologia ou uma pessoa curiosa, com vontade de aprender? Ao clicar na imagem, será transportado para um guia que explica com bastante praticidade, como funciona um projeto para a Web.

O objetivo deste projeto é de apenas transferir, compartilhar conhecimento e contribuir para que a Web 2.0, que já se tornou corriqueira em sua vida, torne-se também, mais compreensível.

Neste guia você encontrará uma compilação de ações e reflexões, explicando até mesmo o porque do desenvolvimento deste projeto, sua elaboração e implementação, em uma linguagem clara e didática.

Quem escreve o guia é Paulo Siqueira, pai de nosso amigo blogueiro Gabriel Dread, que em seu blogue, conta o sufoco que é ser filho de um aventureiro da tecnologia, que se joga no mundo atrás de conhecimento.

O autor tem 53 anos, é professor universitário e trabalha no Paquistão, como Gerente de TI pela INICEf, com mestrado em Engenharia de Software pelo IPT, também trabalhou para Seven Networks International, UN-ICTY, Banco Mundial, IFES-USAID, UNDP-PAPP, UNV-PNUD, ICS-UNIDO, Banespa-Santander, em diferentes lugares do mundo e agora, de graça para você. Tá esperando o quê?

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As ilustras que acompanham o e-book, são do artista plástico Orlando Pedroso, colaborador da Folha de São Paulo, revistas da imprensa e livros infanto-juvenis. O prefácio, escrito por Gilson Schwartz, é do economista, sociólogo e jornalista, professor de economia no Curso Superior do Audiovisual e coordenador do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento da Universidade de São Paulo.

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