Amigos...


amigas
As 'meninas' no almoço de Sábado: Olga, @Lalinne e Mia

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,

Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...

Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.

Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:

Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein em "O milagre da vida"

O tema do encontro semanal do "Vida Simples" organizado pelo Mila's Ville desta semana é "Amigos" e diferentemente de Montaigne que se encerrou na torre de um castelo ao perder seu melhor amigo e dali criou para si vários amigos invisíveis e íntimos que compartilhavam da sua alma turbulenta - para concluir, quatro séculos antes da invenção da psicanálise; que precisamos antes de tudo, desnudar a nós mesmo para compreendermos a humanidade - Nós, com o caminhar da humanidade, não precisamos do hedonismo ou muito nos tornar eremitas para crer no valor das amizades. Os tempos são outros, o campo das ideias se desenvolveram, porém os sentimentos mais rudimentares perduram até mesmo entre os animais. A amizade é um desses sentimentos e, há quem diga que prefira a amizade de um cão, do que a amizade de um humano. Isto, não denota apenas incapacidade de escolher bem os amigos? Sei, sei! Também tenho um cão e amo ele, mas... cada ser ocupa o seu lugar, ã?

Mas até que ponto uma pessoa se entrega a uma amizade?

Vou copiar um trecho do que diz Montaigne sobre sua amizade por Etienne de La Boétie, onde faz comparações e/ou diferencia a amizade do amor. Você ao final poderá me responder a pergunta acima, dizendo qual o seu limite de entrega a uma amizade. Pois sim?

“Se compararmos a afeição com as mulheres à nossa amizade, não poderemos, embora nasça de nossa escolha, colocá-la no mesmo rol: seu ardor, confesso-o, é mais ativo, mais abrasador, mais áspero; mas vem de uma chama temerária e volúvel, ondulante e vária; é um ardor de febre, sujeito a acessos e a quedas, e, e que nos prende apenas por um lado. Na amizade, o calor é generalizado, temperado, aliás, e igual; um calor constante tranqüilo, feito de doçura e polidez, que nada tem de áspero nem de pungente.

Mais ainda: o amor não passa de um desejo impetuoso por algo que nos foge....Em verdade aquilo que nós damos comumente o nome de amizade não passa de conhecimento ou de familiaridade, estabelecido ao acaso ou por interesse, e através do qual nossas almas se comunicam.

Na amizade a que me refiro, mesclam-se as almas, e se confundem em tão completa união, que se apaga e não mais se descobre a costura que as prende. Se insistirem em perguntar-me por que eu o queria, sinto que não o poderia exprimir, senão respondendo: "Porque ele era ele e eu era eu"

(...)

...Nós nos procurávamos antes mesmo de nos termos visto, através de referencias ouvidas um do outro e que tinham sobre nossa afeição maior força do que as relações; creio que por disposição especial do Céu.

Abraçávamo-nos pelos nossos nomes e, no nosso primeiro encontro, que ocorreu por acaso durante uma grande festa na cidade, achamo-nos tão próximos, tão íntimos, tão ligados um ao outro, que nada nos pareceu, desse então, mais unido do que nós...

Desde o dia em que o perdi arrasto-me desalentado; e os próprios prazeres que se me oferecem, em vez de consolar-me, aumentam a amargura de sua perda.

Tudo dividíamos pela metade e hoje tenho a impressão de que lhe roubo a sua parte.

Já me achava tão acostumado e afeito a ser o segundo em tudo, que me parece ser agora apenas uma metade..."

Este “pobre animal” chamado homem, que vive alienado em um universo caótico, onde o que lhe resta é tentar compreender uns aos outros - o sentimento humanitário, amor fraternal, onde alegrias e tristezas são partilhadas e almas se compreendem - vem para acalentar e amenizar o cotidiano.

Mas até que ponto uma pessoa se entrega a uma amizade?

E o cinema se desen(cantou) e falou.

"Meu chapa, se você tem que perguntar, então nunca vai saber".
Louis Armstrong, quando lhe pediram para definir o jazz - Porque jazz não se defini, senti!

O jazz, que nascera mais ou menos junto com o século passado, chegou à segunda geração dando um salto qualitativo como poucos haveria dali em diante. O responsável pela inovação foi o trompetista e cantor Louis Armstrong, nascido em Nova Orleans, berço do gênero, em 1900, apelidado "Satchmo" em referência à sua "satchel mouth", literalmente "boca de sacola", pelo tamanho dela.

Nos tempos de menino prodígio, Armstrong desenvolvera a autoconfiança que o levou, quando tornou-se líder de sua própria banda - os Hot Five - em 1925, a inaugurar a era das longas e melodiosas improvisações e do canto puramente rítmico e sem sentido - duas marcas amplamente imitadas e que acabaram por se confundir com a própria essência do jazz. Mas tarde, aperfeiçoado por Ella Fitzgerald, esse canto improvisado e sem palavras ficaria conhecido como "scat".

Nas décadas de 20 e 30, o Harlem também era palco da inusitada mistura de artistas extra-classe e bandidos de elite. O Cotton Club sintetizava esse estranho amálgama: no palco, a nata da música e da dança, como Duke Ellington, o próprio Louis Armstrong, Lena Horne (que morreu no último dia 10 de maio) e o sapateador Bill Robinson. Todos negros. Na platéia, alguns dos mais violentos mafiosos americanos, como Lucky Luciano e Dutch Schultz, e astros consagrados de Hollywood, como Charles Chaplin e Gloria Swanson. Só brancos.

Você que assistiu o filme Cotton Club, pode sentir a atmosfera da época. Em plena era do jazz, o Cotton Club de Nova York se transformou na meca do gênero, justo porque foi ali que Duke Ellington e sua banda, tiveram a sua estréia. A casa, no Harlem, era frequentada, como disse acima, exclusivamente por brancos de alto poder aquisitivo e oferecia finas iguarias, mas foi a música que a fez ficar para a História.

Edward Kennedy Ellington nasceu em Washington em 1899, em uma família negra de classe média. Primogênito mimado, desde criança orgulhava-se de falar e vestir-se bem. Não demorou a receber o apelido de Duke (Duque). Estudava piano desde os 7 anos e, aos 17, começou a tocar ragtime num café. Sua primeira banda, The Washingtonians, experimentou mais baixos do que autos na sua cidade natal e em Nova York. A explosão veio com a missão de substituir King Oliver, um monstro sagrado do jazz, no Cotton Club.

A orquestra de dez integrantes que Duke formou então ficaria no lugar até 1932, exibindo seu naipe de aperfeiçoamentos e invenções: o uso da voz humana como instrumento de sopro e a maior utilização do contrabaixo, entre outros. O Duke compositor teve o seu primeiro sucesso em 1930, com "Mood Indigo" (originalmente "Dreamy blues"). Seguiram-se por mais de trinta anos clássicos como "Solitude", "Sophisticated lady", "In a sentimental mood" [links de vídeo]

Alguns anos antes de morrer, de pneumonia, em 1974, ele se dedicava com fervor à música sacra. Sobre ele, dizia seu amigo e também músico Billy Strayhorn: "Duke toca piano, mas o seu verdadeiro instrumento é a orquestra"

O jazz fez história também no cinema e por causa dele, o cinema se encantou...

“Esperem um pouco! Vocês ainda não ouviram nada!”

Al Jolson

Essa frase, ditas pelo grande astro branco (pintado de preto) Al Jolson no filme “O Cantor de Jazz” [vídeo], que estreiou em 1927, anunciou em alto e bom som, o começo do fim da era do cinema mudo.

As primeiras tentativas de sincronização da imagem com o som datam do final do século passado. Empresas e inventores independentes desenvolveram diversas técnicas, mas os problemas só foram solucionados por completo nos anos 20.

Nessa época, Lee Deforest, técnico dos laboratórios Bell, inventou um sistema baseado em discos fonográficos, no qual os motores do projetor e do sonorizador eram sincronizados por meios mecânicos. Outros inventores conseguiram registrar a trilha sonora na própria película, dispensando os discos e o maquinário adicional, mas isso sacrificava a qualidade do som.

A Warner Brothers – na época um jovem e ousado estúdio de Hollywood – apostou no sistema de discos, prontamente batizado de “Vitaphone”. Este foi usado pela primeira vez no filme “Dom Juan”, em 1926, para registrar a trilha sonora executada pela filarmônica de Nova York.

A princípio “The Jazz Singer” também teria apenas música e efeitos sonoros gravados, isso se Al Jolson, a estrela do filme, não tivesse pegado o microfone durante a sonorização e dito a célebre frase – “You ain’t heart nothing yet!” – um bordão que costumava usar em seus shows. O incidente acabou convencendo os irmãos Warner a substituir os tradicionais quadros de legendas por diálogos falados. Era uma iniciativa arriscada, mas que poderia salvar os estúdios da falência eminente. Não havia nada a perder. Al dublou 4 cenas, incluindo canções.

O filme conta a história do filho de um cantor de sinagoga que decide deixar a família para tentar a vida como artista da Broadway. Na estréia, ocorrida em 6 de Outubro de 1927, em Nova York, a platéia veio abaixo. O público simplesmente não esperava ouvir vozes, muito menos canções. A Frase dita por al Jolson pegou a todos de surpresa. O filme não só representava a era do cinema mudo, como também dava pistas do início da era dos musicais de Hollywood.

Mesmo com o sucesso de “O cantor de Jazz”, muita gente não acreditava no futuro do cinema falado. Charles Chaplin, por exemplo, dava três anos, para a “mania” dos filmes sonoros passasse e o público voltasse a dar atenção ao que realmente importava.

Carlitos, você estava errado.

Em tempo: Começou o 8º Rio das Ostras Jazz & Blues!

Serão 3 dias do maior festival de Jazz & Blues do país! Confira a programação no site!

Quem estiver por perto, não deixe de prestigiar e mesmo que você ache que o Jazz não seja a música para você escutar, dê uma chance!

Vida Simples


Qual dessas pérolas é a mais valiosa?

Qual dessas notas é a mais importante?

Como disse Vinícius: "Não há amor sozinho. É juntinho que ele fica bom".

Blogando junto com Mila's Ville em "Vida Simples". 
Vem blogar com a gente!

O abstrato do tempo.

O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Trecho do poema "Burnt Norton" de T.S.Eliot em "Quatro quartetos"


Este blogue completou ontem, um mês da perda de sua leitora mais ilustre, mais opinativa, exigente e que decidiu também editar postagens - um mês que minha mãe faleceu e que, como uma criança, penso que ela foi ali e já volta ou que está fazendo uma viagem. Indo mais além, ouço pessoas que me falam que ela está lá com papai do céu ou que virou uma estrelinha - Está lá no alto brilhando, piscando pra mim!

O poema de T.S.Eliot citado acima, faz parte de um conjunto de quatro poemas que foram editados separadamente e escritos entre as duas grandes guerras, para depois se juntarem, formando as "Quatro Quartetos". Cada poema possui uma voz e trata, cada um deles dos elementos água, terra, fogo e ar, unidos por uma quinta-essência - os lugares da memória.

"Burnt Norton" questiona o porque de matutarmos tanto entre o que poderia ter sido e que não foi. Essas duas realidades simultâneas de pensamentos que impera no invisível das ações - Não agimos ao estarmos presos na ciranda do pensamento, nos comportamos como crianças que em uma hora brincam no jardim e em outra hora, se escondem atrás dos arbustos.

Por fim, nada mudaria o que deveria de ser. Não importa os "insights"; o destino não muda, mas gostamos de ter um enredo para o nosso 'controle' ou para preencher o espaço deixado entre o começo e o fim das nossas vidas.

Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstração

Permanecendo possibilidade perpétua

Apenas num mundo de especulação.

O que podia ter sido e o que não foi

Tendem para um só fim, que é sempre presente.

Ecoam passos na memória

Ao longo do corredor que não seguimos

Em direção à porta que nunca abrimos

Para o roseiral.
As minhas palavras ecoam

Assim, no teu espírito.

Mas para quê

Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa

Não sei.

.........................
Vai, vai, vai, disse a ave; o gênero humano

Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro

O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente.

Continuação do poema "Burnt Norton"

Vi por aí!

Vi no Blogue Bicha Fêmea da Lidiane Vasconcelos o sorteio de uma camiseta da ONG - Viva Melhor, que vem a ser um centro de Apoio a mulher mastectomizada. Para concorrer, basta deixar um comentário no post do Bicha Fêmea até o dia 28, constando e-mail e pronto! Você estará ajudando a divulgar esta sociedade civil que tem finalidade assistencial, sem fins lucrativos para reabilitar mulheres mastectomizadas - dando apoio estético, físico e emocional.

Vamos ajudar esta instituição que minimiza sofrimentos, orienta e informa, que integra a mulher mastectomizada à família e à sociedade. Se você mora em Santo André ou São Bernardo do Campo pode se voluntariar! Em Breve, nova unidade em Diadema! Que se espalhe!

Quer ganhar um exemplar do livro "Perseguição Digital" autografado pela autora? Acesse o Blogue da Elaine Gasparetto e veja as regras de participação! Conforme exposto no banner, a inscrição vai até o dia 10/06/2010 e o sorteio será no dia dos namorados!

Hoje é dia de blogagem coletiva em que o assunto é Bullying! Quem promove é a Ana Karla do blogue Misturação! Para quem caiu de paraquedas no mundo adulto e não sabe o que é bullying, participe da blogagem, pelo menos lendo para se inteirar, saber como identificar sintomas nas crianças que praticam ou sofrem com estes ataque e como fazer para ajudá-las.

Infelizmente não tive tempo para escrever um postezito sobre o assunto, mas gostaria de destacar a importância do carinho e atenção dedicados às crianças. A agressividade infantil em geral começa dentro de casa e se quer ver o seu filho sem problemas, até mesmo de aprendizado, ensine a ele o caminho do amor! Quem recebe amor, dá amor! Não damos ao outro aquilo que não temos, o que não é explorado, não é desenvolvido e amadurecido!

Gostaria de indicar a leitura da reportagem apresentada no programa Papo de Mãe/TV Brasil, pela jornalista Mariana Verdelho e que teve como entrevistado Rubem Alves.

Bullying: entrevista com Rubem Alves

Descontraindo...
Também vi no blogue do programa Papo de Mãe, a widget para twitter, desenvolvida pelo Kadazuro!
Lindinha, né?
Vai lá pegar o código e configurar a widget nas cores de sua preferência. Ela só aparece direitinho na sidebar, aqui no post fica essa coisa!

Em breve a Ediouro estará com novo portal e até que saia do forno, oferece como distração para os leitores que já estavam acostumados com o conteúdo, informação e cultura, oferecidos no antigo portal e também para aqueles que agora chegam, o "Concurso Cultural Livros que Mudam Vidas".

Para participar é super simples - Eu diria para os preguiçosos que tudo é a base do clique! (rs*). Entre no site e sinta-se respondendo: "Que livro mudou a sua vida?" - imagens de livros já consagrados pelo grande público serão apresentadas para ajudar na sua escolha e se o livro da sua vida não estiver ali, digite no espaço abaixo, o título do livro que, se não mudou a sua vida, que tenha mudado algum pré conceito. Abaixo, justifique a sua resposta pois ela lhe dará a chance de receber 60 livros + a assinatura da Revista História Viva.

Depois da etapa acima, aparecerá na tela opções de 36 biblicotecas pré-listadas, que você indicará para o recebimento de uma doação de 210 livros. Se a sua biblioteca não estiver ali, digite abaixo o nome da instituição que deverá ser uma biblioteca com atendimento ao público, sem cobrança de entrada. Ao final do concurso, a instituição que receber mais indicações, receberá um bônus de mais 210 livros.

Preencha o cadastro e pronto! A data limite de participação vai até 7/6/2010.

"Um livro pode mudar a sua vida. Mais de mil livros podem mudar a sua e a de muita gente". Participe!

A blogueira Teresa Abreu, está participando de um concurso literário em Paris, chamado "Paris en toutes lettres" (Paris em todas as letras). Gostaria de pedir que votassem em seu texto, neste link. A votação é simples - basta clicar em 'voter' e adicionar seu e-mail para confirmação do voto!

Leia o texto original: Cuatro piernas y un corazón... brisé ou a traduçãoem português: Quatro pernas e um coração... quebrado

Já havíamos dançado antes, você perguntou minha origem, eu respondi às suas breves perguntas enquanto dançávamos. Naquela noite, você me convidou de novo, e lembrou que eu sou brasileira. Conversamos ainda menos do que da primeira vez. Não tínhamos maiores curiosidades sobre o outro. Estávamos ali para dançar. Mas algo aconteceu. O tango foi entrando na veia, os acordes foram dominando. Verdade que aquela foi uma prática fora do habitual, pois havia uma orquestra. Normalmente, dança-se ao som de um CD player de qualidade pra lá de duvidosa. A orquestra nos transportou. E os nossos corpos se aproximaram, nossos pés encontraram seu compasso e nós comungamos a magia do tango argentino.

Para mim, surpresa total. Encantamento. Você não sabe, mas eu sou um espelho: o meu comportamento reflete o meu estado de espírito, para o bem e para o mal. Você percebeu o meu transportamento e também se deixou levar. Tanto que não quis dançar com mais ninguém naquela noite, só comigo. E quando anunciei minha partida, você pediu o número do meu telefone. Combinamos nos encontrar para dançar, e assim foi. Quando nos reencontramos, o fenômeno se reproduziu. Na verdade, você encontrou o jeito de me conduzir, e eu encontrei o jeito de te acompanhar. Eu não te estranhei (mesmo que não te conheça), não achei repugnante nem invasivo o contato estreito dos nossos corpos, colados das bochechas às coxas. Você estava feliz, e eu também. Christian disse que foi bonito nos ver dançando.

Mas então, tal qual num conto de fadas, o encanto foi quebrado, estilhaçado em pedaços. Na ânsia de repetir a magia, eu te passei uma mensagem no celular falando sobre o curso de eletrotango. Talvez esperando a mesma transcendência, você me telefonou dizendo que iria ao curso. Mal sabíamos... Lá não éramos quatro pernas em passos unicórdios. Éramos uma dupla aprendendo uma nova figura. E você não compreendeu de imediato. Quando pedi à assistente do professor que te esclarecesse, o seu sangue ferveu. O meu coração gelou. A partir daí, você era todo críticas. Criticou o professor, acusando-o de ser muito argentino, enquanto você mesmo estava sendo exageradamente francês. Acusou-me de falta de equilíbrio, de eixo, de noção de diálogo corporal (ça alors!!!). Exasperou-se. Imediatamente compreendi que o “nós” tinha chegado ao fim. As doze badaladas soaram e tudo voltou ao seu estado natural, ou seja, nós voltamos a ser duas pessoas estranhas uma à outra. Tudo o que sabemos é o prenome e o número do telefone celular. Com a cabeça regada do champanhe do 31 de dezembro, ainda te mandei uma mensagem de feliz ano novo, que você só respondeu dois dias depois... às três horas da madrugada.

Depois, silêncio. Repetir aquela magia virou uma obsessão, uma necessidade física, como quando a gente come e mais tarde volta a ter fome; ou quando acorda de uma noite bem dormida e no fim do dia tem sono de novo. Para aplacar a falta da “nossa” comunhão, saí todas as noites, percorrendo as milongas de Paris, em busca de outro parceiro que me levasse àquele êxtase. Em vão.

Des jours heureux!!

...em quietude, sem solidão

Leia o luz no seu celular
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Algumas coisas não têm preço

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