Em avant tout

No centro, a noiva e o noivo. Do lado esquerdo, irmã da noiva com irmão do noivo. Do lado direito irmão do noivo e namorada. A mãe do noivo é essa de óculos e blusa listrada - Ela é viúva. Os pais da noiva não foram no casamento, não me pergunte porque! A moça toda de preto é juíza de direito e o padre é aquele sorridente de gravata vermelha. Tinha de ser!



Olha a chuva!



A "Fête de la Saint-Jean" (Festa de São João) é comemorada no dia 24 de Junho, no Brasil e na França e tem a Fogueira de São João como grande símbolo; Conta a lenda católica que Maria e sua prima Isabel, combinaram que quando nascesse João Batista, Isabel acenderia uma grande fogueira e Maria avistando ao longe, iria ao seu auxílio. Existe uma ligação entre esta fogueira e as fogueiras da páscoa e do Natal, mas não vou falar disso agora.

As comemorações deste casamento foram diferente de todas as outras comemorações que eu já tinha participado. Fugindo da tradicional valsa, os noivos por casarem no mês de Junho, decidiram por celebrarem no campo, montaram um grande arraiá e, dançamos todíssimos o balancê, não somente o casal. Formamos a grande roda, fizemos o caminho da roça...foi bom voltar no tempo!

clipped from www.fundaj.gov.br
Anavantur (em avant tout) - anarriê (em derrière) - balancê (balancer) - travessê de cavalheiros (travesser)) - travessê de damas - travessê geral - granmuliné - otrefoá (autrefois) - grande roda - damas ao centro - damas à direta e cavalheiros à esquerda e vice-versa - preparar para a cesta - olha a cesta - desmanchar - grande roda à esquerda - passeio na roça - avanço de damas e cavalheiros - preparar para a chuva - é mentira - olha a chuva - choveu - passou - seus lugares. Balancê - moinho - lacinho do amor à direita e à esquerda - seus lugares - balancê - preparar um pequeno galope - balancê - anavantur - preparar o grande túnel - começar - anarriê - seus lugares. Balancê - preparar para o grande galope - começar - desmanchar - balancê - passeio a dois - retournê - seus lugares. Anavantur - anarriê - passeio na roça pelo meio - damas para um lado - anavantur - preparar para o serrote - passeio na roça com roda - passeio do amor à esquerda - retournê - seus lugares. Preparar para o desfile - primeiro as damas - agora os cavalheiros - seus lugares - preparar para o galope - começar - seus lugares. Changê de damas - changê de cavalheiros - anavantur - anarriê - balancê - grande roda - preparar para o granchê - começar - retournê, grande roda à direita e à esquerda - preparar para o túnel - começar - grande roda - balancê na grande roda - preparar para o caracol - começar - retirê - c`est fini.
É mentira! A Ponte quebrou
E deu tudo com burros n'água!!




Curiosidade: Sabe-se que foi a partir das sílabas iniciais dos versos da primeira estrofe do hino litúrgico em honra de São João Baptista que se formaram os nomes das notas musicais. Veja-se como:

‘’Ut’’ queant laxis ~ (O ut foi depois substituído por )
Ressonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum,
Solve polluti
Labii reatum,
‘’S’’ancte ‘’J’’ohannes. O si é constituído pelas letras iniciais latinas de Sancte Johanes (São João: o j lia-se como i) [leia +]

- Você se lembra dos ensaios da quadrille, do pátio da escola, da escolha chata dos pares, da ansiedade do dia? Tenho muitas lembranças, principalmente das brincadeiras: pau-de-sebo, das corridas com a colher, do saci, de funis, de saco, de três pés, catar amendoim, acertar o alvo, jogo de argolas, pescaria, tiro ao alvo, toca do coelho...será que estamos deixando as tradições morrerem?

Olha pro céu,sao joao
meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
como no céu vai sumindo
Foi numa noite,
igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava,
assim em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xóte,
baião no salão
E no terreiro
O teu olhar,
que incendiou
Meu coração.
(Luíz Gonzaga - Olha pro céu)

Olha a chuva! É mentira, A Ponte quebrou, Nova ponte, Caminho da roça...simbora comemorar o São João!!

Beijus,

Laranja



(...)
Mas uma senhora é uma senhora.

Só vê a malícia quem a tem.

Uma senhora passa

E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!

*

O pó de arroz:

Horrível!

O bâton:

Igual!


O amor de Raul é já uma saudade,

Foi sempre uma saudade...

(O escritório

Toma-lhe o tempo todo?

Desconfio que não...)

(...)

Chorar...

Como eu queria poder chorar!

Chorar encostada a uma saudade

Bem maior do que eu,

Que não fosse esta tristeza

Absurda de cada dia:

Unha

Quebrada de melancolia...

(...)

Meditação na Pastelaria, extraído de Alexandre O'Neill, Poesias Completas, Assírio & Alvim

As circunstâncias são tudo e a melhor é aquela em que encontramos as melhores soluções para as circunstâncias.

E eu aqui estou muito bem recomendada!!

Beijus,

Extravassa!!


Cante! Dance!! Solte os demônios!!

Ontem tentei me imaginar ficar, pelo menos uma hora, sem escutar uma música, mas não consegui. Minha vida tem fundo musical. Agora estou ouvindo Joseph Arthur, na sequência TeLeo e Debbie Harry. Isso é o que está na programação, mas posso mudar se me sentir enjoada [2]

Eu ouço música normalzinha, clássica, moderna, comercial (?) respeito o gosto musical das pessoas e também reservo o meu ouvido para retirar algumas músicas do baú. A minha coleção dos Beatles é reposta constantemente, Pink Floyd, David Bowie, Nick Drake...música brasileira, então! Quem acompanha esse blogue sabe que a minha mãe participou do swing bossa nova e que na casa dela, a MPB assume desde sempre o pedestal. Vê, a nossa música pode ser rica, bonita, tocar o coração, falar das coisas da vida e ser acompanhada de uma belíssima voz:

Clique para ouvir a faixa completa

Fico triste por aqueles que acham a música algo superfluo. Sim, parece impossível mas existem pessoas que pensam assim. Vamos cair no campos das possibilidades?

E seguindo a blogagem "Minha Música, Meu Momento" - uma música especial, na voz de uma pessoa especial.

Desejo



Queria você profundamente aberta
Num beijapaixonado sem memória e futuro
Queria
prazer desintegrado no infinitamor de nossos corpos desconhecidos

Queria um rio negro
como branco
contando a Vytoria
De uma tragycomedia morta
Queria o maramoroso
De tua pele viva
E a poesia da madrugada
(Desejo - Glauber Rocha)

glauber rochaQuando o baiano Glauber Rocha chegou ao Rio de Janeiro, trazia consigo, além de um modesto currículo como jornalista policial e cineasta provinciano "uma idéia na cabeça e uma câmera na mão".

Com essa escassa munição, conquistou toda uma geração de jovens intelectuais engajados já na estréia de seu primeiro projeto na cidade "Deus e o diabo na terra do sol", deixando extasiada a platéia que superlotou o cinema Ópera, na praia de Botafogo, em 10 de Julho de 1964.

Dois meses antes, estava no Festival de Cannes, juntamente com Nélson Pereira dos Santos, diretor de "Vidas Secas", defendendo a estética da fome em que se baseava o recém-criado Cinema Novo. Como "Pagador de Promessas" (e-book), não havia a menor possibilidade de Glauber Rocha trazer para o Brasil uma nova Palma de Ouro, mas lá seu filme ganhou dimensão internacional e foi alçado à condição de uma das obras-primas da cinematografia mundial, opinião compartilhada pelo espanhol Luís Buñuel e o alemão Fritz Lang.

Parte das virtudes de "Deus e o Diabo" se deve à própria "impossibilidade de fazer um grande western", explicou ele. Antes de mais nada, Glauber sabia que o seu filme tinha um orçamento brasileiro, que o obrigou a aceitar, por exemplo, a queda de Rosa (Yoná Magalhães) na simbólica sequência final, pois precisava devolver naquele dia o helicóptero que a produção conseguira emprestado.


Corisco, personagem de Deus e o diabo na terra sol

É antológico o resultado que ele obteve no duelo entre Antônio das Mortes (Maurício do Valle) e Corisco (Othon Bastos), ao longo do qual travavam diálogos metafóricos em torno de uma guerra de libertação no miserável sertão brasileiro.

No entanto, parte da rica coreografia teve que criada porque Othon Bastos, que substituiu Antônio Lisboa às pressas, era muito menor que Maurício do Valle e os dois não podiam ficar muito próximos. Com uma série de referências filosóficas e cinematográficas, Glauber narrava na tela a história do vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey), que após se revoltar contra a opressão de um coronel, une-se a um grupo de fanáticos e em seguida aos cangaceiros liderados por Corisco.

"Antônio das Mortes, matador profissional, figura sinistra, melancólica e lógica de assassino visionário, o qual imagina que, uma vez eliminados o diabo (Corisco) e Deus (o profeta Santo Sebastião) haverá então a guerra de libertação, ou melhor, a revolução, que redimirá o sertão. Manuel, simbolo do povo brasileiro, escapa, testemunha viva da verdade das teses do filme" (Alberto Moravia, escritor italiano, no jornal L'Espresso, sobre o filme de Glauber)

Algumas pessoas – independentemente da nossa crença, raça e cor – nasceram para ditar ou quebrar as regras, apontar caminhos e desafiar o estar de cada coisa. Isso talvez nos deprima, mexa com o nosso ego quando nos deparamos sendo pessoas comuns, meros mortais.
Incapacidade, sacanagem de Deus? Não! Não creio! Temos as chances e o mundo diante de nós, apenas nos falta a coragem necessária para romper com certos padrões, falta-nos força para nos livrarmos da inércia que o conforto eleva e os prazos das lojas de departamentos proporcionam.

Somos facilmente abatidos feito frangos indefesos que engordam em poucas semanas. Comemos demais, bebemos demais, usamos drogas demais, compramos demais, nos estressamos demais. Estamos pesados demais pra pensar e lutar, não?

Vivemos um mundo ditado pelo consumo, pela economia de mercado. O mundo virou um imenso shopping-center e as pessoas parecem acatar a idéia de se tornarem produtos, descartáveis, passíveis de moda e tendências?

Tráfico de drogas, tráfico de influência, tráfico de gente! Se o mercado dita as regras, ganha mais quem vende o melhor produto, não é?

Ontem à noite tive a sorte de assistir “Glauber o filme, labirinto do Brasil”, um documentário sobre a vida de uma das figuras mais importantes da nossa história.

Qualquer cineasta metido a besta fala de Glauber Rocha com certa prepotência, porém esse documentário talvez eleve Glauber ao lugar que ele merece. Temos a cultura do esquecimento, dificilmente exaltamos nossa história, é raro olharmos para trás com senso de análise e respeito.

glauber rochaSão 98 minutos de depoimentos, entrevistas e imagens, uma verdadeira viagem audiovisual por alguns dos labirintos dessa mente genial, que desafiou o óbvio, rompeu “verdades indiscutíveis” e foi um dos grandes expoentes do “Cinema Novo”, numa das mais emblemáticas verves do cinema mundial.

Com “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” Glauber revolucionou o cinema e o modo como o cinema é pensado. Vá correndo até a locadora mais próxima e não deixe de conferir este documentário. Glauber talvez mude a sua vida
VEJA TAMBÉM:
E assim o twitter inspira postezito! Porque hoje é dia do Cinema Brasileiro e um filmezito cai muito bem hoje!

Delírios reais



Hoje divaguei sobre coisas bizarras que lemos, vimos ou ouvimos. Principalmente as pessoas que lêem muito estão mais sujeitas a delírios; pois imaginei que julguei ter lido, outro dia, a seguinte notícia:

"um bandido ferido pela polícia fugiu do Hospital Souza Aguiar, na Praça da República, no Rio, para se encontrar com a namorada"

Até aí, tudo bem: Bandidos feridos pela polícia detestam ficar micados em hospitais quando têm coisa melhor para fazer. Mas esse não era um bandido normal. Era um bandido apaixonado! Trinta e seis horas antes, ele tinha sido baleado nas nádegas ao assaltar um casal na rodoviária. A bala lhe atravessara o corpo, perfurado o apêndice, provocado hemorragias nas paredes abdominais e saído pela virilha. Um dos estragos feitos pela bala em seu percurso fora no ureter, que é um canal que leva a urina dos rins para a bexiga. Ou seja, coisa braba.

Operado em uma cirurgia que levou 3 horas e que exigiu um corte enorme. Estava com as nádegas, virilhas, pernas e abdomem enfaixados, lembrando a múmia de Bóris Karloff. Ostentava ainda, uma sonda na bexiga e dois drenos no ureter. Estava algemado à cama e, no corredor, à porta de seu quarto, dois PMs.

Apesar de tudo isso, o bandido livrou-se das algemas, sondas, drenos e dos PMs que comiam moscas no corredor. Desceu cinco andares pela escada e fugiu pela porta de emergência. Caminhou vários quarteirões até um Hotel na Rua Frei Caneca, encontrou-se com a namorada e só foi capturado quatro horas depois. Isto porque, depois dos PMs acordarem do torpor, sentiram a ausência do Bandido e seguiram os pingos de sangue que levavam da cama do Hospital à cama do Hotel.

Não se sabe o que aconteceu nas poucas horas que o casal estiveram a sós no apartamento do Hotel... Mas o bandido se queixou de uma coisa:

"Minha namorada é muito jovem e temo não ter funcionado à altura de meus antigos padrões".

Voltando à história dos delírios...pensei ter lido a notícia em um dos jornais do Rio, mas não podia garantir. Primeiro, pelo total absurdo do caso: Desde quando um sujeito totalmente retalhado, cheio de sondas, fantasiado de múmia e pingando sangue foge tranquilamente de um hospital, anda pelas ruas da cidade sem ser incomodado e vai se encontrar com a namorada em um hotel? E, depois, porque a notícia acabou ali, naquele dia. Não houve suíte nos dias seguintes e nem a televisão se interessou por ela. Conclui que ela devia ter brotado da minha imaginação e nunca ter acontecido. Provavelmente, naquele dia, antes de acordar, eu tivesse sonhado que estava lendo o jornal e justo aquela notícia.

Horas depois, já desperta e tendo lido dois ou três jornais, eu me confundira e me convencera de que a notícia não existira e o fato não acontecera. Fiz "Brrrr!!!!" intimamente e achei que precisava me cuidar.

Até que hoje, procurando na internet arquivos de jornais antigos, tive um choque. Lá estava ela: "Preso operado e todo enfaixado foge do hospital para ver namorada". Vibrei ao constatar que não havia delirado!

Mas fiquei me perguntando: Se eu não delirei, quem mais delirou? A namorada, o bandido, o hospital ou os PMs?

Beijus,

...em quietude, sem solidão

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