
Ontem estava caminhando entre os blogues e li um comentário que se referia à Blogagem Coletiva como uma Bobagem Coletiva. Não quero entrar nos previlégios que esse brasileiro possa ter para se sentir tão diferente da maioria da blogosfera, visto que é blogueiro. Tão superior que não respeita uma manifestação democrática, talvez o verdadeiro "Palhaço que espalha alegria" que o nosso presidente descreveu ao criticar adolescentes que o vaiou em ato público, portando nossos conhecidos "nariz de palhaço". As vaias ocorreram ontem no Norte do Estado do Rio de Janeiro. O nosso presidente tomando as dores do atual governador do Estado, pediu para que esse não levasse em consideração, pois aqueles eram "jovens, desprovidos de consciência política", não sabiam o que faziam. "Perdoai eles não sabem o que fazem" disse o todo poderoso!
O Fato ocorreu em uma cerimônia de inauguração de um centro de ensino técnico federal em Campos, os "jovens" eram professores pleiteando efetivação de concurso público e não como Sérgio Cabral qualificou "meninos pequeno-burgueses que reclamam de barriga cheia".
Que país bagunçado! Que baderna! Presidente da República e Governador de Estado em bate-boca! Será que colocaram os "adolescentes" de castigo?
"
Ordem e Progresso" - lema Positivista que os discípulos brasileiros de Augusto Comte inseriram na bandeira da "República do Brasil" em 1889, começava uma nova fase sociológica no desenvolvimento histórico da sociedade brasileira com formas antipatriarcais de industrialização e de urbanização da vida brasileira.
Monarquia substiuída pela República: Os barões e monarcas se tornaram diplomatas e estadistas. Os novos "coronéis" do interior substituiram os antigos barões, como chefes políticos. Dança das cadeiras, cabides de empregos? Isso vem de longe!
Neste ensaio de "
Ordem e Progresso", no ethos brasileiro, foram agregadas algumas características de brasilidade: capacidade de acomodação, de pactos e acordos firmados, do desejo de ligação com o poder e sentir-se um ser exótico e telúrico.

O Barão do Rio Branco, antes de se tornar Ministério das Relações Exteriores, ficou à frente do Ministério de propaganda e se encarregou de formar a imagem do Brasil no mundo. Numa dessas propagandas, Mr. J. C. Oakenfull, direto da Inglaterra deu o significado ao nosso "
Ordem e Progresso" - em título de matéria -
"Ordem e Progresso, the Brazilian motto typifies the policy of the nation to-day" - era dada a largada para o ideal do Mote:
"Her conquests have been won by arbitration, in place of war. She has settled almost all her frontier questions and is able to turn her attention to internal development and this is proceeding at a pace almost inconceivable. The iron horse us stalking over the land".Também naquela época membros do governo se utilizavam de meios de propagandear idéias, nem sempre verdadeiras. Apesar de toda essa propaganda, até o fim da Primeira Grande Guerra Mundial não houveram benefícios para os operários das fábricas e nem para o trabalhadores de plantações de cana de açúcar que substituíram os escravos. E o que aconteceu com os escravos? Foram para o lixo social, desprezados pelos políticos e desassistidos pela Igreja Católica e Clero. Fato este considerado o mais negativo de nossa história.
Questão social? Só foi existir quando aqui repercutiram as agitações anarquistas, socialistas e proletárias da Europa dos primeiros dias de após Guerra. A nossa "
Ordem e Progresso" sempre esteve subjulgada aos anseios vaidosos do poder.
Desde aquela época da adoção do mote "
Ordem e e Progresso" até os dias atuais o Brasil ainda tem problemas para conciliar a ordem com o progresso, quer íntima ou quer pública.
Quando o escândalo do mensalão veio à tona, escutamos muitos falarem que aquela era a hora de redesenhar o país. Não aconteceu nada até agora.
O Brasil precisa urgente de uma reforma. Não vou falar das
instituições políticas - instituições "imexíveis" - mas precisamos modernizar o Judiciário. O sistema precisa de reformulações imediatas!
Estamos enjoados das injustiças. A mídia nos incendeia com escândalos e crimes que logo caem no esquecimento. A população idealiza:
apuração nos processos, sem danos à apuração da verdade.No Brasil, acreditar na justiça significa aguardar anos por uma sentença. Os motivos para tanta morosidade e ineficiência são muitos. Faltam recursos e pessoal qualificado - a polícia, também despreparada, também não está equipada e a estrutura judiciária é pouco ágil.
Já falei aqui no "Luz" do exemplo do que ocorre na França, em que há uma descentralização através do Juizado de Instrução; enquanto um juiz assume o comando da investigação policial, o outro julga o caso. Essas medidas aproximariam o Brasil da justiça administrada no primeiro mundo.
Resta saber se o país, em sua totalidade, será capaz de reunir vontade política necessária para analisá-las e colocá-las em prática. Como cidadão, não podemos simplesmente cruzar os braços e ver o tempo passar. Precisamos exercer o termo "cidadania".
Não sabem por onde começar? Indico que leiam um
texto excelente do blogueiro Márcio Pimenta.
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