Todo homem é uma ilha, eu sou Ibiza

nick hornby

Febre de Bola (1997) - O Amor em Jogo (2005) - Um Grande Garoto (2002) - Alta Fidelidade (2000) - O que estes filmes têm em comum?

São todos filmes baseados em livros de Nick Hornby! Uma autor pop, mordaz e apaixonado, que consegue chocar, quando por exemplo, em seu livro "Febre de bola", compara sexo com futebol - tipo assim: Seu time não ganha um campeonato a muitos anos, ou melhor, muitos anos você espera o seu time ganhar o campeonato e, - Você, homem: se tivesse que escolher, entre assistir a vitória do seu time ou ter um orgasmo, o que escolheria? - Ele escreve:

"O orgasmo, embora obviamente prazeroso, é familiar, passível de repetição (duas horas depois, se você come bastante verduras) e previsível, principalmente para os homens - se você está fazendo sexo, já sabe o que está por vir, digamos. Talvez se eu tivesse ficado 18 anos sem fazer amor e renunciado à esperança de fazê-lo nos 18 anos seguintes, e aí de repente, sem mais nem menos, uma oportunidade se apresentasse... talvez nessas circunstâncias fosse possível recriar aproximadamente aquele momento."

Hum... depois os homens dizem, que nós mulheres pensamos menos em sexo do que eles.

Enfim, o livro não trata somente do torcedor fanático, ele é recheado de boas crônicas, que falam de sentimentos, costumes, reflexões sobre família, lembranças da infância e adolescência, valores, amores, amizade, justiça, política...tudo exposto com maturidade. Considero ser um prato cheio para conjecturas e bom para ser lido à dois!

Se em "A Febre..." ele descrevia sua trajetória autobiográfica, da infância à adolescência, até o momento de busca por uma carreira e uma companheira, no seu próximo livro "Alta Fidelidade" usou da complexidade humana para falar de música; do sarcasmo para falar do cotidiano; dos obsessivos para falar de banalidades, do paternalismo amoroso e das apelações neuróticas; do lado patético da vida sem ranzinzismos.

Rob, o protagonista, gostava de fazer listas, do tipo "top 5 músicas", "top 5 pés na bunda", "top 5 ex-melhores namoradas"...e por aí vai!

Eu lembrei de falar um pouquinho de Nick Hornby, depois que li uma entrevista que ele concebeu ao The Observer/guardian, no dia 6 de Setembro último, onde ele falou dos efeitos da liberação do MP3 em blogues - e este artigo, entrou na classificação dos artigos históricos. Vale a pena ler!

A frase título "Todo homem é uma ilha, eu sou Ibiza" é do personagem Will, do livro-filme "Um grande garoto" - Quem não conhece o autor Nick Hornby, pode escolher qualquer um dos livros da sua bibliografia, que terá garantia de boa leitura! Quem já leu e gostou, chega às livrarias brasileiras, no final do mês de Setembro - Juliet, Naked, título já disponível nos EUA e Inglaterra e que dizem ser uma continuidade de "Alta Fidelidade" - leia um trecho do livro.

Guardar livros, pra quê? [update]

Todos nós sabemos da situação que se encontra a educação no Brasil. Não vou traçar panorama algum para não vos massacrar, só queria que olhassem à volta, os livros que ocupam as vossas estantes e analisassem o tempo em que cada um deles não é aberto.

Alguns destes livros podem ter valor afetivo e outros estão ali somente para ocupar espaço e, se não servem mais para vocês, poderiam servir para outras pessoas, não é mesmo?

Passei a tarde de hoje em uma organização de estante, envolta em recordações emanadas de cada volume e das lembranças de como cada um dos livros chegou em sua mão e o por que, de cada um ocupar aquele espaço. Depois da organização, restaram livros sem apego, livros que não mais interessavam ou que nunca mais interessarão, alguns ofertados impessoalmente para divulgação.

Às vezes acontece dos livros não poderem nos acompanhar, como quando mudamos de casa, cidade ou país. O que vejo são pessoas entulhando a casa dos pais ou procurando guarda-livros, mas para quê? Se o livro não é precioso, porque não doamos?

Onde posso doar meus livros?

Existem diversas alternativas e uma delas são os cursinhos pré-vestibulares populares, voltados para a população de baixa renda, que normalmente aceitam doações. Veja outras alternativas:
  • Bibliotecas municipais, basta entrar em contato com a Secretaria Municipal de Cultura de sua cidade.
  • No Rio e em São Paulo os livros didáticos também são aceitos, mas antes de levar os livros, é recomendável telefonar para agendar as doações. Os endereços e telefones você pesquisa no site das secretarias municipais de cultura.
  • No Estado do Rio de Janeiro, o Instituto Educarte lhe dá a comodidade de recolher em casa as doações e ainda mantém endereços por quase todo o Estado.
  • A ONG Oficina de Cidadania (av. Sete de Setembro, 88, sala 614, tel. (71) 8863-4615) em Salvador, onde é oferecido aos jovens de baixa renda curso pré-vestibular gratuito, também busca os livros em domicílio.
  • Em São Paulo, o Núcleo de Consciência Negra da USP (av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, trav. 4, bl. 3, tel. (11) 3091.4291)
  • Em Belo Horizonte, a Associação Pré-UFMG (r. São Paulo, 990, tel. (31) 3212-6807)
  • O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) faz campanha nacional para abastecer suas bibliotecas e recebem doações. Você deve ligar para a secretaria do movimento de seu Estado e saber onde ficam os postos de entrega e dependendo do Estados, eles recolhem no domicílio.
  • Raquel, do Maionese sugere outros locais para doação, troca e venda de livros usados, confira!
  • O Blogue "O que elas estão lendo" está com uma proposta legal para fazer os livros circularem. Embarque nesta!
  • Sebinho nas canelas!! Dica do Pablo, do blogue Cadê o Revisor? Feira de troca de livros infantis que acontece no Parque Lage (Rio de Janeiro), nos finais de semana, com direito a café da manhã. Vai perder essa?
  • [update] Projeto "Livro sem Fronteiras" - Por essa você não esperava!!
Não deixe que seus livros 'morram' na estante! Dê vida à eles, faça-os circular e espalhar bons momentos!

Ah! E dia 10 de Setembro, começa a Primavera dos Livros! Centro Cultural São Paulo, entrada gratuita!

Refletindo:

Nossa vida é contínua comunicação. Com a educação ou aprimoramento desta capacidade comunicativa, ampliamos nosso relacionamento com o mundo, compreendemos melhor a realidade e consequentemente poderemos transformá-la. É pela troca de experiências e intercâmbio de indagações que analíticamente discutimos nosso dia a dia. Talvez, esse seja o maior motivo do sucesso dos blogues.

Aqui nos organizamos com mais propriedade no espaço virtual! E comunitariamente nos ajudamos. Pois sim?

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