Porque somos tão pudicos?

O Júnior escreveu uma postagem, inicialmente lançando essa pergunta, mas em nenhum momento falou em pudor. Não da maneira que eu entendo seja o pudor, que eu encaro como sinônimo de vergonha, qualquer tipo de vergonha e nós brasileiros não somos envergonhados. Genericamente também não somos desavergonhados ou quem sabe, marrento ou ingenuamente deixa-se levar, melhor dizendo, acomodados. Haja visto os políticos que permanecem no poder, mantendo uma hierarquia secular. Por favor não se ofendam, mas admiro pessoas que trocam o 'eu acho' por 'eu penso'.

Vai um conselho: Quando iniciarem os seus textos, comentários ou respostas às conversas, nunca digam 'eu acho' - vamos fugir do achismo e vamos pensar, vamos trocar o 'eu acho' por 'eu penso'. Sim, um detalhe que faz toda a diferença. Eu nunca tenho uma visão fechada e estou aberta às mudanças, mas, mesmo somente achando, digo sempre o que penso.

Não fugindo do assunto, a verdade é que a postagem do Júnior é uma reclamação quanto ao conteúdo apresentado nas propagandas brazucas e especialmente por ocasião do carnaval que se aproxima; campanhas publicitárias que incentivam o uso da camisinha e à moderação no consumo de álcool. Ele gostaria que as propagandas fossem mais chocantes, que fossem direto no alvo e daí, que eu entro na postagem. Não entendi.

Quer dizer, eu entendi! Não gosto de violência e falta de respeito com as identificações pessoais, tipo brincar com a religião alheia ou raça. Mas dizer que os comerciais brasileiros parecem feitos por mim Sr. Júnior! - Por serem educativos, suaves e generosos...hum, não sei porque essas qualidades pareceram ironia dentro do seu contexto.

Mas enfim, é meu amigo, sou sua amiga e por isso lhe dei o direito de ser irônico comigo, mas só um pouquinho, tá? Mas veja, usar de artifícios para chocar em propagandas, pode desviar o foco do problema, como bem argumentou Júlio Moraes; as propagandas nos maços de cigarros, não fizeram fumantes pararem de fumar. Houve descontentamento com as imagens expostas no início, ficaram chocados e logo se acostumaram. Agora eles compram carteiras para inserir os maços de cigarros ou escondem de encontro a mesa, afastando o problema.

Na verdade, as propagandas não são para os já viciados em cigarros, bebidas alcóolicas ou sexo sem proteção, são para aqueles que estão entrando para o mundo dos adultos. E veja bem, dentro do horário normal de programação, deve ser respeitado o nível de imagens veiculadas - o que deveria abranger também os telejornais que respingam cenas grotescas.

Dentro do resto da programação, o nível deve ser respeitado porque crianças podem estar expectadoras, em outras palavras a classificação da programação televisiva por faixas etárias deve ser respeitada também pelos pais para não expor seus filhos a cenas de sexo e violência. Portanto, até as 20hs, crianças menores de 12 anos podem assistir tv sem problemas; até as 22hs, até 14 anos e somente após as 23 hs é permitida programação adulta. Vale ressaltar que alguns casos fogem à regra, principalmente na programação fechada e mais uma vez, repito, cabe aos pais o monitoramento do que seus pimpolhos estão assistindo. Se os pais não possuem capacidade para classificar o programa, basta que observe o seu início, onde é sempre exposta a faixa etária permitida. As peças publicitárias também acompanham estas resoluções.

O comportamento do expectador em frente à tv é sempre igual; durante os intervalos, quando a publicidade não agrada, o canal é mudado e por conta disso, as propagandas também invadiram a programação - novelas e programas esportivos são os espaços preferidos.

A melhor propaganda vem dos pais. Pais alcoolátras terão filhos alcoolátras ou avessos à essa droga, tanto pelo incentivo quanto pela repulsa. Pais irresponsáveis crescem os filhos para levá-los a beber junto ou bebem indiscriminadamente tendo os filhos ainda a crescer por perto. Hipocrisia esses mesmos pais acharem que bebida alcoolica não seja uma droga e os fumantes acharem que o tabaco seja muito diferente da maconha.

O álcool etílico é a droga psico-ativa mais utilizada no mundo.

Eu não sei se aqui tem algum pai que diga para seu filho se drogar moderadamente, então acho que as propagandas de drogas na tv estão erradas em pedir a moderação. Estas propagandas de incentivo às drogas não deveriam ser veiculadas.

Lembrei de Chantinon e seu texto Skol, idiota é você: Destacando algumas partes do texto: "Na nova propaganda da Skol, além de sujeitos pagando mico, surge um texto narrativo, onde me marcou bastante o trecho que diz: Eu sou bobo assim como você! (...) Em breve a Skol deve lançar alguma propaganda mais direta, já que o publico ainda não conseguiu entender que está pagando para se alcoolizar, bestializar e graças a um certo apelo sexual, procriar mais estupituzinhos, lindos filhotes de idiotas"

Dados expostos também na postagem do blogue Caos Urbanus:
Vale lembrar que o índice de cura para viciados (em qualquer droga) que procuram ajuda é de 1% (Mas as clínicas de tratamento como as de estética, não divulgam esses números ruins).
  • Motoristas alcoolizados são responsáveis por 65% dos acidentes fatais em São Paulo;
  • Houve apenas um artigo científico falando sobre Cirrose Hepática Alcoólica a respeito dos cuidados de enfermagem com o paciente hospitalizado (artigo publicado em 1990), não sendo plausível sua análise devido à falta de um resumo estruturado.
(Isso quer dizer que a sociedade trata os alcoólicos exatamente como qualquer drogado, a melhor solução é vê-los mortos e enterrados).
  • O Alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo. Imagino que deve ser a que gera a pior qualidade de vida também. E se para cada 10 indivíduos que bebem, um se torna dependente, imagino que toda aquela alegria e gente bonita das propagandas de cerveja não sejam a realidade para muitos, que além de pobres e feios se tornarão um grave problema de saúde pública, muito maior que os fumantes dos anos 70 e 80.
E para a camada feminina, é bom lembrar que apesar de toda a evolução social das mulheres, seus corpos ainda são desprovidos da robustez que os homens ganharam durante a evolução.

Tudo bem, é carnaval, tudo pode! Marrenta ou ingenua neste carnaval quero sombra e água fresca. Ah, e retornando ao lance das propagandas, diretas ou indiretas, chocantes ou sublimares - A Perrier lançou uma propaganda em 1976 - abusada para a época ou não - é como tudo nesta vida desde sempre, só aprende ou entende quem necessita.



E como diz a frase "É Carnaval, ninguém leva a mal!". Não embarque em uma fria! Ajude na conscientização!

Beijus,

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Então Tá, Jeeves


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Há aspectos no caráter de Jeeves, que muitas vezes acarretaram o surgimento de uma certa frieza entre nós. Ele é um daqueles indivíduos que, quando você lhe dá um troço, quer logo outro treco. Seu trabalho é no mais das vezes tosco e sabe-se de fontes seguras que já se referiu a mim como alguém 'mentalmente insignificante'.

Mais de uma vez, foi meu penoso dever esmagar nele essa tendência de se mostrar superior e de tratar seu jovem senhor como um servo ou um peão.

Esses são os defeitos graves.

Porém num aspecto jamais deixei de lhe tirar o chapéu. Jeeves é magnético. Há qualquer coisa nele que acalma e hipnotiza. Pelo que sei, jamais esteve frente a frente com um rinoceronte furioso, mas, caso isso ocorresse, não tenho a menor dúvida de que o animal, ao se ver diante dele, estancaria o passo, deitaria no chão e começaria a ronronar com as patas para o alto.

Trecho do livro Então Tá, Jeeves.

Pelham Grenville Wodehouse ou simplesmente P.G. Wodehouse é autor de quase cem livros. Humorista prolífico que deve sua fama à onze romances e 33 coletâneas de contos em que os personagens principais são Jeeves & Wooster.

Wooster é solteiro convicto, jovem e rico que ostenta sua ociosidade em um clube masculino de Londres ou em mansões rurais de tias igualmente aristocratas e é totalmente dependente de Jeeves, o mordomo. Este, totalmente impassível, não demonstra emoções e o máximo que faz é arquear de leve a sobrancelha direita.

Jeeves faz tanto sucesso que já é dono de alguns serviços na internet, incluindo o Ask Jeeves.

George Orwell, publicou um documentário sobre P.G. Wodehouse, onde dizia que o dandismo avoado de Wooster contaminou o reinado de Edward VII (1901-1910) que perdurou até a publicação do conto "O homem com dois pés esquerdos".

Wodehouse era ideologicamente inocente, evitava debates políticos e isto foi muito útil para os nazistas quando encaminhado para um campo de prisioneiros e de sua imagem aproveitaram para fazer propaganda da guerra.

Acho que os alemães não entendiam o humor inglês e encaravam o humor simpático de Wodehouse ao se referir aos abastados ingleses, como sátira das elites inglesas. Culturas diferentes com interpretações diferenciadas. Desastrado, Wodehouse foi convidado à dar entrevistas em Berlim e elogiou o tratamento recebido pelos alemães, o que lhe valeu acusações de traição ao parlamento inglês. Seus discursos e livros foram banidos das bibliotecas inglesas.

Radicou-se nos EUA, onde aliou-se à personalidades de renome, trabalhou como escritor, jornalista e colaborou na criação de espetáculos teatrais e musicais ao lado de Cole Porter, Guy Bolton e George Gershwin.

Antes de morrer em 1975 aos 93 anos, restaurou a sua reputação patriótica, recebendo o título de Sir e reconhecido como um humorista. Sim, um humorista sem irônia e com diálogos ágeis.

Jeeves e Wooster são os eleitos por mim para figurarem na galeria dos personagens inesquecíveis, já que os livros da minha vida, respondi em um meme, que me foi passado pelo Lino Resende tempos atrás. Não quero ser repetitiva e se tiver a curiosidade de saber os livros da minha vida, acesse a postagem.

Outro livro publicado com os personagens Jeeves & Wooster no Brasil: "Sem dramas, Jeeves".

Os personagens ainda foram figurados em filme e série televisiva inglesa - Jeeves & Wooster, tendo Stephen Fry/twitter (uma das celebridades mais seguidas no twitter) e Hugh Laurie nos papéis principais.


[DVD][youtube][last.fm][Download Jeeves and Wooster movie][legendas]

Garanto que soltará enormes gargalhadas com a expontaneidade dos personagens, nada que exija esforço intelectual, apenas mandíbulas em boa forma.

Este post é parte integrante da blogagem coletiva promovida pela Vanessa do blogue Fio de Ariadne. Leia o livro, assista a série no youtube, ouça as músicas no last.fm e depois me conta!

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Beijus,

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