Sapo Inglês encanta Europa

Crazy Frog está desde Janeiro correndo atrás do sucesso...

Ele é engraçado, estrábico e adora sua motocicleta. Para muitos, ele faz parte do lixo comercial moderno. Imune às críticas, o sapinho estrábico que fica pulando em sua moto Harley Davison está, isso sim, no coração da moçada, que o considera engraçadinho, fofinho e irresistível. Como não prestar atenção aos olhares que o galã de pernas finas usando capacete e óculos faz para o público?


Crazy Frog (Sapo Louco, em tradução livre) é de autoria do grupo alemão DJ Bass Bumpers e mistura sons de computador com a música Axel F, de Harold Faltenmeyer, que foi tema principal do filme Um tira da Pesada. A música para celular conquistou os ingleses de tal forma que acabou invadindo as lojas de Cds. O disco single vendeu 4 vezes mais que o esperado single do Coldplay, Speed of Sound, e tirou do topo a banda Oasis, que até a semana passada estava no primeiro lugar.

Como uma música eletrônica simples conseguiu destaque justo na terra natal dos Beatles? Seria o personagem criado por uma agência de publicidade para ilustrar a propaganda que promove a venda do toque de celular na TV? Trata-se de um desenho digital animado que, como o próprio nome da música sugere, é um sapo prá lá de doido.

Como uma música eletrônica simples conseguiu se destacar justamente na terra natal dos Beatles? Uma das explicações seria o personagem criado por uma agência de publicidade para ilustrar a propaganda que promove a venda do toque de celular na TV. Trata-se de um desenho digital animado que, como o próprio nome da música sugere, é um sapo prá lá de doido.Como uma música eletrônica simples conseguiu se destacar justamente na terra natal dos Beatles? Uma das explicações seria o personagem criado por uma agência de publicidade para ilustrar a propaganda milionária que promove a venda do toque de celular na TV.

O sucesso do single Crazy Frog reflete a crescente tendência de os jovens gastarem mais dinheiro em celulares e computadores do que em música. Verdade é que o sucesso de Crazy Frog tem a ver com "o seu imenso apelo como novidade".

A crítica considera o sucesso de Crazy Frog uma afronta à música de qualidade, trabalhada em estúdio. O jornal londrino Sun deu uma bronca na população – "O que está acontecendo com esta nação?" –, quando o Cd single com a música do sapinho maluquinho ultrapassou as 150 mil cópias vendidas em apenas uma semana.

Os jovens não dão a menor bola para o que a mídia e os intelectuais pensam. Ter o som do momento em seus celulares é o que conta.

O grupo alemão Bass Bumpers já anunciou que está preparando um álbum do sapo com novos sucessos, um remix eletrônico com músicas dos anos 80. A jamba.de, maior fornecedora de toques musicais via internet da Europa (em 2003 comercializou mais de 10 milhões de títulos), revelou que pretende ampliar a venda deste toque celular para outros mercados.
Seja lá como for, o sapinho segue pulando, pulando, pulando...

NOVA PAIXÃO NOS EUA – Rádio por assinatura, com transmissão via satélite que cresce mais que o mercado de telefone celular dos últimos 3 anos... Os americanos estão comprando equipamentos, antenas e acrescentando fios novos pela casa em vez de ouvir de graça as rádios AM/FM transmitidas por via terrestre. A chegada da rádio por satélite mudou a maneira das pessoas ouvirem rádio. Lá há estações segmentadas, por exemplo: há aquelas em que só tocam Beatles, ou música clássica, como não ocorre no Brasil. Uma das formas da sobrevivência da rádio por satélite é o ouvinte pagar uma taxa por aquilo que ele vai ouvir. E vocês não imaginam a quantidade de música nova que se ouve.

Existem duas empresas dominando o mercado: XM Satélite e Sirius, e até o final do ano terão 8 milhões de consumidores pagando US$12,95 por mês para ouvirem seus programas. Cada uma oferece em torno de 120 canais, com programação variada, som fantástico e sem interrupção de propaganda. A diversidade de canais é grande e há de tudo para todos os gostos, há também canais de esporte, talk shows, tempo, notícia, piadas, sexo...

Para manter o crescimento das rádios, já foram assinados contratos milionários com celebridades e até com a indústria automobilística. A Hyundai já se comprometeu a equipar seus carros com rádios compatíveis. A Range Rovers e Jaguar se comprometeram a nos carros receptores das rádios.

CHANCES BRASILEIRAS - Segundo a Work Station Digital, existem quatro possibilidades de mudanças na radiodifusão brasileira. A primeira seria a instalação do sistema Eureka, modelo em funcionamento na Europa. A segunda estaria na adoção do sistema Ibiquity, usado nos Estados Unidos e que implicaria em um grande investimento dos radiodifusores em equipamentos digitais. O terceiro modelo seguiria o esquema dos simuladores, ou seja, chips que convertem informações analógicas em digitais. O chip mais popular atualmente chama-se Symphony, da Motorola, que estará à venda no Natal deste ano, nos Estados Unidos, custando apenas US$ 5. Os difusores, portanto, não teriam custo nenhum, e os consumidores gastariam pouco pela conversão. O quarto sistema será lançado neste mês de junho, na Alemanha, e segundo Townsend é o que tem mais chances de ser implantado no Brasil. O esquema é mais ou menos parecido com o do simulador Symphony, só que com comprometimento de implantação de mais países.

No campo da programação de áudio personalizada essa é a palavra da fez: POADCASTING - Trata-se de uma mistura entre broadcasting (emissão em banda larga) e iPod. Este mês foi lançada a primeira rádio do mundo que transmite somente via podcasting. Em miúdos, podcasting é um método de distribuição online de áudio em que qualquer arquivo (seja ele música ou um texto falado) é enviado a um site. Neste site, algumas pessoas se inscrevem (e pagam uma taxa) para baixar conteúdo em qualquer tocador de música, podendo ser este um iPod ou outro semelhante. Hoje, no mundo inteiro, existem mais de 4,3 mil sites de podcasts registrados. E quem está de olho nesse esquema é o mercado publicitário. Nem é preciso dizer, portanto, porque o podcasting tem tudo para dar certo lá fora e aqui.

Links:
Grupo de Profissionais de Rádio: www.gpradio.com.br
XM (rádio por assinatura): www.xmradio.com
Sirius (rádio por assinatura): www.siriusradio.com

Não imaginava ficar sem as minhas músicas, agora isso aqui vai ficar bom demais...

Maennergarten...

BERLIM - As mulheres alemãs, cansadas de levar os seus maridos às compras de fim-de-semana nos shoppings, podem agora deixá-los numa creche especial para homens, com cerveja e diversões.

"Ao entregar aqui o marido, é dado às mulheres um recibo com o qual podem vir levantá-lo mais tarde", explicou Alexander Stein, representante do "Nox Bar".

Cada homem recebe um crachá com o seu nome à entrada e por 10 euros é-lhes oferecido 2 cervejas, uma refeição quente, tv's onde podem ver futebol e jogos.

Alexander Stein disse que a idéia da creche para homem, ou "Maennergarten", veio de uma cliente que achava ser uma boa idéia de se livrar do marido enquanto faziam compras.

...sabe que não entendi a criação dessas creche, criança fica sozinha em parques? No Brasil podemos deixa-los no bar mais próximo...

Imagino que o recibo e o crachá seja apenas
para evitar confusões...

Isto é o que o cara vê quando bebe. Neste fim de semana não beba muito... Cuidado!

Ser criança

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Fiquei até animadinha em fazer uma coleção de menininhas...

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Mas essas menininhas não crescem, não são crianças de verdade! Bonecas

Afinal, o que é ser criança?

Criança é estar olhando o nada, imaginando, planejando, buscando significados em dicionários, inventando histórias, personagens em livros e mapas, traçando rotas, tortas e mortas.
Quantas viagens ela faria?
Queimaria miolos buscando soluções.
O que seria quando crescesse?
Poderia ser escritora, marinheira, veterinária, ser tanta coisa! E no mesmo instante dar de ombros, virar e cair no sono
Ah! E quando seu primeiro amor chegasse?
Muitos poemas já teria escrito, cartas extensas sem destinatários, com remetentes escondidos por pseudônimos. Poderia ser esquisita, arteira, avoada, atrapalhada, burra, esperta, pudia ser tudo isso ou nada disso. Nunca precisariam enteder o que pensava. Teria o seu mundo particular, secreto e perfeito.
Seria feliz, livre e serena!

Seria bem diferente daquela pequena que vive a me dizer maluquices? deixar-me com a pulga atrás da orellha, achar-se a engraçadinha...Pois bem, agora a mãe resolveu que a cada hora, tem que a colocar de castigo. Anda a aprontar com todos. Desta vez foi com o avô.
No sábado acompanhou o avó ao barbeiro. Enquanto este fazia o seu trabalho, a garota comia um doce, pelo que o barbeiro disse:
- Ainda vai ter pêlos no teu docinho!
- Eu sei. E também vou ter mamas!
...
Voltando para casa, o avô pára no semáforo. Apareceu logo um garotinho pedindo umas moedas:
- Por favor, pode dar-me uma moedinha para comprar um sanduíche?
A garota replicou de imediato:
- Não dê vovô, porque já são sete da noite e depois não janta!
O Avô ao encontrar-me, logo conta os fatos e dou-lhe um pitaco:
- Não quero alarmá-la, mas a sua mãe diz que se não melhorares, deixará os castigos de lado e levarás uma sova!

Coisas de criança! Besteirinhas...como definiu Vinícius de Moraes: “A infância é uma gaveta fechada numa antiga cômada de velhas magias”

Ser criança não deveria doer, sofrer. Eu tive o direito de ser criança e você?

O "'não' dos gauleses" na imprensa européia

asterixOs jornais europeus deram diferentes enfoques à rejeição da Constituição européia na França.

Para o diário parisiense Libération, o voto popular desmascarou a União Européia como um quartel-general do ultraliberalismo e a falta de prestígio de uma classe de políticos franceses acostumados a enterrar a cabeça como avestruzes.

O diário conservador francês Le Figaro também anunciou o fim da era Chirac e perguntou até quando a França poderá se opor aos avanços do mundo industrializado e continuar defendendo um modelo social incapaz de questionar seus próprios privilégios.

O diário britânico conservador The Times interpretou o "não" dos franceses como uma reação ao pretenso fracasso da união monetária da UE, que "até agora só ocasionou um desenvolvimento econômico lamentável, desemprego em massa, o refortalecimento do protecionismo e uma atmosfera propícia para extremistas".

O jornal liberal de esquerda The Independent, também de Londres, considera uma ironia o fato de serem justamente os franceses, os principais mentores do processo de unificação européia, a vetar a Constituição comum.

O jornal suíço Neue Zürcher Zeitung ironiza o resultado do plebiscito como "revolta na aldeia dos gauleses" e prevê uma ampla discussão européia sobre o sentido dos plebiscitos. O La Repubblica, de Roma, considera a crise desencadeada pelo veto francês a mais grave em aproximadamente 50 anos de União Européia.

Para o Tagesspiegel, de Berlim, o diagnóstico realista após o "fiasco do referendo" na França é: "A Constituição européia está morta. (...) Respeitar o voto dos franceses só pode significar o fim do processo de ratificação e declarar a morte da Constituição. Continuar a ratificação só fortaleceria o sentimento de impotência diante de um projeto, o que contribuiu para o clima antieuropeu na França
".

Pesquisas de opinião advertiram nas últimas semanas que os eleitores aproveitariam o plebiscito para protestar contra o presidente Chirac e o governo Raffarin, colocando, assim, as bases para as eleições presidenciais de 2007.

Chirac, no entanto, ressaltou várias vezes que a vitória dos críticos à Constituição européia não seria motivo para renúncia. Observadores políticos acreditam que o bode expiatório deva ser o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin.

Hoje (31/05) Dominique de Villepin foi designado novo primeiro-ministro pelo presidente da França, Jacques Chirac e enfraquecido explicou suas decisões aos franceses em uma transmissão por rádio e televisão às 15hs – horário de Brasília. Chirac advertiu que o "não" francês obrigará seu país a ficar marcando passo, enquanto a Europa avança.

O veto dos franceses à nova Constituição da União Européia, no plebiscito de domingo (29/05), não significa o fim do processo de unificação da comunidade. Provocaram sim foi uma crise que está sendo repercutida negativamente em toda a Europa. A recusa de um país que foi um dos motores da idéia durante mais de 50 anos, não representou um fracasso do projeto constitucional da EU, visto que o processo de ratificação continua conforme o planejado.

Observadores políticos vêem que o resultado pode influenciar os próximos plebiscitos, como o da Holanda, nesta quarta-feira (01/06). Seguem-se Luxemburgo (10/07), Dinamarca (27/09), Portugal (outubro de 2005). Reino Unido e Irlanda não têm data marcada para seus referendos, enquanto na Polônia e na República Tcheca ainda não foi decidido se a ratificação será mesmo por plebiscito. Em todos os demais países-membros, a ratificação se dará por decisão parlamentar.


A Espanha foi a primeira a aprovar o documento através de plebiscito, no dia 20 de fevereiro. Em outros oito membros da União Européia, a aprovação se deu em nível parlamentar: na Alemanha,no final de maio e, antes disso, na Eslováquia, Áustria, Grécia, Itália, Lituânia, Eslovênia e Hungria.

Afinal, nove países, já oficializaram a adesão à Constituição européia e o prazo geral de ratificação só expira em novembro de 2006. Depois disso a comunidade reavaliará a situação em um encontro de cúpula. Dando continuidade ao processo de ratificação e a conclusão de que não poderá haver uma renegociação, a França terá que reforçar os pontos em comum que estimulam a Europa. O encontro de cúpula da UE em meados de junho será momento adequado para discutir a questão.

Após o término do processo de ratificação, os países contrários à Constituição européia devem sugerir possíveis soluções ao impasse, respeitar a soberania nacional e as decisões democráticas dos países da comunidade. O ideal seria realizar um plebiscito geral sobre a constituição, evitando influências de questões políticas internas dos países membros sobre o processo de unificação da Europa.

E se você me perguntar o que eu tenho com isso? vou lhe contar uma historinha de 3 cidadãos:

Dizia um inglês para um francês e um brasileiro:
- O meu avô era tão alto que esticava o braço e acertava os ponteiros do relógio da torre de Londres.
E o francês:
- Mais alto era o meu avô que esticava o braço e passava com a mão acima da Torre Eiffell
E o brasileiro:
- E teu avô quando passava com a mão acima da Torre tocava numas bolinhas não era?
- Era era - responde prontamente o francês.
- Pois essas bolinhas eram os tomates de meu avô ...

O Brasileiro é auto suficiente e não precisa entender o mundo?

Beijus,

A Lenda das Amendoeiras

Aproveitando da minha fase romântica, vou lhes contar uma lenda que fiquei sabendo através de amigos portugueses:

Há muitos, muitos séculos, viveram numa região do Algarve um príncipe cristão e uma princesa nórdica.

Durante muitos anos a felicidade reinou entre eles. Um dia, porém, o príncipe notou que a princesa entristecia de dia para dia, ao ponto de por vezes não se erguer do leito.

Sem saber o que fazer, o príncipe decidiu reunir o seu conselho de Estado. Nele participaram médicos célebres, mágicos de nomeada, feiticeiros e outros homens sábios. Deliberaram até altas horas, mas nenhum conseguiu encontrar a causa de tão grande pesar.

O príncipe mandou vir atores, trovadores e bailarinos para distraírem a princesa, mas durante os espetáculos a mesma tristeza descia sobre ela.

O príncipe, receando que a sua infelicidade fosse apenas um sinal de que ela já não o amava, nem a ia visitar regularmente. Até que um dia, cheio de coragem perguntou:

- Meu amor, já não me amas?

- Amo-te tanto como no dia em que casei contigo. Sinto-me raínha do teu povo, sou amiga dos teus amigos e admiro-os, mas as saudades da neve são imensas. No meu país a neve cai todos os anos. Aqui, o sol torna os campos verdes ou dourados, mas nunca os vejo brancos. Só tenho saudades sem fim da neve do meu país. O Inverno aproxima-se e sei que a neve não virá.

Ela ainda o amava...As dúvidas transformaram-se em felicidade. Depois de muito meditar, encontrou uma solução. Mandou plantar pelos seus criados milhares de amendoeiras à volta do palácio.

A Primavera chegou. As flores das amendoeiras, pouco a pouco, começaram a desabrochar. Em breve, os campos cobriram-se de flores brancas.

Um dia em que a princesa se sentia muito abatida, o príncipe entrou nos seus aposentos e beijando-a, envolvendo-a em seus braços, murmurou:

- Querida, por mim faz um esforço e vem ver o sol que acaba de nascer. Tudo quanto a nossa vista abrange parece ouro acabado de ser lavado.

Para não o desgostar, ela levantou-se e dirigiu-se para a janela. Tudo estava coberto, não com um lençol de neve mas sim com um de pequeninas flores brancas.

Pelo rosto da princesa lágrimas rolaram. O seu bem amado por ela transformara a terra castanha em terra branca de neve.

Segundo a lenda, é por esta razão que no Algarve, ainda hoje, há tantas amendoeiras.

Quando se ama tudo é possível.
Você já fez sua demonstração de amor?

Beijus,

O amor é um pássaro livre que não pode se aprisionar

Sim, porque alguns passarinhos nascem e não aprendem a voar. Com suas asas atrofiadas pela falta de uso, eles tornam-se dependentes e incapazes.
O amor é assim. Se você não o deixa livre, ele vai definhando e acaba morrendo ou acontece um outro fenômeno, ele se marginaliza.

Mesmo tendo vivido algum tipo de amor, não podemos teorizar sobre ele, devido as suas mutações e variantes de pessoa para pessoa, de situação para situação.
Mas tomamos conhecimento de belas, tristes e trágicas histórias...
Amor, ciúme e morte. A mais popular das obras de Bizet: Carmem, inclui todos os ingredientes de sucesso e a Companhia de Ballet da cidade de Niterói fez sua versão, pra lá de moderna; Carmen é prostituta e Escamilo vira jogador de futebol. Aproveitei e fui assistir.

Os 30 bailarinos da CBCN contam a história da cigana que seduz e arruína os homens que atravessam seu caminho em versão contemporânea. As árias Habanera e Seguidilha estão na trilha sonora do espetáculo. A encenação condensa a obra original quase como uma suíte. Micaela que amava José / que amava Carmem / que amava Escamilo / que... Dá-se a partida da corrente do tempo, do inexorável destino e o elo mais exposto à vida arrebenta nos braços da morte anunciada. O amor é um pássaro livre que não pode se aprisionar.

É tanto amor que querem para vocês?

Ao narrar os amores da cigana Carmen e a desventura de D. José, jovem sargento espanhol, que arrastado pela paixão, chega a tornar-se bandido e assassino, Prosper Merimée criou, em 1845, uma surpreendente novela de grande sucesso editorial, que trazia a tona personagens arquéticos daquela nova sociedade liberal e romântica do século XIX.

A história de uma mulher forte e poderosa, que só se submete à inconstância do amor, e de um homem que se deixa arruinar por uma verdadeira obsessão, era incomum e ousada para os padrões românticos e cristãos da época. Por isso, sua adaptação ao teatro lírico, formal e burguês demorou 30 anos, quando Meilhac e Halévy, dois experientes libretistas, colaboradores habituais de Offenbach, tiveram o cuidado de suavizar os aspectos mais “crus” da novela.

A Carmen amoral de Merimée transformou-se numa mulher impetuosa, amante da liberdade. O marido de Carmen, Caolho, desapareceu e, em compensação, foi criada a personagem Micaela, noiva de D. José, que procura inutilmente salvar o amado. Outra mudança importante foi a invenção do toureiro Escamilo para substituir um personagem bem menos glamuroso que aparecia no romance. Também o capitão Zúniga, assassinado no livro, não morre na ópera.

Ainda assim, o argumento da ópera desconcertou o público, e foi considerado imoral. A estréia de Carmen foi em 3 de março de 1875, no Théâtre de lOpéra-Comique, em Paris, mas só obteve êxito na França em 1885, 10 anos após a morte do autor. De lá pra cá, a popularidade da ópera cresceu no mundo todo.

Carmen a mulher livre e cheia de coragem, José, o louco apaixonado, Micaela, frágil e submissa, e Escamilo, cuja fama e sucesso, transformaram-no num homem que ama a si mesmo, acima de tudo, são personagens que encontram no inconsciente coletivo um lugar definido e definitivo. Como vértices opostos, eles se influenciam, se digladiam, se amam e se odeiam e jamais encontrarão um ponto em comum, onde reine qualquer tipo de estabilidade”.

Sob a ótica do Cinema

O cinema tem explorado muito o caráter impetuoso de Carmen. Sob a ótica de diversos diretores, ela vem ganhando originais e diferentes interpretações. Ainda no princípio do século, Chaplin filmou a sua versão cômica, em que aparece, como Carlitos, na pele do infeliz Don José. Na era do cinema mudo, Chaplin centrou sua história, um curta-metragem, na figura do arruinado soldado, talvez influenciado pela novela homônima de Merimée, onde tudo se originou.

O cineasta espanhol Carlos Saura, por sua vez, a transportou para as telas traduzida em danças flamencas. Contando com a participação emblemática do bailarino Antônio Gades, que interpretou Don José, Saura mesclou ficção e realidade, dentro de um contexto cinematográfico. E explorou, o quanto pode, a sensualidade da dança flamenca, para obter um melhor retrato de Carmen.

A Carmen mais contemporânea foi rodada, também na década de 80, pelo cineasta francês Jean Luc Godard (diretor do polêmico Je Vous Salue Marie e Acossado.). Na película francesa, Carmen é uma guerrilheira urbana, assaltante de bancos, longe de suas tradições ciganas. A obra, hermética e deslocada de seu contexto original, somente pode ser associada à ópera, pelo título: Prenome Carmen. E um e outro traço característico que porventura tenha sobrevivido às transformações inventivas imposta pelo cineasta.

A indústria hollywoodiana também produziu a sua Carmen Jones, uma versão com solistas, coristas, costumes e ambientação negra.
O cineasta que mais se ateve ao libreto foi o italiano Francesco Rossi. Sua Carmen, como as demais, da década de 80, se limitou, em termos de concepção e liberdade de criação, a tirar a montagem dos palcos e transportá-la para as ruas de Sevilha, onde se desenrola a trama.

Eu conheço uma Carmen e vocês têm uma Carmen em suas vidas?
Beijus,

...em quietude, sem solidão

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