«Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam:
O que você quer ser quando crescer?
Hoje não perguntam mais.
Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.»
Fernando Sabino
Quando a
Mylla Gavão propôs uma blogagem coletiva nos dias 04 e 05 do presente mês, em comemoração aos 6 meses de existência do "
Vidas Linha" com o tema:
Uma experiência marcante de minha vida - Parei para pensar o que seria 'marcante', se tudo faz parte da própria vida e nela se dilui?
Por ter vivido intensamente todas as minhas fases, não posso reclamar da vida! Houveram mais alegrias que tristezas. Estas sempre estiveram agregadas a morte de um ente querido: na minha infância a perda de meu pai e no início da adolescência, a perda de uma amiga de infância - minha irmãzinha, a minha companheira de traquinagens.
As traquinagens seguiram mesmo assim e andei pelo mundo, conheci outras pessoas, outros lugares, culturas, povos - corri riscos de vida e duas quase morte.
Quando alguém morre, você é forçado a aceitar o acontecimento. A morte é coisa da vida! Mas e quando você sente a pessoa morrer somente para você? Isto acontece também quando paramos de confiar nesta pessoa - o que me fez rever todo o meu conceito de vida e perder a inocência.
Vocês podem me dizer, as pessoas não são iguais! Pois não são mesmo! Até porque os valores de lealdade são diferentes de pessoa para pessoa e o que carrego em mim, se choca!
E lembrando dos fatos, fiquei cheia de lágrimas - lágrimas que não saem. Lágrimas encurraladas, que se empurram nos olhos porque o coração frio, gela as lágrimas, não deixando que elas saem. Custa-me escrever isto, porque na realidade não gosto de falar de coisas tristes e de estar assim. Não adianta fingir, não adianta enganar-me que está tudo bem, que já esqueci. Custa-me viver certas situações. Não é algo que eu possa ou consiga mudar assim com um estalar de dedos. São caminhos que se tem que percorrer, daqueles com apenas uma via e que não permitem inversão de marcha. Faz-me bem despejar o recipiente das emoções aqui.
E apesar de, a vida tem me ofertado muitos momentos especiais, de quase felicidade.
«Você já parou para pensar a quantidade enorme de pessoas que reclamam... Pois é, já se deu conta de que você e eu também fazemos parte deste enorme contingente de pessoas?»
Você pode parar para pensar e perceber que o que você reclama nas pessoas pode se tratar de uma deficiência sua em achar que tudo tem que ser perfeito. E porque as pessoas precisam ser perfeitas?
«Somos HUMANOS, portanto, como a própria palavra diz: HUM (um), MANO (irmão). Os sinais, as mensagens, estão na nossa frente e muitas vezes não as conseguimos ver. Sabe por quê? Eventualmente porque estamos com o nosso corpo cheio de mágoa (má água). Se o nosso corpo é 70 % água (líquido), imagine o que viramos... água podre. Quer mudar tudo isso? Então perdoe do fundo da alma. Faça sempre a boa intriga. Propaguemos coisas boas...»
Então já está dito e sem mexericos - estou trabalhando isto! São etapas de vida que se finalizaram, onde desfiz das trivialidades e percebi que a vida tem coisas tão mais importantes e que nós humanos nos preocupamos com imbecilidades! E quando nos colocamos diante da morte ou quase morte - sim, quando uma tragédia acontece, colocamos os pés no chão.
E digo mais, os gatos é que sabem gerir e viver a vida e, como dizia na contracapa de um dos livros do Saramago:
"Ainda não está provado que um Gato é um bicho!"