Esporte Radical II

Meu amigo, desejo, com toda a sinceridade, que o seu internamento no Hospital tenha corrido bem.

Brincadeira, eu não torci o pescoço do gato!
Minha vizinha vai embora amanhã e não entendo uma pessoa sair de casa pra relaxar e carregar todos os gatos da casa.

Dedo doente! As pets não dão banho em gatos. Não aqui. Resolvi fazer a gentileza na minha casa por ser mais viável, ficaria mais à vontade por envolver ferimentos ligeiros, graves ou inclusive a morte do praticante. Tenho calma, paciência e coragem. E adoro os animais! Gosto de lembrar de quando criança embebedava os gatos da casa ou ainda quando pintava-os com pó xadrez, em cores berrantes, só para assustar a vizinhança. A adrenalina vale qualquer coisa na vida.

Em primeiro lugar, aconselhamos vivamente o uso da banheira para banhar a fera. Em segundo lugar, não podemos dizer qual a indumentária mais correta para este tipo de esporte, uma vez que cada gato tem a sua personalidade própria. Se estivermos perante um felino rebelde, altruísta e maníaco-depressivo, tanto pode ser aconselhado o uso de luvas grossas e bastante forradas, como não usar nada. Por isso, vamos tentar ensinar-lhe o método simples, tendo em consideração a árdua luta psicológica que qualquer esporte, envolvendo gatos, engloba.

Respire fundo. Acenda um incenso de Jasmim pela casa. Coloque o concerto para violino de Tchakovisky para tocar bem alto. Relaxe. Desiniba-se e liberte-se de pensamentos impuros. Qualquer banho de gato é somente uma luta pelo poder da mente. Ganha a personalidade mais forte, a mente mais ágil.

O violino já começou a tocar? Repare que o seu gato está relaxado. Repare como ele ouve o som do violino e se deixa seduzir pela melodia. O seu gato, neste momento, sonha que está num lindo jardim, cercado por deliciosos passarinhos que chilreiam. Deixe-o sonhar.

Agora dirija-se, de forma descontraída e relaxada, ao banheiro. Coloque no chão uma toalha de banho grande (aquela de medida cinco vezes maior que o gato). Retire de cima das prateleiras qualquer objeto cortante ou quebrável. Feche a banheira e deixe correr água tépida. Basta encher vinte centímetros de banheira. Entretanto, vista-se com roupa confortável. Prepare-se para jogá-la fora, após este banho.

Sente-se no vaso sanitário e leia um livro. O seu gato já veio ter consigo, não foi? Esses sacaninhas gostam de nos invadir nos momentos de privacidade mais íntima, não é? Não faça caso. Agora levante-se e puxe o autoclismo. Represente e nunca se esqueça que o segredo da arte dramática está na descontração do ator, na espontaneidade implícita! O ato de puxar o autoclismo e fechar porta do banheiro não deve durar mais que cinco segundos, correndo o risco da fera fugir do seu alcance. Não resultou? Então corra atrás da sua amostra de tigre pela casa. Eu aguardo!

Tenho de lhe dizer que…peço desculpa mas tem de ser… essa ginástica anda muito mal! O seu gato está em muito melhor forma! Corra, mexa-se, salte, deixe-o entre a espada e a parede e apanhe-o! Já está? Pronto…vamos lá então de fera em punho para o banheiro! Tem mais gatos? Bem, nesse caso, eu aguardo que os prenda todos no banheiro. Nem pense em dar banho a um deles com os outros soltos! Nunca mais os vê…

Está a selva toda fechada no banheiro? Então pegue no gato mais calmo, para servir de exemplo aos outros todos! Esse será o gato teste…o gato cobaia da nossa aula radical!

Pegue ele ao colo, falando-lhe ao ouvido com voz doce e palavras meigas. Ao mesmo tempo faça-lhe festinhas. Diga-lhe: “Tenha calma. Vou pôr-te bonito, lavadinho. Vai ser o gato mais bonito do mundo”.
Note que estas feras condensadas são extremamente vaidosas. Qualquer conversa usando a frase “Vais ser o gato mais bonito do mundo” faz o felino acalmar e repensar a atitude.

Agora coloque-o de quatro, em pé, na banheira. Deixe-o sentir a água a entrar no pêlo. Vá molhando o lombo do animal aos poucos e continue a falar com ele ao som dos violinos do Tchaikovsky. O quê? Parou de tocar? Paciência! Agora não há nada a fazer. Não se larga um gato numa altura de forma alguma! Mas que lhe sirva de exemplo! Não o volte a fazer nunca! Continuando…

Massaje-o com o shampoo especial pêlo fofo. Deixe o shampoo atuar. Esperamos mais cinco minutos. Já passou! Retire o shampoo com o chuveiro suave e delicadamente. Prenda bem o gato. Cuidado com as garras nos braços, nos olhos, nas mãos, nas pernas…

Pegue no gato, esprema-o de forma delicada e coloque-o na toalha. Enrole-o tipo salame (isso também já ensinei) e faça-lhe festinhas. Entretanto os outros já perceberam que se aproxima o momento deles. Não se preocupe com isso agora. Seque o gatinho muito bem. Neste momento ele é um ser frágil, doce, carente. Aproveite este momento para lhe cortar as unhas, matar eventuais pulgas, etc.

Pode usar os passos anteriores para as próximas feras! Se tiver apenas um gato, desloque-se até ao sofá, ligue a televisão e coloque o gato no seu colo, ainda embrulhado, em posição de bebê. Faça-lhe festinhas e diga-lhe com voz doce e delicada: “Esta com um pêlo lindo, brilhante, sedoso e macio! Cheira tão bem! É um gatinho lindo!” Ele olha para você com olhos de raiva? Amargurado? Não se incomode, continue a usar estas palavras. Isso passa!

Se conseguiu terminar esta lição sem quaisquer tipos de ferimentos, considere-se licenciado. Se, infelizmente, por qualquer motivo alheio à professora, está se transportando para a ambulância, tenha calma. Tudo se resolve na vida com calma e … um gato é um gato!

Não sei o que esse aí pensava. Mas com certeza estava muito chateado! Ou pensava: Vai sobrar pra mim!

Beijus,

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