Vida Simples


Qual dessas pérolas é a mais valiosa?

Qual dessas notas é a mais importante?

Como disse Vinícius: "Não há amor sozinho. É juntinho que ele fica bom".

Blogando junto com Mila's Ville em "Vida Simples". 
Vem blogar com a gente!

O abstrato do tempo.

O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Trecho do poema "Burnt Norton" de T.S.Eliot em "Quatro quartetos"


Este blogue completou ontem, um mês da perda de sua leitora mais ilustre, mais opinativa, exigente e que decidiu também editar postagens - um mês que minha mãe faleceu e que, como uma criança, penso que ela foi ali e já volta ou que está fazendo uma viagem. Indo mais além, ouço pessoas que me falam que ela está lá com papai do céu ou que virou uma estrelinha - Está lá no alto brilhando, piscando pra mim!

O poema de T.S.Eliot citado acima, faz parte de um conjunto de quatro poemas que foram editados separadamente e escritos entre as duas grandes guerras, para depois se juntarem, formando as "Quatro Quartetos". Cada poema possui uma voz e trata, cada um deles dos elementos água, terra, fogo e ar, unidos por uma quinta-essência - os lugares da memória.

"Burnt Norton" questiona o porque de matutarmos tanto entre o que poderia ter sido e que não foi. Essas duas realidades simultâneas de pensamentos que impera no invisível das ações - Não agimos ao estarmos presos na ciranda do pensamento, nos comportamos como crianças que em uma hora brincam no jardim e em outra hora, se escondem atrás dos arbustos.

Por fim, nada mudaria o que deveria de ser. Não importa os "insights"; o destino não muda, mas gostamos de ter um enredo para o nosso 'controle' ou para preencher o espaço deixado entre o começo e o fim das nossas vidas.

Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstração

Permanecendo possibilidade perpétua

Apenas num mundo de especulação.

O que podia ter sido e o que não foi

Tendem para um só fim, que é sempre presente.

Ecoam passos na memória

Ao longo do corredor que não seguimos

Em direção à porta que nunca abrimos

Para o roseiral.
As minhas palavras ecoam

Assim, no teu espírito.

Mas para quê

Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa

Não sei.

.........................
Vai, vai, vai, disse a ave; o gênero humano

Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro

O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente.

Continuação do poema "Burnt Norton"

...em quietude, sem solidão

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Algumas coisas não têm preço

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