A terra é azul



A criança pinta o branco de azul sem cerimônia e instintivamente. Azul é a cor da água do mar, da lagoa, do rio, do céu, do ar...

Pois não é que tudo parece azul?



A criança olha
para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
quer tocar o céu.

Não sente a criança
que o céu é ilusão:
Crê que não o alcança,
quando o tem na mão.
(Manuel Bandeira)



Visto da terra, o céu é azul.
Vista do céu, a terra é azul.
Será o azul uma cor em si
Ou uma questão de distância?
Ou uma questão de nostalgia?
O inatingível é sempre azul.
(Clarice Lispector)



A minha esperança mora
No vento e nas sereias –
É o azul fantástico da aurora
E o lírio das areias.
(Sophia M. B. Andresen)



Azul é a minha cor e já coloquei azul em tudo ao meu redor! Até mesmo, tenho um amigo que coloquei apelido de "Azul" - Que virou nome. Todo mundo conhece ele como "Azul". E Foi "Azul" que me deu a dica do site "Idée Labs".

Neste site, existem basicamente 3 opções de ferramentas para brincar com as imagens online. Na primeira, dentro de uma paleta de cores, você pode escolher no máximo 10 tons das cores que preferir e montar mosaicos, como fiz acima, com fotos do flickr. Eu escolhi somente tons de "Azul", lógico.

Nas outras opções da ferramenta, você pode escolher uma imagem que esteja disponível no site ou baixar fotos do seu computador, que aleatoriamente são procuradas imagens contendo os mesmos tons da sua imagem para formação do mosaico.

Você não precisa parar na formação dos mosaicos. Clicando em cada um dos quadrados, você chega ao link original da imagem e existem outras ferramentas agregadas a este link. Para quem gosta de passar o tempo olhando/brincando com imagens ou mesmo fazer uma coleção de fotos bacanas!



*A frase título do post "A terra é Azul" é uma referência as palavras ditas pelo astronauta russo Yuri Gagarin, quando ainda major pronunciou com assombro, a referida frase. Por feliz coincidência, foi no dia 12 de Abril de 1961 que essa frase foi proferida.

Hoje é comemorado o aniversário da missão.

Enquanto ele estava no espaço, a bordo da cápsula Vostok I, sua mãe, a camponesa Anna Tommoffevna, atônita, ouvia a notícia pelo rádio e não se cansava de repetir "O que ele foi fazer? O que ele foi fazer?" - A resposta: Ele tinha acabado de entrar para a História.

Ele voltou da órbita, cheio de impressões sobre a terra vista de longe e deixou os americanos perplexos. Virou herói internacional com aura de mito, ao transpor as fronteiras do globo, acirrando a Guerra Fria de tecnologias e egos travada entre EUA e URSS.

A corrida espacial não era apenas uma questão de prestígio. Estavam em jogo pesados interesses militares e, na década de 60, já se operavam, por exemplo, satélites encarregados de detectar explosões nucleares. Independente da nacionalidade, toda a Humanidade seria beneficiada por outros tipos de engenhos orbitais. Um desses, o Telstar I, tornou possível a primeira transmissão transatlântica da televisão, em Julho de 1962, quando os franceses puderam ver, durante alguns minutos, o presidente americano John F. Kennedy do outro lado do globo.

Yuri Gagarin, pioneiro de todo o trânsito planetário, morreu em 1968 em um acidente de avião, sem saber que o homem alcançaria, enfim, a lua.

Era o sonho deste astronauta pisar na lua. Haviam outros sonhos, de outros homens em prol da humanidade. John F. Kennedy em seu discurso de posse na presidência dos EUA, havia pronunciado:

"Não pergunte o que seu país pode fazer por você, e sim o que você pode fazer pelo seu país (...) Que os dois lados busquem as maravilhas da ciência em vez de seus horrores. Juntos, vamos explorar as estrelas, conquistar os desertos, erradicar as doenças, chegar às profundezas do oceano e estimular as artes e o comércio".

O sonho não acabou. Sonhar é querer tudo "Azul"- Um mundo blue pra você!

Está postagem é parte integrante do encontro de blogueiros e amigos, para tornar a blogosfera mais colorida: Nesta segunda-feira a cor é azul. Participe!! Vem tomar café e comer bolo com a Glorinha!!

Da janela lateral...



Hoje quando o sol despontou no horizonte, imaginei que todo o dilúvio do dia/noite anterior teria acabado. Sol lá longe, céu limpinho... Qual nada! A chuva veio sem aviso e espaçadas no decorrer do dia - O vento forte juntava as nuvens, resultando num festival de água e vento.

Mas antes de amanhecer esse dia lindo, a previsão do tempo avisava que durante a noite teríamos rajadas de ventos fortes e por isso, recolhi tudo que circulava as vidraças. Mesmo assim, a água descia pelos vidros como cachoeira, o vento fazia pressão, dando o efeito de que os vidros eram de plásticos ao se moverem.



Normalmente este estúdio mostra um visual melhor - céu, mar, dunas de areia e praia. Nunca visualizei um naufrágio, apesar de saber que eles sempre acontecem com os barcos pequenos de pesca. Com toda a ventania e mal tempo lá fora, eu estava protegida e mesmo estando confortavelmente agasalhada, no aconchego do meu lar, não estava alheia ao que estava acontecendo lá fora; sabia que muitas pessoas estavam debaixo de chuva, agoniadas com a possibilidade da perda de um ente querido.

Existem culpados para as tragédias sucessivas, decorrentes da chuva no Estado do Rio de Janeiro?

Não adianta dizer que foi somente a má educação, o papel de bala jogado na rua que provocaram as enchentes - apesar deste fator contribuir para o entupimento dos bueiros, não foi somente este fator responsável pelo que aconteceu no Rio de Janeiro. Conforme comentei no blogue da Geórgia, esta enchente é atípica, fugindo dos motivos que causam normalmente as enchentes.

Temos que nos acostumar com as chuvas torrenciais nesta época do ano. Moramos em um país tropical e a culpa também não é da natureza; esta age por instinto, por sincronicidade de causas e efeitos e quem deve pensar racionalmente é o homem.

Porque pessoas ocupam áreas proibidas para moradia? Porque a cidade do Rio de Janeiro ainda não possui um plano diretor de drenagem? - Para se evitar esse tipo de tragédia no futuro, são necessárias obras estruturais e mais fiscalização das prefeituras, principalmente com a construção de obras em locais impróprios. Portanto, a culpa é toda do Estado e a pergunta é: quem vai arcar com o prejuízo?

"Os deslizamentos foram causados por escorregamento de massa nas encostas, ficando flagrante que as construções não obedeciam às normas técnicas de construção e feriam gravemente a estrutura geológica do terreno " Coronel Sérgio Simões, subsecretário de Defesa Civil - Alô, técnicos das pastas de Urbanismo e de Meio Ambiente! Vamos trabalhar, moçada!

Não é somente a população pobre que ocupa encostas dentro do Rio de Janeiro - Moradores abastados também as ocupam - só que a população carente, faz ocupação do terreno sem análise de solo, sem autorização para construção, dentro de um esquema de sobrevivência que resulta, invariavelmente, no custo de suas vidas.

Que saída tem a população carente?

Ela ocupa o terreno desordenadamente e do modo que lhe cabe, aquele que está 'disponível', se o Estado não destina locais específicos. Habitação digna é dívida social. Porém, governantes e chefes de pastas que são pessoas racionais, 'preparadas' para seus cargos e sabedores de que nada substitui a permeabilidade natural do solo, revestem esse solo de concreto; Também cobrem riachos e córregos por construções e ao exercerem a permissividade, não podem criticar o cidadão que seguindo o mau exemplo do Estado, joga lixo no chão. Alô, educadores ambientais!

Neste vídeo, nos é repassado aquilo que os climatologistas dizem das mudanças climáticas, dos eventos extremos que acontecerão cada vez mais, com mais frequência e da ocorrência das chuvas fortes e secas prolongadas, devido as mudanças climáticas e como as novas tragédias podem ser prevenidas, com obras estruturais que deveriam obedecer o calendário de anos passados, para que não haja tanto comprometimento de vidas.

Não precisa ser especialista para saber que o Rio de Janeiro, situado entre o mar e a montanha, em dias de grandes chuvas, quando a água desce montanha abaixo em grande volume e encontra o solo revestido de cimento e galerias pluviais obstruídas, irá funcionar como uma banheira. Alô, poder público! Queremos obras estruturais, queremos um plano diretor de drenagem!

Clique na imagem para saber onde fazer doações para as vítimas da chuva no Estado do Rio de Janeiro.


Quanto a pergunta do Presidente Lulla, feita no término do encontro do G20 (02/04/2009): Vocês não acham chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?

- Quer que eu desenhe, sr. presidente?

"Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou...
(Você não quer acreditar)"

*Verso e título da postagem, da música "Paisagem da Janela Lateral" de Flávio Venturini.

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