Delírios reais



Hoje divaguei sobre coisas bizarras que lemos, vimos ou ouvimos. Principalmente as pessoas que lêem muito estão mais sujeitas a delírios; pois imaginei que julguei ter lido, outro dia, a seguinte notícia:

"um bandido ferido pela polícia fugiu do Hospital Souza Aguiar, na Praça da República, no Rio, para se encontrar com a namorada"

Até aí, tudo bem: Bandidos feridos pela polícia detestam ficar micados em hospitais quando têm coisa melhor para fazer. Mas esse não era um bandido normal. Era um bandido apaixonado! Trinta e seis horas antes, ele tinha sido baleado nas nádegas ao assaltar um casal na rodoviária. A bala lhe atravessara o corpo, perfurado o apêndice, provocado hemorragias nas paredes abdominais e saído pela virilha. Um dos estragos feitos pela bala em seu percurso fora no ureter, que é um canal que leva a urina dos rins para a bexiga. Ou seja, coisa braba.

Operado em uma cirurgia que levou 3 horas e que exigiu um corte enorme. Estava com as nádegas, virilhas, pernas e abdomem enfaixados, lembrando a múmia de Bóris Karloff. Ostentava ainda, uma sonda na bexiga e dois drenos no ureter. Estava algemado à cama e, no corredor, à porta de seu quarto, dois PMs.

Apesar de tudo isso, o bandido livrou-se das algemas, sondas, drenos e dos PMs que comiam moscas no corredor. Desceu cinco andares pela escada e fugiu pela porta de emergência. Caminhou vários quarteirões até um Hotel na Rua Frei Caneca, encontrou-se com a namorada e só foi capturado quatro horas depois. Isto porque, depois dos PMs acordarem do torpor, sentiram a ausência do Bandido e seguiram os pingos de sangue que levavam da cama do Hospital à cama do Hotel.

Não se sabe o que aconteceu nas poucas horas que o casal estiveram a sós no apartamento do Hotel... Mas o bandido se queixou de uma coisa:

"Minha namorada é muito jovem e temo não ter funcionado à altura de meus antigos padrões".

Voltando à história dos delírios...pensei ter lido a notícia em um dos jornais do Rio, mas não podia garantir. Primeiro, pelo total absurdo do caso: Desde quando um sujeito totalmente retalhado, cheio de sondas, fantasiado de múmia e pingando sangue foge tranquilamente de um hospital, anda pelas ruas da cidade sem ser incomodado e vai se encontrar com a namorada em um hotel? E, depois, porque a notícia acabou ali, naquele dia. Não houve suíte nos dias seguintes e nem a televisão se interessou por ela. Conclui que ela devia ter brotado da minha imaginação e nunca ter acontecido. Provavelmente, naquele dia, antes de acordar, eu tivesse sonhado que estava lendo o jornal e justo aquela notícia.

Horas depois, já desperta e tendo lido dois ou três jornais, eu me confundira e me convencera de que a notícia não existira e o fato não acontecera. Fiz "Brrrr!!!!" intimamente e achei que precisava me cuidar.

Até que hoje, procurando na internet arquivos de jornais antigos, tive um choque. Lá estava ela: "Preso operado e todo enfaixado foge do hospital para ver namorada". Vibrei ao constatar que não havia delirado!

Mas fiquei me perguntando: Se eu não delirei, quem mais delirou? A namorada, o bandido, o hospital ou os PMs?

Beijus,

Beijus, futebol, fotografia e tertúlia

...o quanto te amei antes de te conhecer.



Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. Era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida. Era o teu rosto. Era a tua pele. Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade. (José Luís Peixoto)


a cabeça do futebol
Em tempo: A Laura-Elianne Diz de Abreu do blogue Caminhar, convida à todos que estiverem no Rio de Janeiro, nesta Segunda-feira, para o lançamento do Livro “A Cabeça do Futebol” (Ed. Casa das Musas, de Gustavo de Castro, Samarone Lima e Carlos Magno Araújo - 166 págs - R$ 25) - Dia 15 - Livraria Travessa – Barra Shop, 19h30


O livro já foi lançado em Recife e São Paulo. E após o lançamento no Rio, também será lançado em Brasília e Natal, nos dias 19 e 26 de Junho respectivamente. O livro consolida o encontro de personalidades do esporte ou não, entre eles: Fabrício Carpinejar, José Roberto Torero, Juca Kfouri, Raimundo Carrero, Juremir Machado da Silva, Fernando Monteiro, Daniel Piza, Vladir de Sá Lemos, Inácio França, Luiz Zanin Oricchio, Luiz Martins da Silva, Klecius Henrique, Selma Oliveira, Josmar Jozino, Hilário Franco Jr., Humberto Werneck, Sérgio Xavier Filho, Abel Menezes, Moacy Cirne, José Castello, Rubens Lemos Filho, Elianne Diz de Abreu, Edmundo Barreiros e Xico Sá e um estrangeiro, o espanhol Enrique Vila-Matas.

São crônicas, contos, poemas, ensaios...tendo o futebol como tema e com várias participações ilustres, entre elas, como puderam constatar acima, a própria editora do blogue Caminhar. [+ informações] - Parabéns pela publicação, Laura!!

luzdelumaAs pessoas que conheço fotografam coisas (?) e momentos. Profissionais ou não, o intuito é sempre o mesmo. A fotografia é também o registro da história, mas quando estamos fotografando dificilmente pensamos nisso, o prazo máximo é ter material para mostrar para os netos e o mais perto, para os amigos, o que não deixa de ser contar uma historinha por trás de cada foto.

Como tirar a melhor foto sem precisar de teorias, truques, técnicas ou equipamentos sofisticados?

Aos nossos olhos, tudo o que os profissionais da fotografia fazem parecem mágicas, técnicas de ilusão e iluminação dando iconoplastia, visão e habilidade artística.

Não são mágicas e para cada tipo de imagem, o tratamento muda. Quem é profissional sabe que para tirar fotografias de animais selvagens, paisagens vívidas, branco e preto granulado, vinhetagem tipo foto antiga...não basta empunhar uma máquina.

"Leve à sério a brincadeira, tire fotos como se fosse o seu trabalho. Envolva-se com o seu alvo!" Conselho acatado! Este conselho não é meu! Certa vez, Dan Winters; considerado um dos melhores fotógrafos de retrato do mundo, contou que antes de clicar o Dalai Lama, descobriu que ele gostava de consertar relógios de bolso e isto rendeu boa conversa antes da tirada das fotos, afinal, relógios e lentes possuem a mecânica bem parecida. Eles ficaram um bom tempo conversando sobre relógios e câmeras, a conversa fluiu e a confiança também. Foram as mais espontâneas fotos que tiraram do Dalai Lama.

Manipular gente é mais difícil que objetos inamimados e o que se cria tem muito a ver com o modo que você interage com o alvo de sua foto.


A casa da Michelle

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a casa da mãe,
a casa da irmã,
e a minha casa.
Sim, existe alguma coisa em comum nestas casas. Descobriu?

A casa do pai

Seja a casa com portas só de abrir,
Sem grades nas janelas e sem aço.
E que nos aconchegue em cada abraço
Sem nunca ser abraço de ter de ir.

Seja a casa de estar, não de partir.
Que nos aceite, mortos de cansaço,
Com um beijo de amor por cada passo
Dado em muitos regressos, sem sair.

Uma casa que nunca nos pergunte
Que outras casas buscámos e que telhas.
Que toda a gente à porta se nos junte

(Quando algum dia a vida nos demore)
Com um ramo nas mãos - rosas vermelhas.
Mate o bezerro gordo, mas não chore.
(Daniel de Sá)


"Que lugar te faz sentir em casa"? As respostas estão acima!

Este é o tema do Tertúlia Virtual do mês de Junho. Participe!!

Boa semana!
Beijus infinitos de gostares infinitos [2]

...em quietude, sem solidão

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Algumas coisas não têm preço

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