Crônicas do Afeto

"Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado"(Goethe)

Hoje o blogue "Crônicas do Afeto" completa dois anos de existência e o Brunno Soares seu editor, convidou blogueiros amigos para participar da festa, postando em seus blogues posts (crônica, texto, foto, poema) relacionados a alguém, uma lembrança ou experiência ligada ao afeto, seja por paixão, amor, amizade ou simpatia.

Como o Brunno é uma pessoa generosa, nos deu de presente um Cronicast - Se não escrevo, não vivo! Baixe aqui.

Lembro que quando era criança e ficava contrariada, me escondia no telhado da minha casa e pensava que ninguém soubesse que eu estava lá. Me sentia bem, olhando tudo lá de cima, sem ter a noção de que o mundo fosse tão grande e depois que resolvia as minhas contrariedades, descia. Até que um dia descobri que todos em casa, sabiam que eu ia para lá. Perdeu a graça! Não fui mais para o telhado e fiquei sem lugar para falar com meus botões.



Nesta época, tinha acabado de perder meu pai e queria poupar a família de aborrecimentos. Não me sentia filha ou irmã. Tinha nascido quando a minha mãe já estava quase na terceira idade - bem rapinha do tacho - e meus irmãos todos criados. Achava mesmo que a minha mãe era a minha avó e os meus irmãos, meus tios. Tinha o mesmo pesadelo repetidas vezes e acordava assustada. Com a perda do meu pai, compreendi o valor da família e a importância de nos mantermos sempre unidos.

Falando um pouquinho da minha mãe: Sei que não é normal uma mulher ter filhos em idade tão avançada, tanto hoje em dia como antigamente, mas a minha mãe sempre fez tudo diferente! Foi a primeira filha a trabalhar fora de casa, a recusar um casamento arranjado para depois, já com seus 35 anos se apaixonar por um homem 15 anos mais novo e brigar com toda a família por causa deste amor. Isto, na década de 60. Estes foram apenas alguns exemplos, ela fez muito mais.

Meus pais foram muitos felizes por quase 25 anos e quando ele se foi, mamãe acumulou responsabilidades e se tornou mais durona. Meus irmãos à época já eram universitários ou entrando no mercado de trabalho. Eu, virei a filhinha da mamãe, mas não cheia de dengos e sim uma sombra dela, seu espelho.

Fazia tudo para não deixá-la aborrecida, por achar que já tinha responsabilidades demais e porque vez ou outra, a observando escondida, via que chorava. O meu maior medo passou a ser o de perder a minha mãe e todas as vezes que ela adoecia, eu pirava. Porém sempre aparecia alguém para dizer "Sua mãe é uma mulher forte, vai enterrar a todos". Eu rogava por isto.

Nestes últimos anos, pouco a vi. Não me desliguei dela, os laços de afeto estão presentes, mas agora temo que não vou tê-la por muito tempo. Ela está hospitalizada e viajo neste feriado para vê-la. Espero voltar com boas notícias, mesmo sabendo que o estado dela é grave.

Me desculpe, Brunno. Usei um dia de comemoração para falar de algo triste, porém de puro afeto!

Este texto não foi revisado e não farei, porque se faço, não publico. Vou deixar o texto abaixo, para que reflitam:

Os pais envelhecem

Talvez a mais rica, forte e profunda experiência da caminhada humana seja a de ter um filho.
Plena de emoções, por vezes angustiantes, ser pai ou mãe é provar os limites que constituem o sal e o mel do ato de amar alguém.
Quando nascem, os filhos comovem por sua fragilidade, seus imensos olhos, sua inocência e graça.
Basta vê-los para que o coração se alargue em riso e cor.
Um sorriso é capaz de abrir as portas de um paraíso.
Eles chegam à nossa vida com promessas de amor incondicional.
Dependem de nosso amor, dos cuidados que temos.
E retribuem com gestos que enternecem.
Mas os anos passam e os filhos crescem.
Escolhem seus próprios caminhos, parceiros e profissões.
Trilham novos rumos, afastam-se da matriz.
O tempo se encarrega da formação de novas famílias.
Os netos nascem.
Envelhecemos.
E, então, algo começa a mudar.
Os filhos já não têm pelos pais aquela atitude de antes.
Parece que agora só os ouvem para fazer críticas, reclamar, apontar falhas.
Já não brilha mais nos olhos deles aquela admiração da infância e isso é uma dor imensa para os pais.
Por mais que disfarcem, todo pai e mãe percebem as mínimas faíscas no olho de um filho.
É quando pais, idosos, dizem para si mesmos:
Que fiz eu? Por que o encanto acabou? Por que meu filho já não me tem como seu herói particular?
Apenas passaram-se alguns anos e parece que foram esquecidos os cuidados e a sabedoria que antes era referência para tudo na vida.
Aos poucos, a atitude dos filhos se torna cada vez mas impertinente.
Praticamente não ouvem mais os conselhos.
A cada dia demonstram mais impaciência.
Acham que os pais têm opiniões superadas, antigas.
Pior é quando implicam com as manias, os hábitos antigos, as velhas músicas.
E tentam fazer os velhos pais se adaptarem aos novos tempos, aos novos costumes.
Quanto mais envelhecem os pais, mais os filhos assumem o controle.
Quando eles estão bem idosos, já não decidem o que querem fazer ou o que desejam comer e beber.
Raramente são ouvidos, quando tentam fazer algo diferente.
Passeios, comida, roupas, médicos - tudo passa a ser decidido pelos filhos.
E, no entanto, os pais estão apenas idosos.
Mas continuam em plena posse da mente.
Por que então desrespeitá-los?
Por que tratá-los como se fossem inúteis ou crianças sem discernimento?
Sim, é o que a maioria dos filhos faz.
Dá ordens aos pais, trata-os como se não tivessem opinião ou capacidade de decisão.
E, no entanto, no fundo daqueles olhos cercados de rugas, há tanto amor.
Naquelas mãos trêmulas, há sempre um gesto que abençoa, acaricia.

* * *
A cada dia que nasce, lembre-se, está mais perto o dia da separação.
Um dia, o velho pai já não estará aqui.
O cheiro familiar da mãe estará ausente.
As roupas favoritas para sempre dobradas sobre a cama, os chinelos em um canto qualquer da casa.
Então, valorize o tempo de agora com os pais idosos.
Paciência com eles quando se recusam a tomar os remédios, quando falam interminavelmente sobre doenças, quando se queixam de tudo.
Abrace-os apenas, enxugue suas lágrimas, ouça suas histórias (mesmo que sejam repetidas) e dê-lhes atenção, afeto...
Acredite: dentro daquele velho coração brotarão todas as flores da esperança e da alegria.

Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v.13, ed. Fep.
Publicado em 10.07.2009.

Na trilha do Guará Vermelho, Scarlet Ibis, Endocimus ruber...

Heróis da Resistência, foi com esse título que o Globo Rural iniciou uma matéria onde relata como o Guará vermelho, tornou-se vítima de sua própria beleza e personagem símbolo da recuperação ambiental de Cubatão.

Guará vermelho
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Lembrei de quando pude conferir de pertinho essa ave, numa época em que a sua cor fica mais intensa, entre os meses de Agosto e Setembro. As fotos que tenho são de anos atrás e não condizentes com tanta beleza, portanto, também resgatei algumas do flickr para ilustrar a postagem.

A História conta que Padre José de Anchieta tinha o dom de falar com os animais e que também dominava os elementos naturais. Em uma de suas viagens de catequese, encontrou um bando de aves vermelhas e as chamou para proteger os irmãos do sol causticante, a ave em questão: o guará vermelho.

Independente das histórias e lendas que nos contam, a natureza sempre foi muito generosa e não economizou nas cores do manguezal de Cubatão. A cidade que sofreu o estigma de ser considerada a mais poluída do mundo, percorreu o caminho inverso, recuperando sua flora e fauna. Tanto que, até mesmo o mais famoso dos moradores do mangue, o guará vermelho - que corria risco de extinção - voltou, reconhecendo ali um ambiente seguro para se procriar.


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A colônia cresceu e já tem mais de 500 aves. Elas podem ser observadas em um passeio de barco, com duração de três horas, partindo da Ilha Caraguatá e a visão é um estímulo para os olhos. Está é a única população de guarás fora da região que compreende o Amapá e o Maranhão. Mas é apenas uma das 195 espécies de pássaros encontradas no manguezal de Cubatão. Por lá voam também colhereiros, garças brancas e azuis, binguás, socós, quero-queros, talhamares, entre outros.

Parece impossível para a cidade que foi símbolo de poluição em 1983, ter sua recuperação reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) e da mesma forma, os animais também perceberam essa recuperação e agora colorem o que chegou a ser um lugar sem vida.



O melhor horário para observar os guarás é na hora da alimentação e basta consultar a tábua das marés para saber a hora da maré baixa. Por ser difícil de chegar perto deles é necessário uma tele-objetiva para fotografá-los. Possuem um tamanho médio de 60 centímetros e mesmo ao longe são inconfundíveis.

São aves carnívoras que se alimentam de caramujos, insetos e caranguejos, andam vagarosamente na beira da água com a ponta do bico submersa, abrindo e fechando a mandíbula rapidamente em busca do alimento. A preferência por esse tipo de alimento, explica a presença dos guarás em manguezais, como o de Cubatão.

Durante a época de reprodução, várias fêmeas ficam ao redor do macho, que procura uma área onde, mais tarde, ficará o ninho, normalmente construído nas árvores típicas dos manguezais. Neste período, o bico do macho torna-se negro e brilhante. As fêmeas possuem o bico mais fino e a mantêm a cor inalterada, sempre parda e com a ponta enegrecida.

O tom vermelho-carmesim das plumagens só se evidencia nos animais adultos e os mais novos possuem uma coloração pardo-cinzenta nas penas superiores e quase branca nas inferiores.

Se o guará deixa de se alimentar de crustáceos a produção de pigmentos vermelhos cai e sua plumagem fica parecida com a cor das aves mais jovens - este fenômeno é comum em pássaros em cativeiro que têm uma dieta diferenciada das aves em seu habitat natural.



Um vermelho intenso que contrasta com o verde. Parece sangue saindo da terra, até que você se aproxima e ao alçar voo, você simplesmente se cala.

Visite o flickr para apreciar mais imagens do Guará Vermelho - Deixei de publicar fotos lindas no post porque algumas possuem restrições à distribuição pública. Atentem para este detalhe - publicar imagens sem referência ou permissão do autor é configurado plágio. Quer evitar que suas imagens sejam plagiadas? Leia este artigo.


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Este texto é parte integrante do encontro de amigos e blogueiros promovido pela Glorinha do Blogue Café com bolo: "Colorindo a Vida". Hoje a cor escolhida é vermelho ou vinho, escolha a sua e participe! Vamos colorir a blogosfera!

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