Baile de Formatura [update]

formatura
Eu não sonhei
que você estava linda.
Eu realmente fui ao baile
e vi você de relance, linda,
de uniforme de normalista,
e seus olhos eram olhos
de uma mulher enamorada,
parecida com a Malu Mader.
Sentindo frio em minhalma,
procurei o bar
p’ra tomar cuba-libre e coragem.
Quando voltei pro salão
você não estava.
Tinha casado e mudado.
Ainda havia flamingos,
viagens sentimentais,
encantamentos, convites,
damas apaixonadas,
sofisticadas e vagabundas,
a quem amei, mesmo sabendo
que isso não pode ser amor.
Não adianta me chamar
de irresponsável.
Eu estava me sentindo um tolo

por querer você.

Ainda assim, tive luas azuis,
luas pálidas,
luas brilhando sobre
cidades desconhecidas
e um caso para relembrar
e esquecer,
e novo tempo de partir
e o que será, será,
as luzes da cidade
refletindo
um sorriso na lembrança,
um certo sorriso de verão,
cerca de meia-noite,
um sorriso de velhos amigos
embora estranhos no paraíso,
e esse sorriso reacendeu
minha velha chama:
eu dançaria a noite inteira
de rosto colado,
dançando no escuro
canções de setembro,
dançando na chuva,
nas areias da maré baixa,
mas você ainda não estava
dançando a melodia imortal,
você era uma estrela
piscando acima do arco-íris,
e de repente havia fumaça
em seus olhos,
amores clandestinos,
minha garota melancólica,
até nosso reencontro,
mas depois daquela última dança,
corpo e alma,
nunca mais seremos os mesmos.

Hoje a canção é você
e eu estou feliz
por ser infeliz nessa fascinação
entre folhas mortas,
gardênias azuis,
serenatas ao luar,
canções da Índia,
cartas de amor...
With a song in my heart
eu te esperei vinte anos,
acordado e triste,
no salão silencioso e apagado.
Você mudou, noite e dia,
mudou suave e adoravelmente,
e ainda tem os mesmos olhos,
olhos de mulher apaixonada,
olhos de Malu Mader,
e agora, por causa de você,
por tudo que você é,
eu posso finalmente sonhar
que durante todo esse tempo
você não flertou com ninguém,
e que olha só para mim,
meu amor,
meu par.

Aldir Blanc: A poesia que é música duas vezes

Aldir mistura a tradição que começa com Catulo, passa por Orestes Barbosa e Caymmi, chega a Vinícius e desemboca em autores modernos como Fátima Guedes, Cazuza e Renato Russo.

A resposta que Aldir dá ao tempo é exatamente a sua permanência no tempo. Num país com típica cultura de superfície, como o Brasil, vencer essa superficialidade não uma ou duas vezes, não um ou dois anos – mas mantendo-se por mais de 30 como respeitada unanimidade quando o assunto é a qualidade literária dentro da MPB, convenhamos, isso não é para qualquer um [leia mais]

Este poeta carioca, fez parte do MAU (Movimento Artístico Universitário), que revelaria à música nomes como Ivan Lins, Gonzaguinha e Guinga. Ficou célebre através de sua parceria com João Bosco, que rendeu sucessos como “Linha de Passe”, “Mestre Sala dos Mares”, “Incompatibilidade de Gênios” e “Kid Cavaquinho”. Começou a compor com 16 anos, e acumula uma extensa obra, gravada por alguns dos principais artistas da música brasileira, como Elis Regina, Djavan, Edu Lobo e Simone. Membro politicamente ativo da classe artística, participou da Sombras, sociedade responsável pela defesa dos direitos autorais, além de ajudar a criar a SACI (Sociedade de Artistas e Compositores Independentes) e da AMAR (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes). Cronista talentoso, Aldir publicou diversos livros com destaque para “Brasil Passado a Sujo” [leia mais]

Aldir Blanc é também autor de livros, entre eles: "Rua dos Artistas e Arredores" (1979), "Brasil Passado a Sujo" (1993), "Vila Isabel - Inventário de Infância" (1996) e "Um Cara Bacana na 19 ª" (1996).

Este post faz parte da blogagem coletiva “Abra Aspas” para a poesia no seu blog… promovida pela Lunna Montez'zinny Guedes do Acqua. Para participar, escolha uma poesia para postar e fale um pouco do poeta. A intenção é deixar a blogosfera mais poética. Inscreva-se e participe!

[update] - 06:37hs - Ontem não consegui comentar em todos os blogues, mas li todas as postagens. Concluindo: O antigo e o novo caminharam juntos muito bem, conheci novos poetas e poetas antigos. O melhor da festa? Os blogueiros poetas, lógico!

13 comentários :

  1. Luma
    lindo post!
    tambem estou na blogagem coletiva do Abre Aspas!
    Já votaste?

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  2. oie
    tudo bom?
    Bonita Poesia!!!

    Vi o pudim do site que vc indicou, nossa, parece der delicioso...

    bjoooooooooooo

    angela

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  3. Oi, Luma ! Obrigado pela dica, mas indo só no link permanente da postagem (a datinha ao lado do número de comentários) a lata de lixo permanece desaparecida. Pra ver a lixeirinha deletadora de comentários só indo mesmo nas configurações e mudando de "janela pop-up" pra "página inteira". Aí a lixeira aparece, eu deleto o comentário-mané, e volto pra configuração "janela pop-up". Chatinho, né ? Duas ou 3 pessoas pelo menos já tiveram suas latas de lixo "abduzidas".
    Bjs de Copacabana ! 8)

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  4. Aqui onde eu comentei EXISTE uma lixeirinha deletadora !!!!

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  5. Luma,

    muitos beijos.

    Parabéns!
    Eliana

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  6. Parabéns pela divulgação.
    Voltarei aqui

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  7. Aldir Blanc é simplesmente maravilhoso. Sinto-me profundamente honrado porque fui homenageado por esta blogagem via Espaço Mensaleiro, da Eliana.
    Cadinho RoCo

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  8. Parabéns pela escolha do seu post Aldir Blanc merece ser lembrado sempre.

    Obrg. pelo link sobre as aguas.


    Bjs

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  9. Oi Luma ,
    muito lindo, adoro Aldir Blanc.
    Postei uma poesia de alguem ainda nao famoso.
    Gostei de participar, passei parte do tempo hoje lendo poesias. Muito bom.
    Bjussssssss querida.

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  10. Olá Luma, eu não conhecia o Aldir Blanc, obrigado pela apresentação :)
    Vou procurar conhecer as musicas dele, mas pela amostra, é mesmo genial.
    Queria (e ainda quero) participar da blogagem abre aspas, mas a falta de tempo está me impedindo =/
    Beijos!

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  11. Que lindo! Esse cara é muito fera... :)
    E assim, a música se fez poesia, e a poesia se fez música, casaram, e foram felizes para sempre!
    :)
    Beijos
    Ana
    www.mineirasuai.blogspot.com

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  12. Escolha mais que perfeita, Luma! Aldir Blanc é tudo de bom e muito mais. Essa poesia é lindíssima, mas eu me amarrei também no sujestivo par de sapatos, que é igualzinho ao da minha irmã, no seu baile de formatura, quando eu, ainda menina, entrei pela primeira vez numa festa com orquestra e tudo... Viajei!!!

    Beijão. Parabéns.

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  13. Parabéns pela escolha do poeta e pela blogagem coletiva,exclente tudo!
    Beijos
    http://sex-appeal.zip.net
    http://cara-nova.zip.net

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