Panasca



Algumas vezes lemos algo que não entendemos e normal é procurar o que significa. Tati perguntou o que é panasca. Não posso deixar de responder porque acho que deve ser uma dúvida de muita gente. Alguns dicionários brasileiros não constam a definição. Então colocarei um texto do Mário Prata, que além de explicar o seu significado, explica de maneira bem simples como os blogs têm ajudado a língua portuguesa.


O Meu Pipi


Um português abriu um blog na internet. Não sabe o que é um blog? Pergunte a seu filho. Chamado O Meu Pipi. Uma editora (séria) portuguesa achou o lusitano pipi e o transformou em livro. Uma editora brasileira sentiu o cheiro do sucesso (oitava edição, mais de 50 mil livros vendidos, lá) e vai lançar o pipi entre vocês.
E o que eu tenho a ver com o pipi português? É que me chamaram para traduzir, para transformar o pipi português em pipi brasileiro. A senhora acha que todos os pipis do mundo são iguais? Ledo engano. Há que traduzir. Por exemplo? A senhorita sabe o que é cona? Panasca? Pila? Paneleiro? Tirar os três? Pois, pois. E broche, minha amiga, posso lhe garantir que não é "jóia ou bijuteria provida de um alfinete longo ou de um alfinete com fecho, que se usa geralmente ao peito para prender e/ou enfeitar uma peça de vestuário". Não, não é nada disso.
Mas eu não estou aqui para falar da tradução em si, apesar de poder adiantar que se trata de sacanagem pura, maravilhosamente bem escrita, pelas páginas da internet.
O que eu quero falar hoje é sobre os blogs. Se não sabe o que é blog, pergunte à tua avó.
Há quatro anos venho dizendo para os donos das editoras brasileiras (editoras de livros de papel) que o futuro da literatura está na internet. A quantidade de sites e blogs pessoais - só no Brasil - passa de 20 mil segundo cálculos cá meus. Se as editoras contratassem um especialista em internet para ficar fuçando lá por oito horas do dia, teriam uma surpresa tão boa quanto O Meu (dele) Pipi.
Quando a minha geração começou a escrever, mostrava os textos a um primo, um poeta local ou simplesmente guardava na gaveta. Quantos e quantos escritores da minha idade não ficaram no meio do caminho?
Hoje, não. O sujeito coloca tudo o que escreve na telinha, cria sites e blogs com a maior facilidade. E, ali, fica exposto à visitação pública. Poderia aqui citar mais de dez blogs brasileiros que estão merecendo virar livro de papel, mas não vou fazer isso. As editoras que entrem no século XXI e se virem.
Vejo mães e pais preocupados porque o filho ou filha ficam seis horas por dia na internet. Relaxem, meus amigos. Tudo o que ele vai ver é um pouco de pornografia e depois fazer uns joguinhos. Mas, depois, ele vai entrar num chat e ficar conversando com desconhecidos. Escrevendo bobagens, mas não importa. O que eu quero dizer é que nunca a língua portuguesa foi tão exercitada como agora, com o advento da internet.
O Meu Pipi, por exemplo. Ninguém sabe quem é o autor. Nem eu, que o traduzi. Mas desconfio que seja o pseudônimo de um grande escritor português. Um Miguel Esteves Cardoso, por exemplo. Porque, se for algum principiante, a minha tese está certa. Surgiu um novo escritor da nossa língua. Novo e já excepcional.

E vou terminar citando uma frase do Paulo Markun, jornalista, escritor e grande blogueiro:

"Tenho certeza de que os blogs serão para a literatura o que os campos de várzea foram para o nosso futebol. Parece pouco, mas pergunte onde é que todos os craques brasileiros começaram a jogar. E quem pensa que existe muita diferença entre escrever e bater bola está redondamente enganado (sem trocadilho). Num jogo como no outro, só se aprende suando a camisa".

Muitos confessam não terem tempo para ler um livro, mas têm para ler, pensar e comentar em blogs. Os Blogs à serviço da educação.

Beijus,

*Como sempre faço, a intenção é postar uma coisa e posto outra, como no caso acima. Mas quem pensou que eu fosse falar do Jefferson, enganou-se! Me enchi dele o dia todo!

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