Sobre o nosso amor

"...Tenho candura dentro de mim. Escondo-a por que ela foi ferida. Peço a Deus que sua candura nunca seja ferida e que ela se mantenha sempre".
(Trecho de um bilhete de Clarice Lispector para Chico Buarque)

amor
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Ficamos tocados com as manifestações de amor. A vida passa e não paramos para observar os pequenos gestos e algumas atitudes passam desapercebidas. Depois do tempo passado, olhamos pra trás e daí já é tarde para refazer aquele momento. Você pode ter dúvidas e se questionar com a falta de certeza e se perguntar: Porque não fiz?

Na dúvida, faça! Melhor pecar pelo excesso do que pela falta! São raras as pessoas que sabem falar de amor. Não estou falando de amor qualquer - Falo dos que fazem da alma papel e do espírito a caneta, dos que confessam em público seu amor, pessoas raras de sentimentos simples.

Ontem eu escutei: "Pára com isso, você está me fazendo pagar maior mico" e me coloquei no lugar do rapaz, tadinho. Imagino o tempo que juntou para ganhar coragem e se expressar. Amamos errado ou a pessoa errada?

Confessar em público o seu Amor pela companheira(o) não é nada fácil, são raras as pessoas que conseguem e raros são esses sentimentos. Essa raridade que os valoriza ainda mais. Quem fala de amor pelos cotovelos, a cada hora se declara para alguém diferente...bem, essa pessoa gosta, mas não ama. Amor é sentimento raro.

Alguns usam da imaginação demasiadamente e imaginam amar. Amam o amor, o que também é uma forma de amor. Não é o caso aqui, aqui falo de amor pessoa/pessoa.

Imaginar é fácil, difícil é sentir o amor 'de verdade' - Pior para aqueles que passados anos de convivência, esquecem do porque estão juntos, do sentimento que os uniu. Pois é, sempre ouvi dizer que o Amor esmorece com o passar dos anos, eu sempre contrariei esta tese e fico feliz quando vejo alguém dar-me razão. Não só por palavras mas confirmando com atos.

Escrever sobre nós, sobre a nossa história, sobre a nossa vida com sinceridade é ato de coragem. Mas se você não tem coragem de dizer publicamente, ou mesmo olho no olho, escreva uma carta de amor.

Não se escrevem mais cartas de amor.

Qual a certeza de que a carta, portando tal substância e de teor tão vulnerável chegou? Eu li uma notícia no jornal que alimentou esse meu lado romântico, vai saber:

Casal se reencontra por causa de carta de amor perdida por dez anos via BBC Brasil

Um casal que se reencontrou por causa de uma carta de amor que ficou dez anos perdida finalmente se casou na última sexta-feira, no Reino Unido.

Steve Smith, de 42 anos, e a espanhola Carmen Ruiz-Perez, também de 42, se conheceram e se apaixonaram há 17 anos, quando ela passava uma temporada estudando inglês no condado de Devon.

Eles chegaram a ficar noivos após um ano de namoro, mas acabaram rompendo o romance quando ela se mudou para Paris por causa de um emprego.

Anos depois, Smith conseguiu o endereço da mãe de Carmen, na Espanha, e enviou para lá uma longa carta pedindo para reatarem.

Mas a carta, que havia sido colocada fechada sobre uma bancada, acabou escorregando e ficando perdida atrás de uma lareira, de onde só foi recuperada recentemente, durante uma reforma.

"Filme"

Ao finalmente receber a carta, Carmen telefonou para Smith e, dois dias depois, os dois se reencontraram em Paris.

"Parecia uma cena de filme. Corremos um em direção ao outro e nos abraçamos no meio do aeroporto. Trinta segundos depois já estávamos nos beijando", contou Smith ao jornal britânico "The Times".

Já Carmen admite que quase desistiu de telefonar para o ex-namorado, tamanho o seu nervosismo ao receber a carta.

"Eu pegava o telefone e desligava, várias vezes. Mas eu sabia que tinha que ligar em algum momento", disse.

Os dois haviam permanecido solteiros todos estes anos. "Finalmente estou me casando com o homem que eu sempre amei", afirmou ela.

Steve Smith e Carmen Ruiz-Perez finalmente se casaram, após quase 16 anos separados, na última sexta-feira, na Grã-Bretanha.

Não é enredo de filme, é vida real e 'apenas' uma linda história de amor.

Beijus,

Minha terra dá banana e aipim

Meu trabalho é achar quem descasque por mim (Noel Rosa)



Existe uma mudança de mentalidade no Brasil que merece ser analisada, que envolve a gestão de empresas por administradores e que quebra o preconceito de que somente os sócios, donos de empresa podem administrar. Os donos de empresas substituem assim, a gestão familiar pela gestão profissional. Mas porquê isto? Oras, o tino e propriedade comercial nem sempre passam pelas gerações intactas e os filhos de famílias outrora empreendedoras tendem ao conservadorismo, apenas reinvestindo lucros e esquecem que no mundo capitalista, o capital precisa girar, ser aberto, dando oportunidade de trabalhadores e outros empreendedores investirem nesta empresa.

O administrador profissional sabe a diferença entre hedge e especulação, o 'core business' é mais importante que especular no câmbio e aplicam preceitos da ciência da administração - diferentemente de gestores familiares que criam vontades e normas próprias, rebaixando estatutos e colocando em risco a sustentabilidade da empresa e estabilidade do trabalhador.

As empresas estão no caminho de se prepararem para competir internacionalmente quando, daqui mais ou menos 10 anos, as grandes empresas chinesas aportarem em nossas praias definitivamente. Quem sabe assim o nosso governo, retira de seus quadros economistas e advogados, dando oportunidade aos verdadeiros administradores, que ao invés do lucro fácil e de contratos com estagiários (cobrar, receber e pagar) agirão como profissionais?

Vale dar uma lida na matéria do biólogo Fernando Reinach, a seguir:

Lições que as bactérias ensinam sobre solidariedade e trapaça

Quando a comida estava acabando, cada indivíduo começou a enviar sinais. Atraídos pelos sinais, aos poucos todos se reuniram em um imenso conglomerado. Usando a energia que ainda dispunham, selecionaram uns poucos membros do grupo e os encapsularam de modo que pudessem sobreviver por muitos meses na ausência de alimentos. Terminado o processo, morreram todos de fome.

A sobrevivência da colônia dependia dos encapsulados. Vagando ao sabor dos ventos, eles hibernaram por meses. Quando finalmente um deles encontrou alimento, voltou à vida, se reproduziu, e criou uma nova colônia que explorou o ambiente até que a comida começou a rarear.

Então tudo recomeçou.

Este é o ciclo de vida da bactéria Mixococus xanthus, um dos organismos mais simples que apresenta alguma forma de organização social. Os membros do grupo se comunicam, coletivamente organizam uma estratégia de sobrevivência (a formação de esporos) e ainda possuem uma forma primitiva de altruísmo, já que muitos se sacrificam para garantir a sobrevivência das gerações futuras.

Faz alguns anos foi descoberto que as sociedades de Mixococus xanthus sofrem o mesmo problema que as sociedades humanas: o aparecimento dos trapaceiros, membros da sociedade que se aproveitam do espírito de cooperação para obter vantagens pessoais. No caso dos Mixococus o que ocorre é o aparecimento de bactérias mutantes incapazes de formar esporos.

Quando cultivados isoladamente, esses mutantes crescem enquanto houver alimento, mas quando falta alimento eles não formam esporos e morrem.

Entretanto, quando essas bactérias mutantes crescem no mesmo ambiente que os Mixococus normais, os mutantes "obrigam" as bactérias a ajudá-los a formar seus esporos.

Malandragem Catastrófica

O pior é que nessas condições os trapaceiros formam mais esporos que os Mixococus normais e, por levarem vantagem, aos poucos vão aumentando seu número na população. O aumento do número de trapaceiros sociais acaba provocando o colapso da sociedade: só sobram trapaceiros. E, na falta de vítimas, também eles acabam morrendo.

O que foi descoberto é que, muito raramente, os trapaceiros sofrem mutação e se convertem em supercooperadores, bactérias que possuem um nível maior de solidariedade que as Mixococus originais e, por produzirem muitos esporos, conseguem liquidar os trapaceiros.

Quando os cientistas seqüenciaram o genoma dos trapaceiros e dos supercooperadores, descobriram que uma única mutação é responsável por restaurar o comportamento social e por produzir indivíduos supercooperativos. Esse é o primeiro gene conhecido capaz de "reabilitar" delinqüentes sociais.

Infelizmente a bactéria Mixococus xanthus é um dos seres vivos evolutivamente mais distantes do Homo sapiens e portanto é praticamente impossível que essa descoberta possa ter alguma utilidade na reabilitação do grande número de trapaceiros e delinqüentes que existem em nossa sociedade. Mas não deixa de ser interessante saber que, ao menos em bactérias, o comportamento social é controlado diretamente pelos genes.

Fonte: Evolution of an obligate social cheater to a superior cooperator - Nature vol. 441 pág. 310 2006.

Você não precisa ser um empreendedor comercial para entender certas analogias. Seja um bom empreendedor da sua vida pessoal e tenha boas reflexões neste início de semana!

Beijus,

...em quietude, sem solidão

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