"Agora é tarde, Inês é morta"?


"Cedo ou tarde, pouco me importa.
Depois quem era essa inês?
E o que foi que ela fez?
Ao menos não dessa vez,
Não quero ouvir clichês. sou eu que vou dizer,
Querer pra mim é poder.
Posso chorar no leite derramado;
Ver o futuro repetir o passado..."

O Vitório Nani escreveu o texto "Não, eu Não Estou me Enlouquecendo!" e antes que começasse a ler, parei alguns instantes pensando no título. Estamos a um passo de "nos enlouquecer"? Procurar pela loucura voluntariamente é saudável? A negativa do consciente tem poder como fuga?

A loucura tem um certo fascínio quando ela não é real, mas fruto de uma viagem. No caso do Vitório, ele supõe que possamos viver eternamente, porém no virtual. Como isso seria possível? - Você terá que ler o post do Vitório... O que ele propõe não é nada parecido com a eternidade que certos escritores já possuem, mas algo relacionado com "Posts post-mortem"

Brincadeiras à parte, não sei se ficaria confortável em não comunicar minha morte e publicar no blogue como se esse fato não tivesse ocorrido. Não seria justo com meus amigos.

Este blogue já teve oferta de compra, o que também achei surreal, devido ao fato de que não deveria comunicar aos leitores do "Luz" tal transação. 

Quem trabalha com a criatividade conhece o virtual antes da conotação dada com o advento online. O virtual nos faz abstrair do real para introspectivamente adentrarmos nas sinapses produzindo o que particularmente chamo orgasmo cerebral; é quando o ápice da inspiração acontece! Você tem que aproveitar aquele momento e registrar, senão a inspiração vai para o "buraco negro" e talvez jamais resgatada.

Voltando ao mundo virtual que o online nos impõe... É notável que todos estejam cheios de compromissos online e que o tempo passou a ter uma outra medida; os dias ficaram mais curtos e as pessoas não mais se entregam a olhar as nuvens, a vizinhança pela janela ou mesmo entregam-se em devaneios. 

No mundo "real", os que estão conectados virtualmente ainda são vistos pelos que não usam dessa tecnologia, como pessoas à margem da sociedade ou invisíveis. 

Quantas pessoas você conhece que trabalha exclusivamente com o digital? Quem não compreende essa nova modalidade de trabalho, tende a dizer que "Fulano não trabalha, passa o dia na internet". 

Dentro da janelinha virtual , "olhar a nuvem" não tem nada a ver com olhar para o céu e entregar-se em devaneios. Mas lógico que na mesma proporção daqueles que trabalham online, também cresce o número dos que "vagabundam" online. 

Uma vagabundagem boa quando não há "sentinelas"!

No post "Avatar, alter ego de um eu invisível" cito o "Homem Invisível" de Ralph Ellison: 

"Sou um homem invisível. Não, não sou um fantasma como os que assombravam Edgar Allan Poe; nem um desses ectoplasmas de filmes de Hollywood. Sou um homem de substância, de carne e osso, fibras e líquidos – talvez se possa até dizer que possuo uma mente. Sou invisível, compreendam, simplesmente porque as pessoas recusam enxergar para além de uma face. Tal como essas cabeças sem corpo que às vezes são exibidas nos mafuás de circo, estou, por assim dizer, cercado de espelhos de vidro duro e deformante. Quem se aproxima de mim vê apenas o que me cerca, a si mesmo, ou os inventos de sua própria imaginação – na verdade, tudo e qualquer coisa, menos eu."


Ralph Ellison viveu em um tempo em que não existia a internet. Se formos trazer o personagem para a atualidade, poderíamos trocar na frase as palavras em destaque: "uma face" por "um avatar"? 

Os índios pensavam que a fotografia aprisionava a alma de quem se deixava fotografar e, eu sempre me faço a pergunta: Evoluímos? 

Perante o blogue sou apenas a minha memória virtual, afinal, virtual não é o oposto do real. Virtual é o abstrato do real, um lugar onde posso ter um olhar mais crítico sobre as minhas virtudes e fraquezas. 

Poderia fazer isso morta?

25 comentários :

  1. Fui lá no Vitor e adorei o texto.
    Tantas modernidades. Já tinha ouvido falar nessa possibilidade de permanecer viva no virtual. Mas, aqui em casa já avisei que se algo me acontecer, excluam os blogs,rs...

    Adorei te ler! bjs, chica

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  2. Olho Internet a possibilidade de 7 mil milhoes de pessoas conetarem entre si infinidades de oportunidades para criar e destruir. Na prática é uma ferramenta que me proporcionou saber da existência da Luma.
    A lógica da morte indica de que poderia fazer isso morta assim como o faz o livro de um escritor falecido que continua vivo. Publicar textos pós-morte seria um procedimento clicado por um mecanismo 'vivo'.

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  3. Não tinha pensando sobre isso de alguém continuar escrevendo após a morte do autor. Bem estranho.

    Considero que estamos vivendo na melhor época. Estar conectada com o mundo não tem preço!

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  4. Considero-me sortuda por ter estado online e ativa nos anos 2000. Li tanta coisa boa nesse mundo virtual, aprendi tanto com vocês.
    Meu passatempo predileto era acordar, dar uma olhada nos principais jornais do mundo todo, ler meus blogs preferidos, palpitar em alguns, pesquisar os novos e escrever no meu. Porém, em algum momento, escrever deixou de ser diversão. Deletei tudo, não guardei um texto sequer. Morta e enterrada. Fiquei tuitando, sem compromisso. Sozinha, invisível na rede. A máquina e eu. Gosto assim.:)
    Beijos pra você. Luminosa! Bom te ler.
    Palpi

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  5. Oi, Luma!
    Tenho razão, ou não, de chamá-la a blogueira rainha? Sem contar com os muitos anos luz à nossa frente, você sempre vai fundo nas informações em todos os textos que publica. Vide esse assunto que abordei no meu blogue! Você enriqueceu sobremaneira o assunto, além de provocar um gostoso debate!
    Eu sempre notei que muitos artistas, compositores, depois de mortos, alguém vai rebuscar seus porões e encontram belas composições, como se lá estivessem para nos presentear depois da morte. Não estariam aqueles autores tentando se tornarem eternos? A ideia de prolongar a vida virtual, não é nova!
    Ainda vamos ouvir falar muito sobre esse assunto!
    Beijos e bom fim de semana!

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  6. Olá! Há quanto tempo, Luma!
    Um post bem interessante. Este mundo virtual dá pano para mangas como se diz por cá.
    Bjs

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  7. "Poderia fazer isso morta?" - entendo que não, Luma. Eu nunca tentaria "eternizar-me" no virtual, pois a interação é que justifica a partilha; mesmo não respondendo aos comentários (não tenho tempo para tal), a interação existe através da presença nos blogues que sigo.
    Sobre o conteúdo da postagem, nada acrescento, subscrevo-a e deixo os parabéns por mais um brilhante texto que nos deixa a matutar.
    Bjo, Luma :)

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  8. Agora fiquei em dúvida, rsr... Diante de tantas modernidades acredito que sim, você ou eu, poderíamos fazer isso depois de mortas. Vai da vontade. Alguém já comparou com um livro. É isso.
    Quanto a mim, eu não ia querer.
    Como sempre seu texto é excelente e instigador.
    Beijo! 😘

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  9. Oi Luma! A janela do virtual nos abre tantas possibilidades de conhecimento, nuvens infinitas, com violência, crueldade, bondades, descobertas...um tipo de abstrato real. Disse ao Victor, que quando morrer quero estar morta, se é que já não estou em vida, quero a imensidão de um quintal de infância alegre e nuvens de algodão para olhar no céu.
    Que coisa boa poder ler aqui e refletir!
    Abração!

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  10. Mario Quintana - O MORTO
    O MORTO

    Eu estava dormindo e me acordaram
    E me encontrei, assim, num mundo estranho e louco...
    E quando eu começava a compreendê-lo
    Um pouco,
    Já eram horas de dormir de novo!

    Essa ideia é meio louca, mas estamos sempre lendo livros de autores mortos que ficaram famosos durante esta vida. A Bíblia é um destes livros que sempre se renovam pela visão e revisão dos vivos. Se um blog permanecer on-line por mais de mil anos será pelas mãos dos vivos, o que não impedirá a eles de revirá o passado ou até mesmos as aspirações do seu escritor falecido. Até o mundo virtual também irá morrer, quando não existir mais vivos para acessá-lo. Como somos peregrinos e a vida continua sendo o maior dos mistérios, espero na fé, podermos juntar o que hoje vemos como espelho (o real e o virtual) em um só lugar chamado eternidade. "Quem morrer vera! Motivo

    Eu canto porque o instante existe
    e a minha vida está completa.
    Não sou alegre nem sou triste:
    sou poeta.

    Irmão das coisas fugidias,
    não sinto gozo nem tormento.
    Atravesso noites e dias
    no vento.

    Se desmorono ou se edifico,
    se permaneço ou me desfaço,
    — não sei, não sei. Não sei se fico
    ou passo.

    Sei que canto. E a canção é tudo.
    Tem sangue eterno a asa ritmada.
    E um dia sei que estarei mudo: (MORTO)
    — mais nada.

    Cecília Meireles

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  11. Ah, Luma!

    Primeiramente, muitas saudades de sua filosofia poética!...
    Segundo, fiquei em curto circuito!... Não havia pensando sobre.
    Tudo o que escreveu e vem produzindo é perene, para muitos...

    Beijos! =)

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  12. Luma,
    É maravilhoso poder interagir com você através do blog.
    Ver seja possível manter o blog vivo como posts pós-mortem; entretanto, saberíamos que o autor não está vivo. E a quem responderíamos os comentários? É tão estranho tudo isso...
    Já fez essa experiência te deletar um blog e confesso: ninguém se importa.
    Estou há 6 meses com o blog fora do ar e não recebi nenhuma mensagem a respeito.
    Como disse a amiga lá em cima, gosto de ficar anônima na internet. Vou voltar blogar, mas sempre pensei que escrevemos para nós mesmos como Anônimos, vivos ou mortos.
    Beijo, menina

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  13. Alguns mais, outros menos, mas sempre vamos caminhando me nossas jornadas com a pergunta acerca de quem somos e porque estamos aqui, e estes senso de eternidade acaba tornando-se fruto das nossas inquietações, somadas ao mesmo senso que despertamos nos outros a partir daquilo que fazemos, gerando empatia / admiração. Os meios digitais nos permitiram uma maior exposição de nossas abstrações, mas ainda só conseguimos nos ver a partir de como o outro nos enxerga. Quanto mais "nos vemos por nós", mais nos sentimos sozinhos. De certa forma, toda morte é virtualizada, pois seguiremos vivos pra alguém enquanto estivermos em sua memoria.... bjo!

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  14. Oi Luma! Saudade de te visitar, mas tenho estado á deriva...ou seja, fora do ar, off line mais vezes do que on line...e confesso que recuperei o prazer de fazer muitas coisas que estava deixando pra trás em minha vida, como cuidar dos meus pais, olhar nos olhos das pessoas, conversar, interagir, abraçar...Adoro a vida virtual, mas é só uma distração agora, antes eu estava cega, creio que morta...A vida é arroz com feijão e como é bom! bjs e boa semaninha!

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  15. Quanto tempo!! Fiquei feliz em vê-la de volta... E que postagem soberba! Eu adoro a virtualidade, já fiz tantos amigos bacanas,uns até tornaram-se reais, já aprendi muita coisa com oa virtualidae... É isso!Adorei

    Bjs!

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  16. Luma,querida amiga!Que bom que voltou e me localizou com meu novo blog. Senti sua falta,mas havia perdido o link de seu espaço maravilhoso! Fiquei feliz demais ao ler seu comentário! Veja se ainda me segue,pois perdi muitos seguidores quando meu antigo blog sumiu e fiz esse atual!
    Estou retribuindo as visitas aos poucos,porque estou só com celular e enxergo pouco com ele.
    Volte sempre e feliz semana!
    Beijos sabor carinho
    Donetzka

    Blog Magia de Donetzka

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  17. Oi Luma
    Acho bacana esse ideia de continuar uma morta-viva rs Como não escrevo, só publico fotos fica dificil rs Mas é como dizem alguns_escritores cantores sempre deixam um legado 'pós morte' e acho instigante. E com todas as modernices atuais,no virtual seria bacana.No caso dos blog's perde um pouco aquele olhar sobre o amigo, mas tenho um grande amigo virtual que a familia deixou o blog aberto e gosto de ir lá senti-lo. E ,sinto! rs
    São crônicas são lindas,se tivesse pensado nisso os amigos ainda estariam lá ,curtindo. Gostei Luminha
    Beijo

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  18. Bom tê-la de volta e seu blog em movimento. Não deletei seu link aguardo a sua volta bem viva.
    Gosto do virtual, mas não abandono meu olhar atento sobre pessoas e natureza. Um belo texto. bjs

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  19. Bom lhe ver Luma e sentir que volta com suas belas postagens, que fazem pensar, olhar para dentro e aqui o virtual que é mais real do que podemos imaginar e que lutamos para que não supere o olhar mais efetivo, o abraço mais aconchegante.
    Vivemos Luma e como diria Gil, ele faz tudo mas é mudo, nós não.
    Um abração mineiro de flor.
    Bjs na boa semana.

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  20. Luma
    posso ser tétrica, mas cada vez que se fala agora Inês é morta, imagino cada um tendo que beijar a mão da rainha morta , rs
    Ah, Luma, tem sim pessoas que trabalham com a internet e tem sempre quem não considera isso um emprego, uma função
    Deixemos os contrariados para lá
    Temos que nos importar com o momento, com a vida pulsante
    Depois é depois, fica como herança
    Seja uma rainha. Uma rainha viva da internet
    beijos

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  21. Que bom que voltou e me achou,querida amiga Luma!

    Veja se ainda me segue porque perdi muitos seguidores quando meu antigo blog sumiu e recomei esse novo. Eu continuo seguindo você!

    Obrigada pela visita e volte sempre!

    Não visito muito porque estou só com o celular e enxergo pouco nele. Beijos sabor carinho e linda noite!

    Donetzka


    Blog Magia de Donetzka

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  22. Errei ao digitar porque não enxergo quase nada nesse celular!

    Recomecei meu novo blog em 2013 (vai fazer 4 anos dia 30 de maio).

    Vá lá e se não me segue,clique em "seguir" abaixo da lista de seguidores,ok?

    Beijos e volte muitas vezes a meu espaço.

    Donetzka

    Blog Magia de Donetzka

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  23. Olá amiga, bem-vinda de novo ao m/blogue.
    Em relação aos m/blogues se eu tiver tempo ilumino-os
    antes de morrer.Meu marido não liga a estas coisas, ninguém da m/família continuaria a dar-lhes vida, nem sabem da s/existência, passowords, etc. Portanto se eu
    morrer antes de os eliminar ficarão por aí sei lá quanto tempo depois de mim? Mas isso sucede com tantas outras coisas que deixo.
    Bjs.
    Irene Alves

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  24. Olá Luma!
    Que postagem interessante e inusitada!
    Já tenho visto o que abordas aqui com o Flávio Gikovate.
    Beijocas querida!

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  25. Olá, querida Luma! Seja bem-vinda, estava com saudades...!
    "Virtual não é o oposto do real." No mundo virtual é mais fácil pra gente se relacionar principalmente os tímidos e quando morrem não querem se desligarem desse mundo.
    Eu amo o mundo virtual, porém não deixo minha vida real de lado.

    Beijinhos no seu ♥

    ResponderEliminar

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