Coisas, gavetas, pessoas e paredes


Quando criança gostava da ideia de pensar que o nosso cérebro era uma grande cômoda cheia de gavetinhas que conforme a necessidade coisas eram encontradas, outras procuradas ou nunca encontradas, mesmo sabendo que lá estavam. Nessa procura incessante por algo que São Longuinho não ajudou a encontrar, alguém veio me dizer que devia ter guardado em vidas passadas... Perdeu no remoto, no prazo de validade. Mas enquanto dormimos, a nossa inconsciência se apodera de uma vassourinha e faz toda a faxina. O problema é quando ela não descarta e muda as coisas de lugares - o que era uma história vira outra, assim como as certezas.

Na dúvida, a sensibilidade interpreta os ângulos dos acontecimentos de forma mais natural. Lugares improváveis são consolidados pelas pequenas sinceridades e o nosso olhar passa a ser muito mais do que mero registrador de cenas, mas um órgão que sente as dores e alegrias do mundo. Você sabe o que te comove e o que te causa repulsa. Cada elemento é um despertar que não cabem em gavetinhas, cabem em um lugar qualquer sem paredes.
Para não cair no esquecimento...

“Como trágica ladainha, a memória boba se repete. A memória viva, porém, nasce a cada dia, porque ela vem do que foi e é contra o que foi’’ – Eduardo Galeano.

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26 comentários :

  1. Será? Há quem escreva de que esperança pode ser o prolongar do tormento. Mas... o entranhar na mente o existir de Vidas Passadas é um enorme alento que conforta e reforça a garra pelo Viver. Também me acontece com frequência o abrir gavetas que trazem à tona vivências que confundem a realidade com o sonho.

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  2. Gostei da tua imaginação infantil com memórias e cômodas cheias de gavetas. eu gosto da dinâmica de revisitar essas gavetas. No momento em que são acondicionadas ali temos um sentir para ela, depois de muito tempo, abrir para tirar-lhes o pó, já traz ou acrescenta um novo olhar.
    E acho que escrever é um constante abrir de gavetas.
    Beijo!

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  3. Luma, me fizeste lembrar que sempre, até hoje, tenho gavetinhas e sempre me foram úteis. Assim, na época da universidade, eu corria como louca até a hora de chegar lá. Daí fechava a gaveta dos filhos e abria a do saber. E por vezes, mesmo lá, dava belas espiadinhas nas que tinham ficado fechadas. Assim até hoje e me ajuda muito! Se tenho algo que não gosto, trancafio numa gaveta e procuro não tocar. Louca? pode ser,rs bjs, lindo dia! chica

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  4. Luma,
    a memória é fantástica!
    A nossa gaveta do intelecto é sempre aberta,
    não consigo fechá-la, pois estou aberta ao conhecimento diário e constante!
    Lindo post!
    Bjus
    http://www.elianedelacerda.com

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  5. Eu gosto de "engavetar" sentimentos e emoções e abri-las...sempre que for necessário!
    Um belo pensamento para finalizar a sua escolha de hoje!
    Bj

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  6. Faço minhas as palavras de "Crochetando Momentos"…também tenho o poder de "engavetar" meus sentimentos e deixá-los sair quando acho que está na hora. É um exercício, requer treino, mas com a maturidade se consegue um pouco (veja bem, um pouco) este controle. Bjs

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  7. Gosto de saber que tenho as minhas gavetinhas e nelas eu guardo tudo
    Abro aqueles que vale a pena cheias de coisas boas
    Nas gavetinhas que guardei as mazelas tranco com cadeado e procuro não abrir
    Dessas eu quero apenas as lições que aprendi
    E cada dia mais vamos abrindo outras gavetas no intelecto
    Beijos e um lindo dia

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  8. As vezes as minhas gavetinhas fazem uma mistura medonha das histórias guardadas nelas. Aí já viu! Faço confusões do que são, foram ou não verdade nelas. Amei o seu texto! Valeu a reflexão.
    Beijos
    Adriana

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  9. Oi, Luma.
    A minha memória é bem limitada.
    Misturo coisas e muitas vezes esqueço nomes, que jurava que estava bem aqui fresquinho na memória.
    A ideia das gavetas seria bem legal.
    Abraços.
    Diego,
    http://diegomorais18.blogspot.com.br/

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  10. Luma, um texto muito bom p pensar...
    A mente, o cérebro, a consciência, "as gavetinhas"...
    O melhor é lembrar de coisas esperançosas e construtivas... Arquivar dores e tristezas não é saudável, mas muitas vezes elas insistem em se instalar... Daí o que precisamos fazer é "arrumar as gavetinhas" e retirar tudo que não presta... O importante é que a paz e a liberdade estejam sempre presentes!

    Um beijo

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  11. Difícil eu usar as gavetas da minha cachola... rs, lá só guardo as memórias familiares ( eu , minha mãe , meu pai e irmãs) e, as que tenho de todos os animais que já tive nessa vida.
    No resto, eu deixo passear ... acho que até por isso, sou mais livre.
    Ótimo texto Luma.
    Beijoos ;)

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  12. Ah Luma, eu também já pensei assim...também achava que a memória era cheia de compartimentos ou caixinhas.
    Ultimamente as lembranças tem sido de muita saudade, de um tempo em que a família estava completa.
    Bjs e bom feriado

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  13. Luma, você era uma menina muito sagaz. Lembrei de um prof. da faculdade que desenhava uma comoda e ia abrindo as gavetas e ensinando. Era legal!!!

    Beijossssssss
    ┌──»ʍi૮ђα ツ

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  14. ameeeeeeeeeeei sua postagem, foi fundo, bjus

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  15. Luma, até certo ponto, podemos considerar que o nosso cérebro é composto, senão de gavetinhas de patamares. Na verdade, a mim acontece muito isso, através dos sonhos, recupero ideias e ideais.
    Beijos

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  16. E por muita vezes esquecemos o recente, e lembramos de coisas muito antigas...Mistérios da nossa mente...
    Ótimo post Luma!
    Beijos

    http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

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  17. Oi Luma
    Mesmo sabendo que gavetinhas não são suficientes para guardar até o que
    não gosto , vou apertando e empurrando tudo na gavetinha até explodir.
    beijinhos e um ótimo fim de semana.

    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  18. Fez-me recordar episódios da minha infância.
    Um texto excelente, sem dúvida.
    Bjs

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  19. Eu uso essa imagem das gavetinhas com as crianças da família! então digo-lhes sempre que têm de ir para a cama cedo, porque será durante o sono que o nosso cérebro guarda o que aprendemos nas gavetinhas. Se as coisas não ficam guardadas nas gavetinhas, não há espaço para gravarmos mais coisas e não nos lembramos delas ! assim tudo em gavetinhas, dá espaço livre e é fácil ir lá buscar quando precisamos, por exemplo para os testes!
    é que as crianças não acham necessidade de ir dormir... assim conto-lhes a historia das gavetinhas :))
    Abraços Luma
    Angela

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  20. Fiz uma retrospectiva aqui... a memória é algo sensacional. bjs

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  21. Engavetar é um hábito perigoso que se mantém ao longo dos anos. Procuramos por algo e nem sabemos onde está, e o que pensávamos esquecido de repente nos assombra. Bjs.

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  22. Oi Luma, memória é vida, todas experiências que trazemos, nossa "bagagem" pessoal...Morro de medo de Alzheimer...de mim mesma quando penso que fiz algo e não fiz ou o contrário... Sem ela morremos em vida, então vamos aproveitar as gavetinhas!
    Beijos!

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  23. E não é que achei que já tinha comentado essa postagem? rsrs...medo.

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  24. Olá, Luma.
    Curioso que eu ainda acho que meu cérebro é uma série de gavetas!
    Às vezes, talvez por já serem muitas, perco-me até encontrar o que preciso e, algumas delas, já antigas, custam para abrir, outras vezes se recusam a fechar... é complicado, tudo isto que se refere ao cérebro da gente. O meu, para complicar, já têm uns buraquinhos, e, de vez em quando, uma das gavetas escapa-se por aí.
    Mas lá vou levando.

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  25. Oi Luma,
    Aqui é o psicografador ou ghostwriter de Roseane. Desde que Roseane faleceu, minha sogra me chamou equivocadamente de Flavia, ou sera que foi um insight? Nosso mundo interno é um reflexo muito nosso do mundo exterior, fiiltrado por nossas emocoes e razoes.Concordo contigo que nao vejo gavetas no meu interior, mas vejo lugares maravilhosos e lugares muito escuros e horrendos, que sou forcado a visitar vez em quando. Acho que por mais que tentemos, nao conseguimos evitar que o sentimento de odio e violencia que circular na sociedade humana, nos envenene,e se nao cuidarmos, nos mate. Continue produzindo teus textos, eles realmente geram luz que ilumina nossos cantos úmidos. Flavio/Flavia/Roseane

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    Respostas
    1. Querida Luma
      Um texto muito profundo!
      Que o nosso cérebro é uma máquina, disso não tenho dúvidas! Que armazena as nossas memórias, também tenho a certeza: agora como? Isso já não sou capaz de explicar.
      Gostei imenso do que li e fiquei com uma tremenda vontade de aprofundar ainda mais este assunto. Obrigada.
      Um beijinho
      Beatriz

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