A nossa solidão nasce da convivência humana

shinparkowska

Quando postei no twitter “Dia 23 de Agosto, iniciam-se as comemorações do centenário de #NelsonRodrigues - Maior dramaturgo brasileiro.”, recebi uma enxurrada de dms pedindo link. Como assim? Isso quer dizer que no mundo virtual, a palavra só tem garantia se acompanhada de um link. Então, estou criando “o link”.

Nas minhas divagações, penso no homem que inventou a tragédia brasileira e na sua peça “Vestido de Noiva”, considerada pela maioria dos críticos o marco inaugural do moderno teatro brasileiro. Em 1943, chocou o público ao apresentar uma nova maneira de contar uma história no palco, com narrativa fragmentada e diálogos de impressionante vivacidade – uma rigorosa – ainda que de aparência espontânea – elaboração literária do jeito carioca de falar. Como se isso não bastasse, a encenação também era um show de modernidade, com cenário arrojado e efeitos de iluminação inéditos no país. Resultado: o público emudeceu a princípio, para depois vir abaixo em longos minutos de aplausos.

Antes de “Vestido...”, Nelson, jornalista desde a adolescência, já havia escrito a “A mulher sem pecado”, recebida com frieza em 1941. Quando lhe perguntaram sobre as influências que sofreu, disse que nunca vira uma peça sequer antes de escrever “A Mulher...”. Pode ser.

Gênio polêmico, grande frasista, politicamente conservador e esteticamente inquieto, Nelson faria carreira como dramaturgo, abordando conflitos familiares prestes a explodir em violência – como em “Álbum de Família” – e a coloquialidade da crônica de costumes suburbanos – “A Falecida” e “Bonitinha mas ordinária”. Sob o pseudônimo de Susana Flag, Nelson cultuou também o folhetim.

O centenário? Só daqui um ano. Em 23 de Agosto de 2012, mas as comemorações já começaram e você pode colaborar.

A frase título é de autoria de Nelson Rodrigues.

26 comentários :

  1. Sou uma das que não gosta, Lumita! E como ele próprio dizia: toda unanimidade é burra...tô aqui eu, pra polemizar! beijinhos,

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  2. Gostei do seu texto. Dele gosto de algumas frases e crônicas.

    Girassóis nos seus dias.
    Beijos

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  3. Pois é, a coisa do link acostumou mal a massa. Agora, na falta de um, pressupõem falta de credibilidade. Como se credibilidade fosse sempre algo alheio, distante dos que estão perto.

    Gosto do Nelson, ver a vida cotidiana, social com bom humor e profundidade é um bom motivo para gostar dele. Não dá pra levar a sociedade muito a sério, perdemos a sanidade da mente.

    Eu acho perfeito um bom autor nascer do nada, aliás como assim do nada, né? Tem que ter inspiração?
    Com Gil Vicente, primeiro grande dramaturgo português, também foi assim. Até hoje não se sabe nem onde ele nasceu, nada que comprove, imagine se vão saber que influências ele sofreu! Se sabia latim ou não, o que lia, o que estudou... e estudou? Tem também Shakespeare, esse já tá provado que não estudou mesmo, mas tinha sua genialidade e que ninguém ouse questioná-la. Faz até bem acreditar que "do nada" podem vir os bons, voltamos a acreditar no talento em meio a esta sociedade em que só aparece que tem Q.I. (quem indique).

    Bjs!

    Michelle

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  4. Ai garotona, sempre precisa na sua leitura. Gosto de Nelson Rodrigues. Capaz de dizer que o rei tá nú e a rainha faz sexo sem parceiros, num tempo em que tudo era tabú, mas igualmente sentido, vivido e afetado.

    Beijos e parabens pelo post .

    Cam

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  5. Como dizem aqui na terrinha, "já iá lhe catar" Luma...

    Saudades, sinto falta também das suas divagações... Já centenário?! "Tô véia", ou Nelson continua "fresquinho", gosta da sua forma crua e obscena de escrever a realidade nada romântica e muito menos humanizada... Mas uma coisa admiro muito nele: Ser um fiel fluminense, mesmo lá do outro lado... Rs.

    Beijo e carinhooooooooo

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  6. Oi Luma,

    Que bom que voltou. Eu também passei uns dias longe do blog, mas nao dos teus textos, que agora recebo por email. Só faltava vir aqui dar um Oi pessoalmente. Pessoalmente? Ahahahaha
    Beijos

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  7. Acho interessante, mesmo sem saber bem de datas, Nelson tem estado comigo desde domingo... gosto da Dama do Lotação... gosto de Dona Flor... parecem gostos escandalosos...um dia eu disse isto a um grupo de amigos e nunca mais eles me viram com bons olhos! Adoro Nelson Rogrigues... gênio!

    Luma, este teu texto é dos mais incríveis que li aqui! Muito bem construido! Fiquei imaginando como seria a tua poesia... ou a tua prosa...? um romance escrito por você... existe algo assim? Eu que te conheço pouco e venho pouco aqui ( em em todos os Blogs!:P ) posso não saber que sim.

    Bjus de Luz!

    Sinto sua falta..
    vc é uma pessoa que eu gosto que leia e veja o que eu estou a escrver...

    Grato e este grato tem link só aqui no meu coração :))))))))))

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  8. Oi querida obrigada pela participação lá no blog, estou aqui para seguir você e te chamar para participar dos nossos sorteios.(Se não servir para vc, você pode presentear uma amiga) Beijo grande!
    http://mundinhodobebe.blogspot.com/

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  9. Realmente um marco na dramaturgia brasileira. Amado e odiado, sempre polemico e genial, deixou um acervo inigualável.
    Bjux

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  10. Oi Luma
    Eu sou uma que não amo tanto, mas também não odeio.
    Gosto..... de algumas coisas dele.
    Mas que foi importantíssimo para a época, até os dias de hoje, isso foi.
    beijos
    PS: Nos cuidamos direitinho do seu blog?

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  11. Luminha, adorei teu texto, e gosto de Nelson Rodrigues, até acho que sou meio rodriguiana. Adorei a visita lá no meu blog.Beijo grande.

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  12. Nelson Rodrigues sempre genial

    vistem meu blog tb
    blogdofernandocamargo.blogspot.com

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  13. Grande Nelson Rodrigo. Parabéns pelo texto Luma

    Beijos

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  14. Que volta triunfal, Luma... texto maravilhoso, se eu te falar que li e reli?
    A nossa solidão nasce da convivência humama, que verdade absurda essa.
    É um gosto escandaloso (para quê bancar a falsa puritana)mas eu gosto de Nelson Rodrigues.

    Bjs
    Mah

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  15. Querida amiga,
    Bem interessante o teu texto, com partes sérias e outras que fazem sorrir.
    Luma, esqueceste de fazer um link para o xampu do moço...e agora, como é que me informo ???
    Gostei do teu comentário muito pertinente no meu blog sobre o casamento. És jovem, não és ? Eu não...tenho 57 anos...
    Beijinhos
    Verdinha

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  16. Luma,um excelente texto!Muito bem feita a biografia do grande Nelson Rodrigues,autor de vanguarda,polemico e irreverente!Adorei!Bjs,

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  17. Não gosto do Nélson Rodrigues. Respeito quem goste.
    Big Beijos

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  18. Quando leio textos como estes fico com a noção exacta do meu analfabetismo.
    Quantas vidas teria de viver para conhecer tanta coisa que descubro no dia a dia? Entre elas estará de certeza Nelson Rodrigues de quem não conheço rigorosamente nada.

    Um abraço

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  19. Luma, eu sou fascinada pelo Nelson Rodrigues. Além do fato dele ser (ter sido) tricolor (hohoho), concordo que seja o maior dramaturgo brasileiro. Apaixonei-me quando li O Anjo Pornográfico, do Ruy Castro, na faculdade. A partir daí, comecei a ler as obras e procurar crônicas escritas em jornais.
    Muito válido seu texto.

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  20. Oi Luma, você prá variar um naufrago na escuridão com uma lanterna no pescoço...

    Por vezes penso que a vida não merece ser dita vivida enquanto não lermos algo de Nelson Rodrigues... Me perdoe quem gosta de tv, mas não os textos adaptados... Não, os escritos puros e escandalosos de N.R.

    Beijos

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  21. Luma, este site que indicou foi criado pela filha dele. Acho que teremos muitas novidades, coisas não vistas anteriormente neste ano de comemoração.
    Em geral, as pessoas que dizem não gostar de algo, principalmente da obra de um artista tão eclético, o fazem por simples ignorância. A culpa não são delas que são apresentadas pelo meio mais fácil e superficial como a tv. Concordo com o comentário acima e o NR apresentado nas adapatações televisivas é bastante rude, muito pouco inteligente, quase um machinho brasileiro.
    Chego amanhã às 17hs.
    Besitos miles.

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  22. Lindo o teu post e adorei a lenda do chinês e o balde por lá no comentário...beijos,chica e lindo fds!

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  23. Meu primeiro contato com o Nelson Rodrigues foram as crônicas das revistas, A vida como ela é. Era muito criança nem entendia o que ele escrevia mas ficava fascinada por aquele mundo obscuro. Mas achava aquilo tudo ficticio. Com o tempo, a vida me mostrou que " de perto ninguém é normal e ao meu redor tantos e tantos personagens seus tomaram vida. Inclusive eu mesma.

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  24. É isso que o cult faz, mostrando a realidade como ela é, nua e crua, sem caras e bocas, máscaras e maquiagens, por isso Nelson choca tanto e é incompreensível para muitos. Assim como no cinema Bergmann, Cronnemberg, Godard, Lynch e tantos outros. A realidade é uma das coisas mais difíceis para o ser humano...

    Assisti a peça de Nelson, aqui em Sp, dirigido pela Norma Bengell. Maravilhosa!

    Beijos e um bom fim de semana!
    Liz

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  25. Olá Luma,
    Este é um escritor que é amado ou odiado. Eu gosto da forma que ele traz o seu pensar.
    Muito interessante esta sua crônica sobre Nelson Rodrigues. No seu vai e vem de cenas entrecruza momentos que pinçam seu inquieto pensar que vaga entre as várias questões que envolvem o viver.

    Adorei o título e concordo com a frase "o homem deseja sem amor e a mulher deseja sem amar"

    bom final de semana.

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  26. Luma, vou admitir que há coisas de Nelson que gosto muito, e outras que não gosto tanto. Adorei seu post.
    Beijos

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