A grafia do beijo molhado que marcou a História

V-J DayUma estátua foi colocada na Time Square/Nova Iorque em homenagem aos 65 anos do fim da 2ª Guerra Mundial em 14 de Agosto de 1945 (V-J Day, o Dia da Vitória sobre o Japão). 

A ideia da organização "Keep the Spirit of '45 Alive" seria que data fosse comemorada com um beijo coletivo e foi!! Deu tudo certo e casais de diversas idades se beijaram ao mesmo tempo. Para isto foram convocados veteranos da 2ª Guerra e da Guerra contra o Iraque, como também voluntários vestidos a caráter e ao fundo um cartaz luminoso mostrou os dizeres "Official: Truman announces Japan's surrender" (Oficial: Truman anuncia a rendição do Japão) fez voltar no tempo um dia de bastante alegria. 

A história conta que o renomado fotógrafo Alfred Eisenstaedt estava dando sopa na praça, quando deu de cara com um marinheiro beijando todas as moças que passavam. 

Muitos homens alegaram ser o marinheiro da foto, mas somente Glenn McDuffie reuniu provas que confirmaram ser ele o "Kisser VJ". Ele disse que estava distribuindo beijos quando em um momento, percebeu o movimento de uma pessoa correndo, deu de olhar, sem desgrudar os lábios da enfermeira e apenas movimentou o braço, para que o rosto da moça ficasse mais exposto e assim, prolongou mais o beijo para que a foto fosse tirada.

Em 1979, Edith Shain escreveu uma carta à Eisenstaedt afirmando que era ela a enfermeira da foto e que se manteve incógnita para proteger seus familiares. Ela morreu recentemente, no dia 20 de Julho com 91 anos de idade. 

Uma outra enfermeira que presenciou a tomada da fotografia, disse que eles não premeditaram aquele momento e que o braço abaixado da enfermeira, seria apenas para segurar a saia, para ela não se elevar com o abraço do marinheiro e que a amiga em nenhum momento esboçou resistência. E completou que teve a impressão de que eles estavam gostando do beijo, já que durou um bom tempo.

Questionado sobre o tempo gasto no beijo, o marinheiro disse que "Foi um beijo bom (pausa) foi um beijo molhado" ulalá!! Imagino o que seria um beijo bom, molhado, naqueles dias, em plena praça movimentada. Naquele tempo um beijo tinha muito significado e molhado, realmente significava. Ah... aqueles eram os dias!

Naquele dia, era esperado que tudo estivesse resolvido! Acreditava-se que a paz total era possível e para muitos americanos, não era sabido o que tinha ocorrido alguns dias antes em Hiroshima, não se imaginava que a Guerra fria despontava no horizonte.

Para os americanos, a 2ª Guerra Mundial havia terminado no dia 14 de agosto de 1945, quando o presidente Harry S. Truman anunciou a rendição japonesa, depois da rádio japonesa reportar a aceitação da declaração de Potsdam. Já na Europa, a vitória tinha sido declarada 3 meses antes, no dia 08 de maio de 1945.  

O tratado de paz oficial só foi selado em 02 de Setembro, colocando fim ao pior conflito da história mundial, que durou seis anos, com mais 65 milhões de mortes de militares e civis em todo o mundo.

A guerra não é a resposta, mas naquele tempo, diante do desafio Imperial do Japão e de uma Alemanha Nazista, foi a melhor resposta? Quão diferente seria o mundo, se pudéssemos retroceder e imaginar a não guerra. Será que hoje em dia, ambas as nações, Alemanha e Japão tão prósperos regimes, seriam diferentes ou o mundo diferente, se aquelas brutais ditaduras militares tivessem ainda permissão para governar?

O mundo melhorou nessa questão. Esses países são agora amigos, aliados e parceiros econômicos de várias nações. Alguém poderia imaginar isto em 1945?

Boa parte do mundo é progressista e não se lembra dos fatos passados, mas todo o fato do passado, repercute hoje no presente. Dizemos adeus as guerras e qualquer atitude ou mesmo uma frase que evoque a perda da nossa liberdade. Lutamos todos os dias contra o totalitarismo e ideologias racistas, principalmente quando nos lembramos da escuridão que se espalhou lentamente por todo o planeta na década de 30, diante do domínio da tirania nazista e japonesa.

V-J DayA guerra acabou e tentamos anular desentendimentos políticos e pessoais, porque as pessoas morrem e o ciclo planetário é renovado. Podemos não ter contato com pessoas que já viveram naquela época e assim como a enfermeira Edith morreu a poucos dias; daqui um tempo, não existirá mais ninguém que viveu naquele tempo.

Edith após assumir sua presença na fotografia, assumiu também a sua participação na história e lutou para que o Dia da Vitória, não fosse esquecido. Este seu sonho que era o de muitos na  data da foto, não foi esquecido e ela queria que as pessoas, quando olhassem para a fotografia tirada naquele grande dia de comemoração, pensassem somente em esperança, amor, paz e amanhã.


imagens: Dailymail

25 comentários :

  1. Pelo que sei, até hoje não foi descoberta a identidade do marinheiro. Um clic que ficou congelado no tempo e nos deixou a leveza de um beijo em comemoração ao fim da guerra. Imagem linda!
    Bjs

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  2. Tenho andado perdida no Verão.
    Que bom era Luminha que o ser humano, a começar nesses velhos «aliados», pensasse no significado dessa representação.
    Beijo

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  3. É engraçado que um simples momento possa ficar gravado na história, mas não foi uma simples comemoração, foi um marco de esperança para que se esperava daquele momento em diante...

    Apesar de que ainda temos de lutar bastante para que alcançemos a verdadeira paz.

    Fique com Deus, menina Luma.
    Um abraço.

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  4. @brasildobem,

    Estes são os marinheiros que afirmaram ser o marinheiro beijoqueiro: Donald Bonsack, John Edmonson, Wallace C. Fowler, Clarence "Bud Harding", Walker Irving, James Kearney, Marvin Kingsburg, Arthur Leask, George Mendonça, Jack Russell e Bill Swicegood.

    Lois Gibson que trabalha no Departamento de polícia de Houston fez análise forense que analisa as principais características faciais e mede os ouvidos, ossos da face, couro cabeludo, punho, dedos e mãos e fez um comparativo com ampliações das imagens de Eisenstaedt.

    Em 03 de agosto de 2008, Glenn McDuffie foi oficialmente reconhecido no dia de seu aniversário de 81 anos, como o "Kissing Sailor" durante o "Seventh-inning stretch" do "Houston Astros" e "New York Mets" no estádio "Minute Maid Park"

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  5. Nossa, o marinheiro tinha pegada mesmo!! Aquela época parecia ser tão mais romântica apesar de tantas desgraças... Achei muito interessante a história, como eles poderiam imaginar que iriam virar estátuas? Será que um dia nós vamos ter estátuas também? Legal, legal!


    Beijos

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  6. Luma,
    Parabéns por relembrar aqui o Dia da Vitória, com esse belíssimo post. Que todos os dias sejam o dia da vitória , com muitos beijos molhados em comemoração.

    (ah... estou com blog novo ( http://tania-bloglegal.blogspot.com ) e o Luz de Luma já está linkado lá entre os blog legais ... :) )

    bjks e bom domingo!

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  7. Isso que é "estar no lugar certo, no momento certo" não é?
    Beijos!

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  8. Sabia da história porque já li bastante sobre este famoso beijo, mas foi um prazer ler feito por ti, mas desconhecia a estátua.

    Andaste em mudanças e estava a ver que não atinava com os comentários:)))

    Bom domingo

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  9. Luma,

    Conhcecia a foto mas não a história por trás dela. Com certeza havia muito que se comemorar naquele dia, pois, de uma certa maneira, estava nascendo ali o mundo como conhecemos hoje.

    Abraços.

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  10. Ulalá Luminha... Eu amo estas histórias. Meu pai ja tinha me contado numa ocasião que passou na tv, mas eu até já havia esquecido. Mas foi um senhor beijo, gostaria de tentar um dia. Melhor que isto só uma declaração de amor de joelhos... Ulalá!
    * Fiz um post sobre uma experiência minha aqui em Jacucity. Será que você se lembra da banda Prisma daqui, antes de ir pra 'Cabufa'? Bem, eles continuam se encontrando...
    Um beijão

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  11. Essas historias americanas sempre me deixam meio com pé atras, no sentido do que é justiçla, etica, guerra, paz. Qual o objetivo de uma guerra para um pais tao belico? Complicado para mim pelo menos.
    Mas por esse ponto de vida, dos seres humsnos individualmente envovidos, suas historias, seu tempo nesaa Terra, me comovo.
    Voce tem esse poder de cativer com seus textos. Eu posso ate nao gostar do asasunto,mas voce descobre um jeito, uma porta, uma via de acesso para ve-lo por um ponto de vista original, como fazem mesmo os bons escritores.
    Beijos e boa semana,
    Cam

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  12. Pois é, Luma, ela morreu em 22 de junho deste ano e fiz até um post sobre esta foto também, acho-a linda e emblemática pela mensagem que sugere de amor e libertação.
    Veja as palavras da enfermeira:


    "O Sol nasce, o Sol põe-se. Não muda nada. Nem foi grande coisa. Afinal meninas bonitas recebem sempre mais do que um único beijo, não é? Foi um bom beijo, longo. Fechei os olhos e não resisti. Às vezes penso que se não estivesse acompanhada com uma amiga talvez tivesse ficado ali".
    (Edith Shain)


    beijinhos cariocas


    (Meu post foi este: http://supremamaegaia.blogspot.com/2010/06/o-beijo-imortalizado.html)

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  13. Eu sou a favor a toda e qualquer manifestação de paz!!! rs. Não sabia da metade das coisas que vc disse nesse post. Adorei!! Bjão e boa semana.

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  14. Luma, minha querida!
    Um beijo e um abraço seriam as melhores formas de selar a paz. Claro que nem precisaria ser um beijo molhado...rsrsrs...mas um beijo carinhoso e fraterno para aproximar as pessoas. Fico pensando naquela época e indagando aqui quantas vidas foram perdidas e quantos beijos e abraços deixados para a saudade ou vontade...
    Muito bom o texto Luma! Como sempre, muito bom mesmo!
    Grande beijo (e não é molhado...rsrs),
    Jackie

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  15. Oi, Luma!

    Descansou no "findi"? Lembro de vc ter ficado doente há uns dias e querer por os pés pra cima, descansar... Merecido.

    Olha, já li muitas coisas sobre o "dia do beijo", mas tudo muito incompleto e sem sentido. No fundo, eu esperava mesmo que o Luz fizesse um post sobre o tema, porque eu tinha certeza de que ficaria devidamente por dentro do assunto. E foi isso mesmo! Gostei muito, principalmente do bom trabalho que vc sempre aplica às imagens. O texto é primoroso, cheio de esclarecimentos. E vc ainda se atreve a chamar aquela merreca que fiz sobre "inveja" de artigo! Eu pesquiso quando a preguiça deixa, mas não é a minha praia. Pesquiso pra mim, por curiosidade, pra publicar é mais difícil. Vc é que é inteirada até o último fio de cabelo dos assuntos todos, isso sim! Junta o que vc sabe com o que vc descobriu e pimba, baita post! Isso é bacana, envolve talento. Já eu gosto mais de divagar, divagar... Sem muita instrução.

    Uma boa semana pra vc!

    Bjs,
    Michelle

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  16. Luma, a historia deste beijo recentemente apareceu numa revista, eu pensava que eram namorados!


    Sobre o Ao Vivo no dihitt, entendi que o Pablo retirou por enquanto, visto que era usado por muitas pessoas que faziam Spam.

    bjs

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  17. Luma é muito interessante essa história. Vale tudo ( um beijo assim naquela época era quase tudo) pra comemorar o fim de uma guerra. Imagino os sentimentos do soldado e da enfermeira. bjs

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  18. Luma, Lumazinha, cá estou após mais uma ausência... Sem jeito, todavia feliz por estar aqui lendo algo tão bonito!

    É tão fácil beijar e tão difícil guerrear. Que tal reiniciar o computador e tirar a guerra dos programas?

    Beijos, querida,
    Com carinho, Madá

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  19. Final de guerra comemorado com o beijos...lindo demais! Beijos

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  20. Bons tempos aqueles onde um beijo tinha realmente significado. Hoje em dia vemos beijos aos montes que nem sempre tem significado, beijos

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  21. Puxa,Luma que bom relembrar essa hostória que já tinha esquecido.Legal!beijos,linda semana,chica

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  22. Oi Luma
    Fatos como estes precisam ser rememorados. Já diz o ditado que "o povo tem memória curta". Vitórias, lutas e esperanças.
    Uma cena romântica em sua representação e dá impacto.
    Bjs,

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  23. Oi Luma!
    Obrigada pela sua visita no meu blog de filmes!
    Eu tb adoro este filme.E o mais bacana que é uma história real.
    Bjs,Rozani

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  24. Muito bom, Luma... muito bom! :) Boa semana, amiga.

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  25. Olá, Luminha.
    Ah, esse beijo ficou famoso. Uma coisa curiosa: se a guerra acabasse HOJE, e alguém pegasse alguma incauta na rua e lhe tascasse um beijo na boca, seria processado por assédio sexual.
    Em momentos de ócio intelectual, fico imaginando como seria o mundo se Hitler tivesse perdido aquela eleição, se Mussolini tivesse um ataque cardíaco e o imperador fosse avisado por seus assessores que atacar o poderio militar norte-americano seria um péssimo negócio.
    Muitos avanços científicos advieram da II Guerra. A geopolítica do mundo seria outra.
    E ninguém meteria o beiço nas enfermeiras em plena Times Square.
    Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

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