De volta à ditadura?

Quem viveu a época da censura, tem péssimas lembranças.


Alex Polari, em "Os Primeiros Tempos"

Não era mole aqueles dias
De percorrer de capuz
A distância da cela
À câmara de tortura
E nela ser capaz de dar urros
Tão feios que nunca ouvi

Havia dias que as piruetas do pau-de-arara
Pareciam ridículas e humilhantes;
E, nus, ainda éramos capazes de corar
Ante as piadas sádicas dos carrascos.

Havia dias em que todas as perspectivas
Eram para lá de negras
E todas as expectativas
Se resumiam à esperança algo cética
De não tomar pancadas nem choques elétricos.

Havia outros momentos
Em que as horas se consumiam
À espera do ferrolho da porta que conduzia
Às mãos dos especialistas
Em nossa agonia.
Houve ainda períodos
Em que a única preocupação possível
Era ter papel higiênico
Comer alguma coisa com algum talher
Saber o nome do carcereiro do dia
Ficar na expectativa da primeira visita
O que valia como um aval da vida
Um carimbo de sobrevivente
E um status de prisioneiro político
Depois a situação foi melhorando
E foi possível até sofrer
Ter angústia, ler
Amar, ter ciúmes
E todas essas bobagens amenas
Que aí fora reputamos
Como experiências cruciais.

ditadura

A imagem acima em que você reconhece alguns artistas brasileiros, participou da exposição fotográfica "Direito à Memória e à Verdade - A ditadura no Brasil: 1964 a 1985" período da História Brasileira conhecida como "Os Anos de Chumbo". Exposição organizada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) em comemoração aos 28 anos da promulgação da Lei da Anistia no Brasil (LEI Nº 6.683 - de 28 de Agosto de 1979) ocorrida em Julho de 2007, na Galeria D. Pedro II, Caixa Cultural SP.

Ontem recebi da amiga Enoisa Veras, o seguinte e-mail:

Intelectuais lançam manifesto de repúdio à Folha de S.Paulo

Manifesto protesta contra um editorial publicado quatro dias antes pelo jornal, que minimiza os crimes da ditadura militar e classifica o período como "ditabranda". O texto também presta solidariedade aos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victória de Mesquita Benevides, cuja indignação ao editorial foi classificada como "cínica" e "mentirosa" pela Folha.

Redação - Carta Maior

SÃO PAULO - Um grupo de intelectuais lançou sábado (21) um abaixo-assinado na internet em repúdio à Folha de S.Paulo. O manifesto protesta contra um editorial publicado quatro dias antes pelo jornal, que relativiza as atrocidades da ditadura militar (1964-1985) e classifica o período como "ditabranda".

O texto condena "o estelionato semântico manifesto pelo neologismo 'ditabranda' e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964". Segundo os signatários do manifesto, "a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais".

Outra motivação do abaixo-assinado foi prestar solidariedade aos professores acadêmicos Maria Victória de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato, cuja legítima indignação ao editorial foi tachada de "cínica" e "mentirosa" pela Folha. "Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro", diz o texto.

A íntegra do manifesto é a seguinte:

REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

"Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio à arbitrária e inverídica “revisão histórica” contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro último. Ao denominar “ditabranda” o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país.

Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a “Nota de redação”, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas à seção “Painel do Leitor” pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante às insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro".

A minha assinatura já está lá e é de nº1784. Agora é com vocês!

Não vamos deixar que o desrespeito e a intimidação retire de nós a nossa liberdade civil, duramente conquistada. Aqueles que acham que o Brasil não tem História é porque não leram ou não participaram. Participe daqui pra frente!

Se puder, divulgue o Manifesto!

Beijus,

6 comentários :

  1. Por mais paradoxal que possa parecer, em meu blog recebo inúmeros comentários de pessoas que viveram os "Anos de Chumbo" e também de jovens que jamais viram um militar no poder. Em ambos os casos me causa espanto que todos os grupos se encontram em total desilusão com a democracia e pedem a volta do regime militar e da linha dura.

    É engraçado como um bando de facínoras aproveitadores pode macular de tal forma o conceito de democracia que a população que viveu os males da ditadura e aqueles que sequer eram nascidos acabam por ansiar pelo retorno no câncer que representa a falta de liberdade.

    Infelizmente, mesmo os que sofreram na pele acham que nossa democracia é apenas uma ditadura disfarçada.

    Isso é triste porque expõe a fraqueza de nossas instituições e mostra como uma ideia errada pode tomar corpo graças a políticos ruins e a uma população alienada e ausente.

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  2. Oi Luma!

    Te indiquei pro "Prêmio Dardos" e para o selo "Olha q blog maneiro":
    http://irradiandoluz.blogspot.com/2009/02/voltei-das-ferias.html

    Um abraço,
    Gabi Dread

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  3. Concordo com a Folha. Essa grandeza que fazem da ditadura brasileira, é mui semelhante aos SEIS MILHÕES (6.000.000) de Judeus do holocausto. Muita informação contraditórias para se aceitar.

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  4. Não sou desta época, nasci em 1975, entretanto já aprofundei muito sobre o assunto, assim sendo totalmente a favor da volta da ditadura militar, pois somente assim poderemos acabar com essa pouca vergonha dessa tal "liberdade" imposta pela imprensa, TV e rádio onde acaba com os valores e princípios da família. Estou não só indignado com os meios de comunicação como também vem se expandindo muito as drogas, marginalidades, entre outras coisas mais no qual o governo incentiva. Obrigado.

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  5. eu cresci ainda nos tempos bravos, mas tenho lembranças do tempo. era aquele aviso de censura na tv, disco do Blitz que comprei todo riscado, a "moral e cívica" na escola que fazia a gente cantar o hino todo dia... tudo tão bobinho e leve comparado com quem sentiu literalmente na pele os efeitos da ditadura.

    Acabei de ler um livro que tb aborda o assunto, num ângulo um tanto diferente. o livro é "Eu não sou cachorro não"
    http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT380723-1661,00.html

    legal q o livro aborda que até mesmo os bregões sofriam mto na mão da censura (até mesmo Dom e Ravel!!!!) e fala da questão da pressão tanto de direita como de esquerda, é bem interessante pra mostrar mais um lado da ditadura...
    bjs

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  6. Cara muito bom o teu blog, necessitei copiar uma imagem, pois tive q salvar e copiar, pena ser protegido por causa de parasitas blogger. E continue com o blog

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