Viver a vida

Sei que qualquer rosto é um deus que cria o mundo conforme o seu olhar.
Sei que quando declina a tarde e se torna breve o piar dos pássaros, o teu rosto se descobre no movimento das sombras em que te tornas, mulher desejo.
Porque o teu rosto é nómada e vive no deserto de sombra em que se desenha o objecto em que me liquefaço.
Porque percebo o sentido de toda a florescência, porque a observo no poisar dos insectos ou no bico dos pássaros.
Porque sei que, tal como as palavras, assim permanecem os sonhos à espera das asas, beijando o crepúsculo, retidos à espera de um poeta alado que os leve consigo, transportando o sexo, o orvalho de Maio, a filosofia de todas as pedras e a explosão de infinitos verbos na explosão de inúmeros sonhos.
Hoje, sei apenas que vejo os teus dedos em declinação, aparando os traços da chuva miudinha. E sei que nos gestos apressados com que recolhes as palavras oblíquas, deslizam dos teus lábios húmidos sombras e palavras numa festa de chuva.
As palavras furtadas, de Alexandre Monteiro
Ok! É preciso saber o que é sobreviver em horários descoordenados para decidir aspectos banais e prosaicos, de alegrias e problemas que surgem do nada, coisas da vida.
Complexo é complicar o simples. Por que o simples é tão difícil?
Por que, não fazem mais piqueniques?
*Luci, parabéns pelo aniversário do "Vida, falando de vida e da vida"!
*Aproveite a vida! Viva a vida!






















