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09 Abril, 2008

A Angústia de viver no limite [update]


Self-portrait on the Borderline Between Mexico and the United States, 1932, Oil on metal, 12 1/2" x 13 3/4", Collection of Mr. and Mrs. Manuel Reyero

Você conhece alguém assim...volúvel?

Embora não seja uma doença mental, trata-se de um estado fronteiriço, com uma incidência quase tão grande quanto a da esquizofrenia: apenas um pouco menos de 3% da população.

Essa angústia tem um nome “Borderline”. Esse termo não pode ser confundido com “limítrofe”, mas as duas palavras têm sentido e conotação diferentes. Limítrofe é a criança que apresenta determinadas dificuldades na esfera intelectual. Já o borderline se manifesta a partir da adolescência e se atém a uma área comportamental.

Não é bem uma doença, é mais uma forma de ser. O comportamento de um borderline é aparentemente normal, mas percebe-se que alguma coisa não bate bem. É alguém com sérios problemas em todos os aspectos da vida, chegando a apresentar episódios psicóticos de curta duração.

Ansiedade, depressão, angústia e sensação de vazio são sentimentos bastante conhecidos para o borderline, que apresenta, muitas vezes, comportamentos mutilantes e até auto-destrutivos, com em casos extremos, tentativas de suicídio.

Alguns se cortam, outros ingerem ou injetam no corpo as mais absurdas substâncias, com conseqüências desastrosas. O abuso de remédios e os distúrbios alimentares também são freqüentes. Muitos se tornam alcoólatras ou dependentes químicos.

O borderleine facilmente se apaixona e desapaixona. É capaz de se comprometer intensamente com alguém e substituí-lo em um piscar de olhos. Assim, as suas relações afetivas são caóticas e superficiais. Ele tende a manipular os outros e a depender deles, mas geralmente se envolve pouco em seus relacionamentos.

Outra característica é a instabilidade emocional: o humor oscila e, em horas, ele passa de depressão à euforia. Mas sempre acha que tem razão e não consegue lidar com o meio-termo. Para eles, os outros são absolutamente bons ou maus. Com um agravante: seus critérios de julgamento podem mudar por completo de um momento para o outro.

Contraditório e impulsivo, ele pode acordar ótimo e, de repente, ficar péssimo. No trabalho, pode manter uma performance durante algum tempo, mas isso não costuma durar. Por isso, ele troca muito de emprego. Sente-se externamente perseguido e não se adapta às regras. Alguns podem obter um notável sucesso profissional durante algum período. Mas não conseguem manter esse padrão: seu desempenho médio nunca é muito expressivo, pelo contrário.

Até para um terapeuta experiente, muitas vezes não é fácil diagnosticar o transtorno borderline. A observação de pelos menos cinco sintomas pode sugerir a existência do transtorno.

Veja alguns dos sintomas previstos no Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM-IV):

- Esforços desesperados para evitar o abandono, seja ele real ou imaginário;
- Relacionamentos intensos e instáveis, com extremos de idealização e desvalorização;
- Transtornos de identidade e da consciência do eu;
- Impulsividade em pelo menos duas áreas, com gastos, sexo ou abuso de substâncias químicas:
- Condutas suicidas ou automutilantes:
- Ansiedade, irritabilidade, mudanças súbitas de humor;
- Sentimentos crônicos de vazio;
- Cenas de indignação excessiva, inapropriada e descontrolada;
- Idéias paranóicas, manias de perseguição.

Conviver com um borderline não é fácil. Muitas vezes, porém, o problema passa despercebido durante anos e até durante a vida toda. Apesar das esquisitices, alguns dissimulam as dificuldades e angústias, mantendo uma fachada social.

A causa explícita do distúrbio é desconhecida, mas como ele só começa a se manifestar a partir da adolescência, supõe-se que seja forçado ao longo da vida, a partir de relações familiares intensamente patológicas e conflitantes. O quadro muitas vezes está associado a perdas importantes e a situações de abuso sexual ou físico.

É fundamental que o borderline seja cientificado de sua condição, assim que esta for diagnosticada, pois isso facilita a terapia. Como ele é muito racionalista, costuma reagir e não aceitar. Mas os sintomas são contundentes, ele não tem como negar!

Mesmo assim, não é fácil mantê-lo em tratamento. Além de vulnerável a modismos, o borderline costuma mudar de terapeuta. Na verdade, ele tende a manter com o médico o padrão de conduta que adota na vida, idealizando-o num determinado momento e passando a detestá-lo em outro. Desfia constantemente o terapeuta, sabotando as consultas ou fazendo exigências e pressões; sempre com desculpas e explicações absolutamente viáveis.

Para driblar essas dificuldades, o terapeuta precisa lançar mão de limites muito rigorosos, numa queda de braço permanente. Podem ser necessários medicamentos antidepressivos o ansiolíticos, mas a prescrição exige cuidado, para evitar abuso dessas substâncias e muitos especialistas afirmam que o borderline só responde parcialmente ao tratamente, mas podendo ser estabilizado, o que é uma grande coisa.

...borderline, fells like i'm going to lose my mind...

Borderline não é somente uma música da Madonna

Update - 08:00am - Agora pela manhã fiz uma boa ação e quero convidar a todos para fazê-lo; basta um voto.
A Karine e o Marquinhos, um casal que se formou na blogosfera, querem casar e para concretizar esse sonho, concorrem a um apartamento. Acessem um dos dois blogues e vejam como dar 5 estrelas para o vídeo que concorre na promoção "Meu primeiro Apê" - Ou acessem o link direto - não esqueçam de sinalizar 5 estrelas.

Aproveitando o clima romântico, quero parabenizar Ru Correa e Daniel Scardua, mais um casal formado na blogosfera e que agora serão papais. Juízo!!

Beijus,
Luma

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18 comentários:

BHY Quarta-feira, Abril 09, 2008 4:07:00 AM  

Luma, eu sou borderline! Estou abismado com essa descrição. Vou até colocar no blog. Tem o telefone do terapeuta?
;-)

Andréa Motta Quarta-feira, Abril 09, 2008 10:17:00 AM  

Passando para desejar boa semana!

Tina Quarta-feira, Abril 09, 2008 10:29:00 AM  

Oi Luma!

Acho que deve ser facilmente confundido com Transtorno Bipolar (antigo PMD) não concorda ? Seja qual for, deve ser uma barra a convivência.


beijo grande,

Quarta-feira, Abril 09, 2008 10:30:00 AM  

Passando para desejar que tenha uma excelente Quarta Feira.Já já vou lá visitar o blog dos teus amigos.

Ariane Quarta-feira, Abril 09, 2008 11:06:00 AM  

borderline, bipolaridade, depressão...tantos nomes, tantos remédios, tantas opiniões...no fim das contas, sempre se está só. é impossível transferir uma dor...


enfim...

bjs, bom dia!

Sam Quarta-feira, Abril 09, 2008 1:57:00 PM  

Luma, querida, sou sua fã. Meu sonho é ter textos teus no Nossa Via...
Beijos
Sam

Palavras quase racionais Quarta-feira, Abril 09, 2008 2:20:00 PM  

Concordo com uma da opniões anteriores de que é impossível tranferir uma dor, e estar nesse estado de dor interior é muito cmplicado, mas creio que com esforço e ajuda tudo pode melhorar...
Adorei o texto, muito esclarecedor mesmo,existem pessoas que assumem essa postura de comportamento e nem mesmo se dão conta. Sua visita é sempre bem vinda, gosto muito de seus comentáriso em meu blog.
Abraço pro cê.
Glaucia

Regina Ramão Quarta-feira, Abril 09, 2008 3:20:00 PM  

Na verdade, Luma, de perto ninguém é normal.
Beijo, guria!

Re

Anny Quarta-feira, Abril 09, 2008 7:57:00 PM  

É isto mesmo. "De perto ninguém é normal" Com a ajuda de uma terapia tem grandes chances de melhorar o convívio consigo mesmo e com o mundo.
Concorda?
Beijos

xistosa Quinta-feira, Abril 10, 2008 1:25:00 AM  

Neste mundo "civilizado" , com guerras ao milímetro e ao segundo ... não há dinheiro para investigar doenças !
A pólvora faz muito mais barulho!


Aqui ficou o meu voto, no meu e-mail!

Parabéns!
Seu voto foi validado com sucesso.
[Fechar]

chicoelho Quinta-feira, Abril 10, 2008 10:58:00 AM  

Luma
Passando para uma visita e vmos la ajudar o casal a ganhar o seu apê.


Bjs

Olá!! Quinta-feira, Abril 10, 2008 12:06:00 PM  

Hoje em dia estão sempre a aparecer nomes novos para doenças do foro psiquiatrico... infelizmente a tristeza parece global...
Deixei-te uma pequena lembrança no meu blog.
Beijosssssssssssssss

Ru Correa Quinta-feira, Abril 10, 2008 1:58:00 PM  

Oi, Luma!!!
Muito obrigada pela homenagem no seu post!!
Adorei, viu?
Ficamos muito felizes com as palavras dos nossos amigos blogueiros, já que, como você mesma disse, tudo começou aqui no blogosfera e agora está dando frutos!
Nós somos um casal hiper feliz a espera do primeiro herdeiro!! hehehehehhehehehe...
Será que meu bebê vai gostar de blogues?????
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Beijos, querida!
Você mora num cantinho muito especial do meu coração, viu?
Fique com Deus!
Tá mais!!!

Wilian Mendes Quinta-feira, Abril 10, 2008 5:42:00 PM  

Um pouco de mim...meu terapeuta...eu mesmo.
De médico e louco..todos temos um pouco. Beijo genial...quer dizer legal..ou melhor...sei lá...fui!!Esqueci..parabéns..eu não conhecia o tema...on de line...não borderline.

Juliana Sardinha Quinta-feira, Abril 10, 2008 8:17:00 PM  

Luma, belo post. Muito útil.
Vc é da área?
Bjsssss

cam Quinta-feira, Abril 10, 2008 10:50:00 PM  

Oi Luma,
Pior é que tem tanto borderline por ai não é? Já fiquei pensando se Angelina Jolie nao seria border. Ela teve uma infancia conturbada de automutilação, conta que tinha uma vida sexual bem de arromba, e diz o livro que quando se casam é um obm sinal, aquilo da uma especie de frame para quem nao sente o proprio contorno. Enfim... sei la. Acho tao interessantes essas coisas todas. Beijos querida e felicidades ai no blog lindo e na vida,
Cam

Ariane Sábado, Abril 12, 2008 8:53:00 PM  

Luma, eu quero citar o post mas não acho o permalink!! Eu sou meia cegueta, mas não acho mesmo! help

Cidão Domingo, Abril 13, 2008 12:44:00 PM  

Ás vezes sinto que sou um tanto quanto volúvel: ansiedade, depressão, angústia e sensação de vazio são sentimentos que estão sempre do meu lado. Será que sou "Bordeline"? Sempre tenho dificuldades em relacionamentos.

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