Ouvidos vácuos


Quando escrevi sobre os ratos terem causado pane nas telecomunicações na Nova Zelândia, ninguém levou muito à serio. Nem mesmo os Verbeats e a plantação de ratos da Olívia, ou melhor ficaram com as antenas ligadas, tanto que até montaram uma CPIh! Como tudo acontece no Brasil, a CPIh! não foi finalizada, ou acabou em Pizza. Pensei que a "coisa" estivesse esfriado, mas estava enganada, visto que nas pesquisas do Google images apontam para o Luz de Luma quando o assunto é “pragas urbanas + ratos”, vão lá! Curiosidade que resolvi satisfazer, devido ao fato que todo Santo dia tem alguém aqui procurando por essas imagens e as soluções para acabar com as pragas urbanas. Não perdoaram nem o Natal! E por feliz coincidência é o pessoal de Porto Alegre que mais fazem a procura. Bem, Portugal está em segundo lugar na busca...rs
Fiquei sabendo também que, recentemente que os cientistas australianos foram mais espertos e colocaram os ratos em polvorosa. Eles pegaram uma colônia de ratos e expuseram durante 18 meses a sinais de rádio similares ao produzido por telefones celulares.
Conclusão: os ratos estão correndo o dobro de risco de contrair câncer que os ratos que não se utilizam desse meio de telecomunicação.
Álias, alguns dos ratos pesquisados já estão sofrendo alterações no DNA de suas células cerebrais e olhe que na pesquisa, só foram admitidos ratos não fumantes.
Os ratos têm toda a razão de estarem preocupadíssimos. O uso de celulares entre eles multiplicou-se fabulosamente de uns anos para cá. É raro, hoje, ver um rato sem um aparelho ao ouvido, na rua, no aeroporto, nos restaurantes, nos concertos, no motel, no calçadão e até na praia.
Há ratos que não o dispensam nem quando estão dirigindo, caso em que supõe-se que deviam estar com as mãos ocupadas. Inclusive em Igrejas, em missa de sétimo dia, até em velório costuma-se ouvir um celular tocando. Vai-se-ver, é um rato vexadíssimo, tentando desliga-lo às pressas (percebe-se uma esticada no olhar pra ver quem aborrece).
Não se entende como, de uma hora para outra, os ratos inventaram tanta coisa para se dizer uns aos outros. E o que eles têm a dizer parece tão urgente que nem podem esperar para chegar em casa ou no escritório, sentar, relaxar e só depois discar. Não. Tem que ser já, no ato, imediatamente. Entende-se que certos ratos, nitidamente importantes e atarefados, precisem comunicar-se a jato com os outros ratos tão importantes e tão atarefados quanto eles. Mas o que se vê por aí, pendurados em seus celulares, são ratos que você juraria que nem profissão têm. Por que então essa fissura? Há ratos que ligam a um quarteirão de casa para avisar que estão chegando. E os que encontram um estranho prazer de ouvir a voz da patroa pelo viva-voz?
O nome que se dá a isso é nouveau-richisme, como diria Roma. E como toda nova-riquice, é uma absoluta breguice. Os ratos estão fascinados por toda eletrônica que aparece no mercado e cada qual quer ser o primeiro a exibir a última da tecnologia. Ainda não desconfiaram da verdadeira utilidade de um celular e para que ele foi criado. O celular está longe de ser uma novidade e para abastecer o mercado adicionam itens que ao invés de ajudar, atrapalham. A tecnologia anda tão depressa que, hoje, a pirâmide social se divide em: Os ratos pobres usam o celular e os ratos ricos não usam nada disso, porque já estão com a vida feita e não precisam ficar fazendo negócios ou marcando compromissos pelo celular no meio da rua.
- Luma, você não usa celular?
- Sim, desligado dentro da bolsa. Uso em emergências.
- É capaz de levar celular para as férias?
- Pra quê? Pro chefe me achar?
Fico me perguntando como os ratos se viravam no tempo em que não dispunham dos celulares. Tinham que apelar para os orelhões, claro! Mas os próprios orelhões não têm mais de 30 anos. E, antes deles, a única maneira de se dar um telefonema na rua era apelando para o português do botequim. Receber uma chamada, nem pensar. Vivia-se bem, apesar disso, e não consta que naquele tempo, que enormes negócios tenham deixado de serem feitos porque alguém deixou de telefonar para alguém. Pois bem, hoje qualquer rato está a bordo de um celular e nem por isso uma situação social parece ter melhorado muito. Ainda são poucos os ratos que escapam da mediocridade. (?)
Até então, pensava-se que, numa conversa entre dois ratos por um celular, a mensagem entrasse por um ouvido, atravessando um enorme vácuo e saísse pelo outro. Se fosse só isso, os celulares seriam inofensivos. Mas, agora, há a ameaça anunciada pelos cientistas australianos. Ou os ratos limitam o uso de celular e quando tiverem realmente algo importante para dizer, ou, bem, você sabe...
- Bem...nhêeee! onde você está?

*Escrevi este texto pensando em muita gente que irá ficar p. da vida comigo. Entendo a praticidade de um celular, mas vocês não acham que existe um certo exagero? Exagero aumentado nas datas especiais...estou dando maior apoio a publicidade de incentivo a compra de presentes que não seja o celular. E a tudo que massacre o ser humano!
Beijus,

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