O Clitóris contra-ataca

Vocês se manifestaram sobre a crônica que tratava da descoberta do clitóris pelo veneziano Colombo em 1559 e quando fui ler os comentários, percebi que algumas pessoas arriscaram uma resposta para a dúvida:

Será que, no decorrer da História, as mulheres nem desconfiavam que tinham um clitóris ou, ao contrário, sabiam muito bem e guardavam esse segredo dos homens durante 1500 anos?

Segundo comentários, as mulheres sempre souberam direitinho e, se não contaram para eles, foi porque preferiram guardar o clitóris como uma espécie de arma secreta ou para um dia de chuva...rs. Essa foi cruel!
Desculpe mas discordo dos comentários. Acho que umas poucas mulheres, com Éster, Dalila e Cleópatra, sabiam. Ou não seriam Éster, Dalila e Cleópatra, mulheres com uma tremenda capacidade de domínio sobre os homens.
Imagine que tais aviões iriam desconhecer esse instrumento de poder, que é o clitóris. Podiam não saber como se chamava e, por isso, talvez até lhe desses apelidos carinhosos, como bilu-bilu. Mas que sabiam pra que serviam, ah, isso sabiam. Uma mulher consciente do clitóris anda pela vida com o nariz empinado e a superioridade que balança o coreto de reis, guerreiros e conquistadores. Sabe o que quer e onde chegar. Se Éster, Dalila e Cleópatra eram tão poderosas, eram porque sabiam onde tinham o clitóris.
Mas, se sabiam, foram umas amigas-da-onça, porque não contaram para ninguém. Nem mesmo para suas irmãs de sexo, para não vulgarizar a coisa. Ou talvez tenham contado, mas essas não se interessaram. O fato é que, mesmo depois da suposta descoberta de Mateo Realdo Colombo (sem parentesco com o Colombo que descobriu a América), a novidade não pareceu empolgar muitas mulheres. Das duas, uma: ou elas não tiveram acesso à monografia em que Colombo descreveu sua descoberta (o que é bem provável, porque a maioria das mulheres na Europa no século XVI não sabia ler) ou, se souberam da novidade, não devem ter achado grande coisa. Seus maridos, se ficaram sabendo, é que podem ter aberto o olho para o negocinho. Literalmente.
Mas, com ou sem a grande descoberta de Colombo, algumas poucas mulheres continuaram fazendo uso daquele terrível conhecimento. Vide Lucrecia Bórgia, Catarina de Médici e a Marquesa de Santos: Duvido que elas não conhecessem seus respectivos clitóris.
- Eu não sou uma mulher machista!
- E porque acha que só as mulheres de vida airosa sabiam da existência clitoriana?
Bem, vamos falar o português claro: Pra que serve um clitóris se não for por motivos imorais? Não consigo imaginar, por exemplo, o que Joana D’arc, faria com o dela.
A verdade é que, apesar desses ilustres antecedentes históricos, o clitóris continuou adormecido na maioria das mulheres por outros 400 anos, até a publicação, em 1976, do famoso Relatório Hite. Sua autora, a esperta pesquisadora Shere Hite, estatelou o mundo com a revelação de que 90% das mulheres podiam dispensar os homens porque sentiam muito mais prazer estimulando o clitóris. ( Shere só esqueceu de dizer que, das 3 mil mulheres que entrevistou, 90% eram feministas ou leitoras de revistas femininas). E, então, o que aconteceu? Milhares de jovens feministas do mundo inteiro, subitamente conscientes de seu clitóris, começaram a dispensar os homens.

Minha mãe conta que, em fins dos anos 70, lembra-se de terríveis discussões na praia, em que algumas das mais fabulosas mulheres do Rio, faziam discursos anti-homens e a favor do clitóris. Só que, demonstrando sua pouca intimidade com o assunto, referiam-se a ele como clitóris. Bem. Até hoje muitas mulheres chamam o clitóris de clítoris. Você pode ter certeza de que, se não sabem o nome do dito cujo, é porque também não sabem usá-lo direito.

Pisei no pé de alguém? Desculpe...Ruy Castro!
Crônica integrante do livro "Amestrando orgasmos" (2004)

* De tanto falarem errado o nome do dito cujo, agora aceita-se as duas ortografias.

*Me diverti muito com o comentário feito pela Gueixa Bania "Fiquei aqui tentando imaginar minha avó lendo isso". Manda ela vir aqui, manda!

* E hoje, eu também estou aqui.

Bom fim de semana para todos!

Beijus,

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